Rogério Santos reforça que cabe à atual administração plantar as sementes para os próximos 50 anos / Renan Lousada/DL
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A cidade de Santos é marcada pela história e pelo tradicionalismo de seus moradores, mas que, ao completar 480 anos, mantém o olhar firme no futuro. Referência em cultura, gastronomia e lazer, a cidade preserva sua identidade entre paineiras floridas e flamboiãs fluorescentes, ruas com paralelepípedos batizadas com nomes de personagens históricos, mostrando que a Santos de tantas tradições não se perde em meio ao mundo moderno, apenas se reinventa.
Para o prefeito Rogério Santos, administrar uma cidade com quase cinco séculos de existência significa encontrar um equilíbrio constante entre preservar tantas histórias e promover mudanças capazes de responder aos desafios do mundo atual.
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Em entrevista exclusiva ao Jornal Diário do Litoral, o chefe do Executivo santista falou sobre temas que vão da mobilidade urbana às mudanças climáticas, destacando que as decisões tomadas agora representam a base do que a cidade será ao chegar aos 500 anos.
O crescimento econômico de Santos está diretamente ligado à capacidade de se renovar como cidade turística e logística. Segundo o prefeito, essa “Santos do futuro” já começa a se desenhar na região do Valongo.
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O projeto de transferência do terminal de passageiros de cruzeiros para o Centro, integrado ao Parque Valongo, é visto como um passo fundamental para revitalizar o Centro Histórico e impulsionar o turismo de forma inédita.
Mas crescer exige melhorar o deslocamento. Rogério Santos afirma que a ligação entre Santos e Guarujá será decisiva para integrar ainda mais a Baixada Santista. “Uma região mais conectada melhora a economia e também a vida das pessoas”, diz.
O Túnel Santos-Guarujá, aguardado há mais de 100 anos, será um marco de infraestrutura para São Paulo e também um avanço para a saúde pública da região, ao reduzir o tempo de deslocamento.
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Com 1,5 quilômetro de extensão, sendo 870 metros submersos sob o canal do Porto, a obra permitirá a travessia entre as duas cidades em até cinco minutos, contra mais de uma hora atualmente.
Além disso, outro ponto abordado pelo prefeito foi a ampliação do Sistema Anchieta-Imigrantes, com a construção de uma terceira e até uma possível quarta pista da Rodovia dos Imigrantes, para evitar gargalos em um fluxo de veículos que já bate recordes.O projeto prevê a construção de uma nova pista no trecho de serra, com 21,5 quilômetros de extensão.
A maior parte do trajeto será formada por túneis, que somam cerca de 17 quilômetros, o equivalente a 80% do total, além de aproximadamente 4 quilômetros de viadutos.
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Um dos túneis terá cerca de 6 quilômetros de extensão, o que o tornará o maior do país nesse modelo. A nova pista contará com duas faixas de rolamento e um acostamento que poderá ser utilizado como faixa adicional de tráfego.
Outro aspecto da gestão é a união entre planejamento urbano e meio ambiente. Pela sua localização em uma ilha e pela proximidade com a Serra do Mar, Santos está entre as cidades brasileiras mais expostas aos efeitos das mudanças climáticas.
Por isso, a Prefeitura decidiu unificar as áreas de Urbanismo e Meio Ambiente, como estratégia para lidar com problemas como o avanço do mar e as chuvas intensas.
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“Já investimos mais de R$ 150 milhões em obras de contenção nos morros. Isso não é só engenharia, é proteção para as famílias”, explica o prefeito.
O monitoramento em áreas de risco também foi ampliado, com a instalação de sirenes em locais como a Vila Progresso. Na Zona Noroeste, o foco é reduzir alagamentos por meio de estações elevatórias, enquanto na orla o principal desafio é combater a erosão.
Rogério Santos cita ainda a parceria com a Autoridade Portuária para reduzir os impactos da dragagem do porto na Ponta da Praia, usando soluções tecnológicas de proteção urbana.
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No campo social, o projeto considerado mais ousado é o Parque Palafitas, na Vila Gilda, área que abriga uma das maiores comunidades sobre palafitas do Brasil.
A proposta é eliminar esse modelo de moradia até o aniversário de 500 anos da cidade, garantindo mais dignidade e qualidade de vida às famílias.
“O Parque Palafitas é um projeto inovador no país. A ideia é transformar aquela área em um bairro estruturado e digno”, afirma o prefeito.
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A iniciativa faz parte de um amplo programa habitacional, que prevê a entrega e execução de cerca de 4 mil moradias até o fim do mandato, em 2028.
Somente no último ano, em parceria com os governos estadual e federal, mais de mil unidades foram viabilizadas, com foco na redução das desigualdades e no direito à moradia adequada.
Vivendo um ciclo intenso de desenvolvimento, Santos avança em grandes transformações sem abrir mão de sua identidade histórica. Com o olhar voltado para a celebração dos 500 anos, daqui a duas décadas, a Cidade se prepara para receber um conjunto de obras estruturantes que promete redesenhar seu futuro.
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Os projetos, que envolvem investimentos públicos e privados, abrangem praticamente todas as áreas, como infraestrutura, saúde, educação e habitação. Somados, apenas os 68 principais empreendimentos representam um aporte estimado em R$ 18,490 bilhões para a modernização do Município.
Um dos focos é a redução de alagamentos. Para enfrentar os impactos das chuvas intensas e da maré alta, a Cidade prevê investir quase R$ 500 milhões na construção de cinco estações elevatórias. As intervenções devem beneficiar diretamente bairros como Saboó, Chico de Paula, Rádio Clube e Santa Maria, além de melhorar as condições de acesso à entrada do Município.
A mobilidade urbana também está no pacote de investimentos. As avenidas da orla, Ana Costa e Bernardino de Campos (Canal 2) receberão novo asfalto, em obras que somam R$ 202 milhões, garantindo melhores condições de tráfego tanto para moradores quanto para turistas.
A agenda de inaugurações para 2026 inclui equipamentos considerados estratégicos. Entre eles estão escolas municipais importantes, como a UME Edson Arantes do Nascimento e a UME Irmã Dolores, além do novo Hospital Veterinário e de intervenções essenciais na área de drenagem.
Na Saúde, o maior destaque é o hospital pediátrico do Complexo da Areia Branca, um projeto integrado que também prevê uma unidade de Ensino Fundamental e estruturas esportivas, com investimento total de R$ 85 milhões. Paralelamente, seguem em andamento as obras da Policlínica Vila Progresso, com aporte de R$ 5,6 milhões, e do Centro de Especialidades Odontológicas da Zona Noroeste, orçado em R$ 1,7 milhão.
A Educação concentra outro volume expressivo de recursos. Diversas obras já estão em execução e outras em fase de projeto, com destaque para a futura Etec/Fatec da Zona Noroeste, que contará com investimento de R$ 40 milhões.
Entre as novas unidades municipais, os maiores aportes são destinados à UME Edson Arantes do Nascimento, no Gonzaga (R$ 40 milhões), à UME Flávio Cipriano, no São Manoel (R$ 20 milhões), e à UME Hilda Rabaça, na Vila Haddad, com custo estimado de R$ 8,5 milhões.
No setor habitacional, os investimentos superam R$ 300 milhões e devem viabilizar a entrega de moradias para centenas de famílias. Há empreendimentos previstos em bairros como Jabaquara, Paquetá, Centro, Areia Branca, Encruzilhada, Estuário e Vila Mathias, entre outros.
A frota de ônibus, que já está entre as mais novas do país, continuará sendo renovada com veículos elétricos, sem impacto no valor da passagem, mantida em R$ 5,25.
Ao final, Rogério Santos reforça que cabe à atual administração plantar as sementes para os próximos 50 anos. “A prefeitura faz a parte dela, mas a cidade não se constrói sozinha. Respeitar as leis, cuidar do lixo e conviver bem são atitudes que fazem Santos ser melhor. Precisamos construir juntos a cidade que queremos para os próximos 500 anos.”