Santos recebe autoridades esportivas, políticas e milhares de fãs para iniciar despedida ao Rei

Desde as primeiras horas desta segunda-feira (2) milhares de pessoas se deslocaram de outros países

Estádio da Vila Belmiro

Estádio da Vila Belmiro | Foto: Isabela Carrari

Santos recebe os holofotes de todo o mundo neste triste e histórico momento da despedida ao Rei Pelé. Desde as primeiras horas desta segunda-feira (2) milhares de pessoas se deslocaram de outros países, de vários estados brasileiros e de suas casas na própria Cidade que acolheu o gigante dos campos de futebol, para entrarem no Estádio Urbano Caldeira (Vila Belmiro), onde ocorre o velório de Edson Arantes do Nascimento.

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Do presidente da Fifa Gianni Infantino (Fifa) ao Ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, passando por chefes de Estado como o presidente da Turquia Recep Tayyip Erdoğan; o governador do Estado, Tarcísio de Freitas; o prefeito Rogério Santos, inúmeras autoridades e milhares de fãs foram dar adeus a uma das figuras mais importantes do século. 

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Pela manhã, também estiveram no estádio do Santos FC os presidentes das principais confederações do futebol e esportivas, como Alejandro Dominguez, da Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol); Ednaldo Rodrigues, da Confederação Brasileira de Futebol (CBF); Reinaldo Carneiro Bastos (Federação Paulista de Futebol – FPF)  além do Paulo Wanderley Teixeira, presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB). Outra presença de destaque dentre os dirigentes esportivos foi o vice-presidente do Real Madrid (Espanha), Emilio Butragueño.

No campo político, os prefeitos Ricardo Nunes (de São Paulo) e José Paulo de Paiva Gomes (da cidade natal de Pelé, Três Corações/MG) também prestaram homenagens na Vila Belmiro.

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EMOÇÃO

Ex-jogadores e companheiros de equipe de Pelé, além de muitos amigos, demonstravam emoção, caso do jornalista Milton Neves que não continha as lágrimas antes de prestar a última homenagem ao amigo. “O Pelé não morreu! Nem vai morrer nunca”! Gritou o jornalista, com uma camisa da torcida organizada “Camisa 10” do Santos erguida. Neves, que era amigo pessoal do Rei, garantiu que ainda estará presente ao sepultamento.

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MELHOR AMIGO

O ídolo do Santos Manoel Maria era, além de colega de time, um amigo que o Rei costumava chamar de irmão mais novo.  “Um irmão que Deus colocou na minha vida. Tenho que me adaptar a essa nova realidade, no meu coração ele nunca irá morrer”.

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O ex ponta-esquerda lembra com carinho dos conselhos de Pelé, em especial, a frase que mais o marcou: “‘O grande saber da vida é que você não sabe nada e precisa cada vez aprender mais’, ele sempre cuidou de mim, com muito carinho”.

“VOCÊ ESTÁ MUITO DEVAGAR”

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As orientações do maior atleta de futebol de todos os tempos também foram lembradas pelo tricampeão do mundo em 1970, Clodoaldo Tavares Santana. “Você está muito devagar”, repete a frase que ouvia, aos risos. “Ele era de outro planeta e esperava que todos estivessem no mesmo nível dele; eu dizia: “Pelé você é inigualável”. 

O meio campista lembra que uma das maiores qualidades do Rei era saber exatamente o que fazer quando a bola chegava, mas isso só era possível pela capacidade que ele tinha de enxergar o campo inteiro. “Antes da bola chegar no Pelé ele olhava para todo o campo, de cabeça erguida, via todas as possibilidades e quando ela chegava, fazia a mágica acontecer”.

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DE FÃ A AMIGO

Quase todo torcedor santista que viveu na década de 1980 era fã de Serginho Chulapa, um artilheiro nato que encantou a torcida com gols e seu temperamento forte. Mas quando menino, torcedor alvinegro, era ele que se encantava com o brilho de sua majestade. “Eu cabulava aula e ia para o Pacaembu ver o Santos e o Pelé, fazia questão de ver o maior do mundo, como santista nato que sempre fui. Nunca poderia imaginar que um dia vestiria essa camisa gloriosa e conheceria tantos craques, dentre eles o maior de todos”.

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OUTROS CRAQUES E AMIGOS

Pela manhã, muitos outros ex-craques e ídolos do Santos passaram pela Vila Belmiro, como Zé Roberto, Lima, Abel, Elano, Lalá e Aguinaldo, além de ‘rivais’, como o atacante Emerson Sheik e o meio campista Mauro Silva, que brilharam por Corinthians e Bragantino respectivamente.

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Aliás, não houve espaço para a rivalidade entre as homenagens prestadas a Pelé. A predominância absoluta era de camisas do Santos FC, mas se via uniformes de times opositores, em claras demonstrações de veneração ao Rei, transcendendo gostos particulares. 

NEM O CALOR IMPEDIU

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Sob um calor de mais de 30 graus, a fila dos fãs para ter acesso ao interior do estádio, onde está o caixão, chegava a ganhar três quadras na Avenida Bernardino de Campos (canal 2), impondo longa espera.

Após aguardar por três horas para dar o adeus, o visitante Romero Galdino falou sobre sua presença. “Pelé é eterno; com ele nós conquistamos três Copas do Mundo; sou palmeirense, mas vim prestar essa homenagem ao Rei Pelé”.

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Torcedor do Santos, o motorista Leonel do Nascimento Santana, conta que assistiu ao Pelé jogar com a camisa alvinegra e que, por conta disso, não poderia deixar de se despedir do ídolo. “Não tem outro igual; vi o Santos ser campeão com o Pelé, é muita glória junto!”.

SEPULTAMENTO

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O velório segue por 24 horas, até as 10h de terça-feira (3). As homenagens públicas terminam com cortejo pelas ruas da Cidade, saindo da Vila Belmiro, passando em frente à casa de dona Celeste Arantes do Nascimento, mãe do ex-jogador, e tendo como destino final a Memorial Necrópole Ecumênica. No local, numa cerimônia reservada apenas para a família, o corpo será sepultado a partir das 14 horas.