Ruas em paralelepípedo de Santos são preservadas por integrarem áreas envoltórias de bens tombados / Nair Bueno/DL
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Os trechos viários em paralelepípedos de Santos seguem desempenhando papel essencial na preservação da paisagem urbana histórica da cidade, especialmente em regiões mais antigas como o Centro Histórico e bairros com concentração de bens culturais protegidos.
Embora não sejam, em regra, tombados de forma isolada, esses pavimentos são resguardados por estarem inseridos em áreas envoltórias de imóveis tombados.
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Na prática, isso significa que as ruas com esse tipo de calçamento integram o conjunto protegido por contribuírem diretamente para a ambiência, a leitura histórica e o contexto paisagístico dos bens culturais. A proteção ocorre por meio das resoluções de tombamento, que estabelecem diretrizes específicas para preservar não apenas as edificações, mas também o entorno.
Um dos exemplos recentes é a Resolução de Tombamento nº SC 02/2024, que inclui, além dos três pavilhões do Armazém Roberto, o trecho em paralelepípedo da Rua Aguiar de Andrade, entre a Rua Amador Bueno e a Avenida João Pessoa. A medida tem como objetivo manter a ambiência da paisagem industrial característica do local.
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Situação semelhante ocorre no entorno da Igreja Anglicana de Todos os Santos, no bairro do José Menino. A área envoltória definida em resolução inclui o leito carroçável em paralelepípedo, considerado elemento fundamental para garantir a visibilidade, o destaque e a preservação da ambiência do bem tombado. O conjunto protegido abrange ainda o canal de drenagem da Avenida Barão de Penedo e suas calçadas arborizadas.
No mesmo bairro, o entorno da Estação Elevatória de Esgoto também conta com proteção. A Resolução SC nº 03/2004, que trata do sistema sanitário projetado pelo engenheiro Saturnino de Brito, inclui o calçamento em paralelepípedo como parte da área envoltória, junto aos canais e demais elementos urbanos relevantes.
No Centro Histórico, especialmente na área da APC 1, a lógica se repete. As ruas em paralelepípedo não são tombadas individualmente, mas estão inseridas em áreas envoltórias de bens protegidos nas esferas municipal, estadual e federal.
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Nesse contexto, o pavimento contribui para a manutenção de uma ambiência histórica singular, fundamental para a identidade cultural da região. Confira algumas imagens na galeria abaixo.
Entre os imóveis cujas áreas envoltórias abrangem esse tipo de pavimentação estão importantes marcos da cidade, como a Casa de Câmara e Cadeia, a Casa da Frontaria Azulejada, a Casa do Trem Bélico, a Igreja da Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo, a Igreja e Mosteiro de São Bento, o Teatro Coliseu, a Bolsa Oficial de Café e o Sítio Remanescente do Outeiro de Santa Catarina.
Além deles, estão o Edifício do Largo Marquês de Monte Alegre (Museu Pelé / Casarão do Valongo), o Teatro Guarany, a Igreja de Santo Antônio do Valongo, a Igreja da Ordem Primeira do Carmo, o Panteão dos Andradas, a antiga Estação Ferroviária do Valongo (São Paulo Railway), o antigo COMIND e o passeio fronteiriço em tesselas.
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A preservação dos paralelepípedos, portanto, vai além do aspecto estético e integra uma estratégia mais ampla de proteção do patrimônio, garantindo que o passado da cidade permaneça visível e integrado ao espaço urbano atual.