Prefeitos pedem ajuda a governador e presidente para que comerciantes não quebrem

Chefes das prefeituras afirmam que se estabelecimentos comerciais abrirem falência, as cidades quebrarão junto

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26 MAR 2020Por LG Rodrigues11h59
Barbosa afirmou que todos os prefeitos foram unânimes em manter a quarentena na Baixada SantistaFoto: Nair Bueno / Diário do Litoral

Os prefeitos das nove cidades da Baixada Santista enviarão um pedido de ajuda aos Governos Estadual e Federal para criar e enviar algum tipo de apoio financeiro aos micro e pequeno empresários da Região para que os estabelecimentos comerciais não quebrem. De acordo com o prefeito de Santos, Paulo Alexandre Barbosa, uma eventual falência de múltiplos comércios levará os municípios a falir também.

A declaração foi dada pelo chefe do Executivo santista no fim da manhã desta quinta-feira (26) após mais uma reunião realizada entre todos os prefeitos por meio de vídeo conferência. A coletiva convocada repercutiu o mais recente discurso do presidente Jair Bolsonaro, na qual ele afirmou que as medidas adotadas por Estados e municípios eram exageradas e pedia o retorno à ‘normalidade’ na rotina dos brasileiros e que contaria com a reabertura do comércio.

Barbosa afirmou que todos os prefeitos foram unânimes em manter a quarentena na Baixada Santista como já está sendo realizada há duas semanas e disse que enviou pedidos aos Governos Estadual e Federal para que providências sejam tomadas quanto aos estabelecimentos comerciais da Região que correm risco de ‘quebrar’.

“Os pequenos comerciantes e empreendedores serão os mais impactado e estamos avaliando o que pode ser feito, além de analisar o impacto que isso gerará no orçamento das prefeituras. Primeiro precisamos dimensionar o impacto e depois definir ações, mas precisamos de ajuda do Governo do Estado e Federal para ajudar porque eles têm mais categoria e poder para agir nesse sentido. Esperamos medidas assertivas nos próximos dias para ajudar estes comerciantes ou eles vão falir e se eles falirem o município vai junto. Precisamos de menos discursos e mais ação, menos polarização”, afirmou.

Além disso, o prefeito afirmou que os municípios da Baixada Santista enviaram um ofício pedindo suspensão, junto ao Governo Estadual e Federal, das dívidas dos municípios. Paulo Alexandre diz que se tratam de dívidas de tributos, negociatas, financiamentos junto a instituições financeiras como Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal.

“Nossos recursos precisam estar concentrados na saúde para termos condições de prover as mínimas estruturas para essas pessoas”, diz.

O chefe do Executivo também aproveitou a oportunidade para denunciar empresas que estão vendendo itens de saúde como máscaras, aventais e respiradores por preços extremamente elevados. Uma nota técnica, pelo Condesb e municípios, foi encaminhada para a  União e Estado solicitando repasse de insumos e produtos como máscaras, luvas, respiradores e demais equipamentos necessários para o enfrentamento da pandemia na região.

“Existem fornecedores que estão cobrando preços às vezes 5.000% mais altos do que o normal e isso é uma extorsão. É inadmissível”.

As prefeituras também estudam maneiras de manter a alimentação escolar por meio de envios de cestas básicas ou por outros caminhos às famílias dos estudantes que foram enviados para casa durante o começo da pandemia no Brasil, embora Paulo Alexandre afirme que cada município deverá agir de maneira individual e conforme suas estruturas e necessidades.

“Todos os municípios vão criar programas de alimentação para estas crianças. Nenhuma criança ficará sem alimentação, tudo isso para garantir que as crianças fiquem em casa e estamos encaminhando ao Estado ofício para que o Estado não suspenda repasses aos municípios. As aulas estão suspensas, mas as crianças precisam ser alimentadas”, explica.

A campanha de vacinação contra a gripe não deverá ser interrompida de forma contínua, mas o prefeito enviou um pedido de mais doses ao Ministério da Saúde.

“Temos atualmente cerca de 110 mil pessoas na faixa de idade de mais de 60 anos e funcionários da saúde e recebemos apenas 30 mil doses, ou seja, quase um terço do que é necessário e isso é um cenário vivido por todas as cidades. A campanha não será paralisada, alguns postos ainda possuem vacinas, mas queremos dar prosseguimento para imunizar todos os nossos moradores”, finaliza.