João Victor Guarnieri, 31 anos, e Natália Mora, 38 / Divulgação e Isabella Fernandes/DL
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Por trás de uma vitrine nada óbvia, sem brigadeiro, bolos confeitados ou pudim, estão João Victor Guarnieri, 31 anos, e Natália Mora, 38, um casal que transformou sonhos, estudo e muita coragem em uma confeitaria francesa cheia de personalidade. Localizada na Rua Bahia, 80, no Gonzaga, em Santos, a Selavi Confeitaria & Café chama atenção pela decoração temática e pelo cheiro de manteiga, açúcar e café passado.
Mas a história começa muito antes da Selavi existir. João tinha apenas 18 anos quando vendeu o próprio carro para abrir a Doce do João. Ele logo percebeu que queria mais do que os doces tradicionais. A resposta veio direto de Paris, onde estudou confeitaria em uma das escolas mais renomadas do mundo, a Le Cordon Bleu, aprendeu técnicas e se apaixonou de vez pela cultura francesa dos doces.
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Começaram o namoro e a ideia de abrir algo juntos surgiu. Mas foi na pandemia que decidiram ir para frente com o plano.
“eu me entregava 100% ou não fazia sentido”, conta Natália.
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Diante disso, ela mergulhou na panificação e assumiu os salgados da casa, enquanto João ficava com os doces.
O nome Selavi surgiu quase como uma piada interna. Durante a pandemia, o casal assistia, cada um na sua casa, a um programa de gastronomia e ouviram uma frase clássica: c’est la vie. Natália escreveu do jeito “abrasileirado”, João gostou e o erro virou o nome da loja.
Se você entra na Selavi esperando bolo de vitrine tradicional, já fica o aviso: a proposta é outra. Os doces são menos doces, mais equilibrados e cheios de técnica. Croissant não tem recheio, brigadeiro quase nunca aparece e bolo só sob encomenda.
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“No começo, deu trabalho explicar. O cliente perguntava qual era o croissant de presunto e queijo”, lembra João. Hoje, o público já está familiarizado e abraçou a ideia.
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Entre os clássicos da casa estão a Choux Praliné, leve e delicada, e uma torta de chocolate com caramelo que já virou assinatura. Mas quem manda mesmo é a criatividade. João vive inventando sabores que, à primeira vista, podem até assustar os clientes, mas acabam surpreendendo, como chá preto com lavanda, gengibre, pão de cará, vinho ou até arroz-doce brûlée. Por aqui, a confeitaria nunca é entediante.
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A Selavi também é famosa por brincar com datas comemorativas. A festa junina, por exemplo, virou tradição: tem hot dog no croissant, maçã do amor versão entremet.
Na Copa do Mundo, os doces viraram bandeiras. Cada país que avançava ganhava uma sobremesa inspirada em sabores típicos.
Tudo o que é servido na Selavi é feito na casa, todos os dias. A produção começa às 5h30 da manhã e vai até a noite. A equipe é pequena, mas afiada.
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E quem acompanha o Instagram da loja sabe: ali não tem personagem. Tem farinha na roupa, chocolate na testa e vídeos que mostram exatamente o que acontece atrás do balcão.
“Hoje as pessoas querem saber quem está por trás da marca”, diz Natália.
Ela conta que tem cliente que vem de São Paulo só para conhecer o lugar e ainda pede foto com o casal.
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Empreender em casal não é receita simples
Eles fazem tudo juntos. Trabalham juntos, treinam juntos, criam juntos. Aprenderam, com o tempo, a separar a loja da vida pessoal.
“Chegou em casa, não pode falar de trabalho”, ressalta Natália, a regra número um do casal.
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Sem investidores, sem grandes aportes, a Selavi cresceu no ritmo possível: um passo de cada vez, reinvestindo no próprio negócio, em cursos, viagens e melhorias. Já voltaram a Paris duas vezes para aperfeiçoar técnicas e trazer novidades.
Se você sonha em empreender, João resume sem rodeios: “Não espera a hora perfeita. Decide e faz. Se pensar demais, nunca começa.”