Privatização do Porto de Santos ‘foi um certo devaneio’, diz ministro

Márcio França, afirmou nesta sexta-feira (5) que o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não dará sequência ao processo de privatização de autoridades portuárias brasileiras

Atualmente, Márcio França é Ministro dos Portos de Lula

Atualmente, Márcio França é Ministro dos Portos de Lula | Marcos Corrêa/PR

O ministro dos Portos e Aeroportos, Márcio França, afirmou nesta sexta-feira (5) que o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não dará sequência ao processo de privatização de autoridades portuárias brasileiras, iniciado na gestão Jair Bolsonaro (PL).

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Bolsonaro privatizou o Porto de Vitória e se preparava para licitar o Porto de Santos, mas foi derrotado nas urnas em outubro de 2022. Para França, a possibilidade de transferir à iniciativa privada a gestão do maior porto brasileiro “foi um certo devaneio”.

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“Está fora de cogitação”, afirmou, ao ser questionado sobre o processo durante visita ao Porto do Rio. “O assunto da privatização de autoridades portuárias só foi feito em dois pequenos países e deu muito errado”, completou.

Ele alega que os portos têm importância estratégica no comércio exterior dos países e, por isso, devem ser geridos pelo Estado, para evitar o risco de boicotes em caso de disputas comerciais com empresas do país do operador privado.

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Citou como exemplo as exportações de laranja por São Paulo. “Aí ganha uma empresa pública de um país, por exemplo, a China, que hoje é nosso concorrente, e fala que não quer mais laranja no Porto de Santos. Vou fazer o que com aquele pé de laranja lá no interior?”

França disse que a obra do túnel entre Santos e Guarujá, uma das contrapartidas que seriam incluídas no edital de privatização elaborado por Bolsonaro, será feita com recursos do próprio porto. O edital para as obras, afirmou, será lançado até o fim do ano.

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A privatização de Santos era um dos principais projetos do governador de São Paulo, Tarcísio Gomes Freitas, quando comandava o Ministério da Infraestrutura de Bolsonaro. Em entrevista à revista Veja no fim de abril, Tarcísio demonstrou otimismo sobre a continuidade do processo.

França lembrou que o Porto de Vitória, o único privatizado por Bolsonaro, multiplicou por 18 o valor cobrado por navio que opera no local -de R$ 1.100 para R$ 18,7 mil- gerando queixas de clientes como a mineradora Vale.

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Durante a visita desta sexta, o ministro disse que quer replicar o modelo do Porto do Rio em outras cidades brasileiras, com a transformação de parte da estrutura em equipamentos de uso público, como centros culturais ou restaurantes.

No centro do Rio, galpões abandonados foram transformados em áreas para eventos culturais e corporativos, além de bares e restaurantes. “Dá para fazer muito mais coisas além de um terminal de passageiros”, comentou.