Santos
Trecho ganha barreira "invisível" feita com 166 estacas de contenção escondidas sob o novo calçadão de Santos para resistir a ondas de quase 4 metros
O projeto de reconstrução priorizou a área entre as vias Osvaldo Cochrane e Almirante Cochrane / Divulgação/PMS
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A Prefeitura de Santos finalizou, nesta terça-feira (14), as obras de recuperação do calçadão da orla nas praias do Embaré e Aparecida. O trecho, localizado na Avenida Bartolomeu de Gusmão entre os números 48 e 85, havia sido severamente danificado por fenômenos climáticos extremos no segundo semestre do ano passado.
Com a conclusão dos trabalhos, a Secretaria de Infraestrutura e Serviços Públicos (Seinfra) confirmou que a remoção do canteiro de obras e a liberação total dos jardins e vias de acesso à areia devem ocorrer até o próximo final de semana.
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O projeto de reconstrução priorizou a área entre as vias Osvaldo Cochrane e Almirante Cochrane, nas imediações do canal 5, visando restabelecer rapidamente a segurança e a acessibilidade de pedestres e ciclistas.
Segundo o secretário da Seinfra, Wagner Ramos, a concentração de esforços nesse ponto permitiu que os serviços de limpeza urbana e a rotina de manutenção da orla voltassem ao normal o quanto antes.
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A necessidade da intervenção surgiu após uma tarde de caos em 29 de julho de 2025. Na ocasião, uma frente fria intensa gerou ondas que superaram os 3,5 metros de altura, impulsionadas por ventos fortes e uma maré 50 centímetros acima do padrão.
De acordo com dados do Núcleo de Pesquisas Hidrodinâmicas da Unisanta (NPH-Unisanta), a força do mar foi tamanha que o pico atingiu 3,98 metros no final daquela tarde.
As águas invadiram a Avenida Rei Pelé e a Bartolomeu de Gusmão, abrindo crateras no calçadão, rompendo o pavimento e destruindo muretas e bancos.
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O impacto foi além da infraestrutura urbana: as operações do Porto de Santos foram interrompidas por segurança e as travessias de balsas acabaram suspensas temporariamente.
O cenário de vulnerabilidade deixado pelo mar exigiu uma resposta rápida para evitar que novas ressacas agravassem os danos estruturais.
Diante da gravidade dos danos apontada por relatórios da Defesa Civil, a prefeitura autorizou o início da reconstrução em outubro de 2025, com a contratação da empreiteira Sabino em regime emergencial.
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O investimento de R$ 2.600.072,49, oriundo do orçamento municipal, não focou apenas em refazer o que foi perdido, mas em aumentar a resistência do passeio contra a força das marés.
Para garantir a durabilidade e reduzir o impacto de futuros avanços do mar, o projeto envolveu o reforço estrutural em cerca de 600 metros de extensão.
Foram fincadas 166 estacas pré-moldadas, posicionadas a cada três metros e a uma profundidade de 1,50 metro, criando uma contenção lateral invisível sob o passeio.
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Além da parte estrutural, a obra contemplou a retirada e o reassentamento manual das pedras de granito e mosaicos, garantindo a manutenção da estética tradicional da orla santista.
Os trabalhos também incluíram a recomposição das muretas dos canais e a recuperação de oito postes dos jardins equipados com lâmpadas LED.
No sistema elétrico, foram instaladas caixas de passagem em concreto e repostos cabos para restabelecer a iluminação nas cinco torres da faixa de areia.
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O paisagismo não ficou de fora, com o replantio de grama em parte do jardim e a reforma de quatro bancos de concreto.
Essas ações buscam mitigar os impactos das mudanças climáticas, que têm tornado as ressacas no litoral paulista cada vez mais frequentes e agressivas.