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Santos será primeira cidade da região a usar novo inseticida contra o Aedes aegypti

As aplicações são realizadas dentro de imóveis localizados no entorno de residência de pessoas que contraíram a chikungunya

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10 JUL 2020Por Da Reportagem14h10
Fornecido pelo Ministério da Saúde, o inseticida de nome Cielo será aplicado no próximo dia 20 em imóveis da Ponta da PraiaFoto: Isabela Carrari / Prefeitura Municipal de Santos

A Secretaria de Saúde de Santos usará um novo inseticida nas nebulizações contra o mosquito Aedes aegypti. As aplicações são realizadas dentro de imóveis localizados no entorno de residência de pessoas que contraíram a chikungunya.

Fornecido pelo Ministério da Saúde, o inseticida de nome Cielo será aplicado no próximo dia 20 em imóveis da Ponta da Praia – bairro com dois casos positivos de chikungunya em membros de uma mesma família. Santos será a primeira cidade da Baixada Santista a utilizar o novo inseticida. Tendo como princípios ativos o imidacloprida e a praletrina, o Cielo substitui o Malathion, anteriormente encaminhado pelo governo federal, que realiza constantes avaliações para verificação da resistência do mosquito aos inseticidas e realiza as trocas sempre que indicado.

Para utilizar o produto da forma correta, 12 agentes de combate a endemias participaram de treinamento nesta quinta-feira (9), capitaneado pela Superintendência de Controle de Endemias do Estado de São Paulo (Sucen). Os agentes precisaram reajustar os aparelhos nebulizadores para a vazão indicada para o novo inseticida, com mudança do bico aplicador. Eles receberam orientações também em relação à forma da aplicação: ela deve ser realizada a cada dois metros, com o bico aplicador voltado para a área a ser atingida – o que deve gerar economia no insumo. Anteriormente, a aplicação era feita de forma aérea e o produto atingia a área de abrangência conforme caía.

A equipe da Sucen acompanhará a nebulização na Ponta da Praia. Como de costume, todos os agentes nebulizadores atuarão devidamente paramentados: roupa hidrorrepelente (apropriada para nebulização), máscara, luvas nitrílicas e botas. “Tínhamos apenas dois agentes treinados para nebulização com o uso do inseticida anterior. Passaremos agora a ter 12 profissionais aptos a realizar esse trabalho, o que otimizará o nosso trabalho, permitindo a formação de equipes substitutas em caso de férias e licenças, por exemplo”, explica Paula Favoreto, chefe técnica de Controle de Vetores.

METODOLOGIA
A nebulização é a estratégia adotada pelo município de Santos para conter o avanço da chikungunya, que neste ano já foi contraída por nove moradores. Antes da aplicação do inseticida, porém, os agentes de combate a endemias realizam vistorias nos imóveis que passarão pela nebulização, com o intuito de eliminar focos com larvas e situações que favoreçam o acúmulo de água – já que a fêmea do mosquito Aedes aegypti deposita seus ovos em água parada, iniciando, desta forma, a sua reprodução.

Esta é uma fase preparatória e obrigatória para a aplicação posterior do inseticida, que atua na eliminação de mosquitos adultos, diferentemente das vistorias, em que o foco é diminuir a proliferação do mosquito por meio da eliminação dos criadouros, em que encontramos o inseto nas fases de larva e pupa.

O inseticida é aplicado por pulverizadores costais, que se assemelham a mochilas, em determinados locais da residência, em especial áreas abertas como quintais, frente e corredores. No momento da nebulização, todas as pessoas devem sair do local, ao qual só devem retornar meia hora depois de terminada a aplicação do inseticida. Roupas devem ser tiradas do varal previamente. Alimentos, bebedouros e comedouros de animais devem ser guardados. Animais de estimação também não devem ser expostos à pulverização. Portas e janelas devem permanecer abertas. Vale lembrar que a aplicação de inseticida é uma estratégia adotada a partir de protocolos, não havendo qualquer indicação para uso indiscriminado.

A DOENÇA
A febre chikungunya é uma doença causada por vírus do gênero Alphavirus, transmitido pelo mosquito Aedes aegypti. Os sintomas são parecidos com os da dengue, sendo o diferencial a dor nas articulações de forma bilateral e simultânea (ou seja, se o joelho esquerdo dói, o direito também; por exemplo). Essas dores, porém, perduram por tempo indeterminado. Em algumas pessoas, duram dias, em outras, meses e até anos. As pessoas acometidas pela febre chikungunya ficam incapacitadas de realizar suas atividades de rotina e as que são economicamente ativas precisam ser afastadas do trabalho, já que a doença requer repouso absoluto.

Os demais sintomas são febre; dor de cabeça; manchas avermelhadas; dores musculares. Não existe tratamento específico para a febre chikungunya. Os sintomas são tratados com medicação para febre e dores articulares. Não é recomendado usar o ácido acetil salicílico devido ao risco de hemorragia. Recomendase repouso absoluto ao paciente, que deve beber líquidos em abundância.

CASOS
Com relação às doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti, Santos confirmou 90 casos de dengue e nove de chikungunya em 2020. Não há registro de zika neste ano. Já a febre amarela urbana não é registrada no Brasil desde a década de 1940.