A Frente da Luta Antimanicomial Baixada Santista promove hoje, às 12 horas, na Praça Mauá, no Centro de Santos, uma ação para chamar a sociedade para diálogo e compreensão sobre o cuidado em saúde mental. O evento público chama-se “Alinhavando Mentes”. Os manifestantes levarão instrumentos musicais, arte e tinta, fantasias, lanche para compartilhar e muita liberdade.
Faça parte do grupo do Diário no WhatsApp e Telegram.
Mantenha-se bem informado.
“Teremos silkscreen em camiseta com a arte do 18 de Maio. Então, traga uma camisa sem estampa para fazermos a impressão na hora”, afirma um dos responsáveis pela Frente, que articula uma tarde de atividades com microfone aberto, material informativo, roda de conversa, piquenique e atividades culturais.
As bandeiras da Frente são pelo fim dos manicômios; da lógica manicomial; contra as formas de opressão e exclusão social; por cuidado em liberdade; em defesa do Sistema Único de Saúde (SUS) e por um SUS antimanicomial.
A Luta Antimanicomial vai se configurando a partir das discussões da Reforma Psiquiátrica, que ocorreram na década de 70 ao redor mundo. Na década de 80, ganha forças a partir da organização de trabalhadores da saúde mental, junto às pessoas usuárias de serviços/pacientes de cuidados em saúde mental e familiares.
Contudo, a discussão se estende a toda sociedade e diferentes movimentos e lutas populares, com bem aponta o Manifesto de Bauru (1987 – II Congresso Nacional de Trabalhadores em Saúde Mental).
Em 1989 acontece a Intervenção na “Casa de Saúde Anchieta” na cidade de Santos, também conhecida como “Casa dos Horrores” — um dos marcos da saúde mental de grande impacto para a cidade, fomentando a luta no cenário nacional.
Para conscientizar a população que transitar pelo Centro, a Frente vai distribuir um impresso com o seguinte título: “Louco não se prende e saúde não se vende. Quem está doente é o sistema social”.
Nele, o movimento explica que não há saúde sem saúde mental. Mas, na Baixada Santista, as promessas de acesso e cuidado em saúde mental comunitária são as mais esquecidas e desprivilegiadas.
Para os manifestantes, o manicômio não acabou no fechamento da Casa Anchieta, em Santos. Longe disso, ele sobrevive em cada falta de financiamento da saúde, avanço da terceirização, desproteção social. “Se o manicômio persiste, nossa tarefa é resistir”, alertam.
O Movimento Nacional da Luta Antimanicomial nasceu há mais de 30 anos, alinhado às lutas sociais, defesa dos Direitos Humanos e respeito à vida. O movimento cresceu e avançou para outras importantes bandeiras de luta, como a Reforma Psiquiátrica, a Redução de Danos, a Gestão Autônoma de Medicação (GAM).
“Em 2023, queremos juntar todas as bandeiras da saúde mental para animar a luta e mostrar nossa força, orgulho e protagonismo”, finaliza o manifesto.
Prefeitura participa da Luta
Seção de Recuperação Psicossocial (Serp) da Prefeitura de Santos venderá os artigos produzidos pelos seus usuários nas oficinas terapêuticas de encadernação, fuxico, crochê, costura, bordado e bijuteria hoje, na Praça Mauá, no Alinhavando Mentes.
A renda obtida com a venda dos artigos será totalmente revertida para a aquisição de materiais para a confecção de novas peças pelos usuários atendidos na unidade.
A Serp atende portadores de transtornos psíquicos e, por meio de oficinas de geração de renda, busca a melhoria da qualidade de vida, fortalecimento da autonomia e a inclusão social dos usuários. Usuários dos Centros de Atenção Psicossocial (Caps) e os pacientes também participarão do evento.
