Santos

Raio-X da Educação: Audrey Kleys detalha avanços, desafios e futuro após troca de partido

Vice-prefeita de Santos destaca avanço em matemática, 100% das escolas climatizadas e evita cravar futuro político após mudança de partido

Luana Fernandes Domingos

Publicado em 02/04/2026 às 16:30

Atualizado em 02/04/2026 às 16:41

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Vice-prefeita Audrey Kleys fala sobre os avanços da Educação em Santos / Júlia Macêdo/DL

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Os números aparecem cedo na conversa, mas não ficam na superfície. Ao detalhar os indicadores mais recentes da Educação de Santos, a vice-prefeita e secretária da pasta Audrey Kleys descreve uma rede que avançou em Matemática nos anos iniciais, especialmente no 2º e 5º anos, e conseguiu manter estabilidade em Língua Portuguesa mesmo diante de mudanças na metodologia de avaliação do Estado.

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Mais do que os resultados em si, ela insiste no método: análise individualizada, intervenções direcionadas e metas bem definidas — com a alfabetização até o 3º ano tratada como eixo central e “inegociável”.

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A entrevista - exclusiva ao Diário - percorre ainda os bastidores desse desempenho, com destaque para o diagnóstico detalhado feito ao assumir a pasta em 2025, a reorganização pedagógica por meio de programas estruturantes, o investimento na formação de professores e a resolução de gargalos históricos de infraestrutura — incluindo a meta, já alcançada, de climatizar todas as escolas municipais.

Ao mesmo tempo, ao ser questionada sobre política, Audrey adota um tom mais comedido: confirma alinhamento com seu novo partido, o PSD, mas evita antecipar movimentos eleitorais, reforçando que o foco, agora, está na entrega de resultados.

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A vice-prefeita confirmou a troca de sigla em evento na última semana ao lado do ex-prefeito Paulo Alexandre Barbosa. Ambos migraram para o partido de Kassab.

Para a secretária de Educação, alfabetização na idade certa continua sendo a principal prioridade em SantosPara a secretária de Educação, alfabetização na idade certa continua sendo a principal prioridade em Santos (Júlia Macêdo/DL)

Diário do Litoral: Como você avalia os indicadores mais recentes da Educação de Santos?

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Audrey Kleys - Os dados mais recentes mostram avanços importantes, principalmente em Matemática, que era uma área que nos preocupava bastante. Tivemos uma evolução significativa nos anos iniciais, especialmente no 2º e no 5º ano, que são etapas avaliadas pelo sistema estadual. Isso demonstra que o trabalho pedagógico está surtindo efeito, porque não é algo pontual, é resultado de um processo contínuo.

Em Língua Portuguesa, houve uma mudança metodológica na avaliação aplicada pelo Estado, e isso impactou os resultados de forma geral, não só em Santos. Mesmo assim, conseguimos manter a média, o que, diante dessa mudança, é um indicativo de estabilidade.

Mas mais do que olhar o número final, o nosso trabalho hoje é muito focado na análise detalhada. A gente não trabalha mais com média geral. Nós analisamos escola por escola, turma por turma e, em muitos casos, aluno por aluno. Isso permite uma intervenção muito mais assertiva.

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O PEA, que é o nosso Projeto Estratégico de Ação, tem exatamente esse papel: identificar fragilidades específicas e atuar diretamente nelas. E tudo isso converge para uma meta que, para nós, é central: garantir que todas as crianças estejam alfabetizadas na idade certa, até o final do 3º ano. Esse é um compromisso que orienta toda a política educacional do município.

DL: O que sustentou esses avanços na prática?

Audrey Kleys - Quando assumi a Secretaria, em 2025, a primeira medida foi fazer um diagnóstico muito aprofundado da rede. Não dava para propor política pública sem entender exatamente onde estavam os gargalos. Foi um verdadeiro raio-X, olhando infraestrutura, aprendizagem, formação docente, fluxo escolar.

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A partir desse diagnóstico, estruturamos ações específicas. Não existe mais uma política única para toda a rede. Cada escola passou a ter um plano mais ajustado à sua realidade.

Investimos fortemente na formação continuada dos professores, inclusive com parcerias qualificadas, como o Instituto Lemann, que nos ajudou a estruturar práticas pedagógicas mais eficazes.

Criamos o PIPA, que organiza as diretrizes pedagógicas da rede inteira, desde a educação infantil até a Educação de Jovens e Adultos, sempre alinhado à BNCC. Isso garante uma linha de continuidade no processo de aprendizagem.

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Também avançamos na valorização profissional. Fizemos reestruturações salariais importantes, porque não existe qualidade na educação sem valorização de quem está em sala de aula.

Na infraestrutura, enfrentamos um problema histórico de manutenção. Com a criação da ata de manutenção, conseguimos dar mais agilidade às demandas das escolas, evitando que pequenos problemas se tornem grandes.

E havia um compromisso que era simbólico e estrutural ao mesmo tempo: climatizar todas as escolas. Hoje, podemos afirmar que 100% das unidades da rede municipal estão climatizadas, o que impacta diretamente no ambiente de aprendizagem.

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DL: Ainda há déficit de vagas na rede municipal?

Audrey Kleys - Não há falta de vagas em Santos. O que às vezes gera essa percepção é a chamada ‘lista de intenção’, quando a família deseja uma unidade específica, geralmente mais próxima de casa ou por alguma preferência.

Mas o município garante vaga para todas as crianças em todas as modalidades. Quando a vaga não é exatamente na unidade desejada, nós oferecemos alternativas e, se necessário, até transporte escolar para garantir o acesso.

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Então, do ponto de vista estrutural, a rede está organizada para atender a demanda. O nosso desafio hoje não é quantidade, é qualidade — garantir que essa vaga represente, de fato, uma aprendizagem consistente.

DL: Quais são as prioridades daqui para frente?

Audrey Kleys - A alfabetização na idade certa continua sendo a principal prioridade. Isso não é apenas uma meta pedagógica, é uma diretriz que impacta toda a trajetória escolar da criança.

Para que isso aconteça, precisamos garantir um conjunto de condições: material didático entregue no início do ano letivo, professores preparados, acompanhamento pedagógico constante, ambiente adequado.

Conseguimos, por exemplo, organizar a logística para que uniformes e materiais escolares sejam entregues já na primeira semana de aula. Isso parece simples, mas faz muita diferença no cotidiano das famílias.

Também estamos avançando na educação especial, que é uma área que exige um olhar muito cuidadoso e onde ainda temos desafios importantes.

Além disso, temos políticas estruturantes que dialogam com o futuro da cidade, como o Parque Tecnológico, o programa Santos Jovem Doutor e parcerias com instituições como o Instituto Federal. A educação não pode estar desconectada do desenvolvimento da cidade.

Entre as entregas deste ano, destaca-se a Unidade Municipal de Educação (UME) Edson Arantes do Nascimento. Localizada no coração do Gonzaga (Avenida Ana Costa, 392), a escola de ensino fundamental homenageia o "Atleta do Século" e foca na formação de crianças e jovens, causa defendida por Pelé ao longo de sua vida.

Sobre seu futuro político, Audrey Kleys afirmou que a sua prioridade é entregar resultados no cargo que ocupaSobre seu futuro político, Audrey Kleys afirmou que a sua prioridade é entregar resultados no cargo que ocupa (Júlia Macêdo/DL)

DL: Como a gestão atua no enfrentamento à violência contra a mulher?

Audrey Kleys - Santos tem uma rede bastante estruturada. A gente trabalha em várias frentes, porque esse é um problema complexo, que não se resolve com uma única política.

Um exemplo é o programa Respeitar, que atua na reeducação de agressores, principalmente em casos iniciais, para evitar a reincidência e interromper o ciclo da violência.

Também temos a Patrulha Maria da Penha, a Casa da Mulher, um abrigo sigiloso para casos mais graves e uma integração muito forte entre Polícia Militar e Polícia Civil.

Com a implantação de um sistema integrado, a ocorrência registrada pela Polícia Militar já entra automaticamente no sistema da Polícia Civil. Isso evita subnotificação e permite um acompanhamento mais eficiente dos casos.

O objetivo final é garantir que essa mulher tenha proteção, mas também condições de reconstruir sua autonomia.

DL: Como foi a transição do jornalismo para a política?

Audrey Kleys - Eu não vejo como uma ruptura. Para mim, foi uma continuidade. O jornalismo sempre foi um espaço de inquietação, de questionamento, de busca por respostas. E eu continuo fazendo isso, só que agora com instrumentos diferentes.

Hoje, eu tenho a possibilidade de transformar essas inquietações em políticas públicas, em ações concretas. Isso muda a escala do impacto.

Durante a pandemia, escrevi um livro que traz um pouco dessa trajetória, das histórias que acompanhei e de como esse olhar para a cidade foi sendo construído. A política surgiu muito desse lugar, de querer ir além da narrativa e atuar na solução.

DL: O que motivou sua ida para o PSD?

Audrey Kleys - Foi uma decisão muito baseada em propósito e alinhamento. Recebi o convite do Kassab, que é uma liderança importante, e também do deputado Paulo Alexandre Barbosa, com quem já tenho uma relação de trabalho e confiança.

Não foi uma decisão impulsiva. Foi uma construção, entendendo onde eu poderia contribuir melhor e onde havia mais convergência com o projeto que eu acredito.

DL: Há planos eleitorais para os próximos anos?

Audrey Kleys - A política é sempre dinâmica, e a gente sabe que os cenários mudam. Mas, neste momento, o meu foco é muito claro: cumprir o compromisso que assumi com a população como vice-prefeita e secretária de Educação. Entregar resultados concretos. Qualquer decisão sobre futuro passa, necessariamente, por isso. Pelo trabalho que está sendo feito agora.

DL: Que marca você quer deixar para população?

Audrey Kleys - Eu gostaria de ser lembrada como uma gestora que esteve presente, que não se omitiu diante dos problemas e que buscou soluções reais.

A educação transforma vidas, e tudo o que estamos fazendo tem esse objetivo. Se a gente conseguir garantir que essas crianças tenham um futuro melhor, já terá valido a pena.

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