Santos

Porto de Santos vai transformar antigo Armazém 7 em centro de tecnologia

O prédio histórico de 1899 terá uma reconstrução fiel ao projeto original alemão e funcionará como polo de educação e inovação

Giovanna Camiotto

Publicado em 20/01/2026 às 21:01

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As obras de revitalização do antigo Armazém 7 estão em fase avançadas / Divulgação/APS

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As obras de revitalização do antigo Armazém 7, localizado no cais do Porto de Santos, próximo ao prédio da Alfândega, estão em fase avançadas e prometem entregar a primeira etapa da reconstrução até abril deste ano. O espaço, que manteve as características arquitetônicas originais de 1899, será transformado em um polo tecnológico e educacional.

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Nos meses seguintes, será apresentado um plano de destinação para detalhar a finalidade do espaço, que deverá estar em pleno funcionamento até 2027. O armazém faz parte de um projeto de integração entre o porto e o Centro Histórico da cidade litorânea.

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Além deste espaço, também está em andamento a revitalização da Casa de Máquinas nº 2, considerado um dos ícones da história do Porto. Ambos equipamentos serão administrados pela Autoridade Portuária de Santos (APS) com pautas de interesse da comunidade portuária e ligadas à integração Porto-Cidade.

Segundo Marcus Teixeira, superintendente de TI da APS, a destinação dos edifícios incentivará o desenvolvimento regional. "Pretendemos criar um polo que integre ensino, pesquisa, difusão tecnológica e transformação digital com um olhar voltado ao desenvolvimento portuário", comentou ele.

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Patrimônio histórico

Diferente de outros locais, o Armazém 7 foi originalmente pré-fabricado com mais de mil metros quadrados na Alemanha e trazido de navio para o Brasil, onde foi montada no Porto de Santos. A reconstrução tenta respeitar essa memória e utiliza chapas metálicas na cor salmão para eliminar alterações feitas na década de 1940, como as paredes de alvenaria, de acordo com o arquiteto Gino Caldatto Barbosa.

À época, os armazéns do porto foram pintados de amarelo, e as casas de máquinas, também conhecidas como casas de pedra, perderam as chaminés. Essas características originais estarão presentes na revitalização.

Para preservar o estilo, está sendo realizado o processo de anastilose. As pedras, que haviam sido retiradas na desmontagem da estrutura, estão sendo recolocadas. Além disso, será feito um reforço de concreto para evitar riscos à edificação por conta da trepidação causada pelos trens que operam no Porto.

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No caso do armazém, o telhado em formato de V e as estruturas metálicas das paredes já estão prontos. Faltam apenas revestimento, pintura, parte elétrica e outros acabamentos que serão realizados até abril de 2026. 

Já a estrutura da Casa de Máquinas nº 2 tem reconstrução mais lenta por ser mais complexa. O espaço remonta ao passado colonial do Brasil e é conhecida como alvenaria de pedra, com paredes de 60 cm de espessura.

"Propusemos recuperar o seu estado original. Vamos refazer a chaminé e as esquadrias de madeira. E as pedras foram numeradas e estão sendo reposicionados", detalhou Gino. A chaminé terá 26 metros de altura a partir do chão. A obra de revitalização na Casa de Máquinas deve ficar pronta em 2027.

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Compromisso da APS

A reconstrução faz parte de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) assinado em 2023 pela APS, o Ministério Público e o Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Santos (Condepasa). O acordo previu intervenções em várias edificações do cais no âmbito da revitalização do Centro de Santos. 

O TAC determinou que o Armazém 7 e a Casa de Máquinas nº 2, que gerava vapor para operar guindastes no século 19 e no início do século 20, seriam realocados em direção à área do antigo Armazém 6 para permitir a ampliação das linhas férreas utilizadas pela empresa Cofco. Como contrapartida, a Cofco está custeando a reconstrução das edificações, e a obra é realizada pela Pro Ativa Arquitetura.

O presidente em substituição da APS, Beto Mendes, diz que a obra reflete o compromisso da Autoridade Portuária com a preservação da memória e do patrimônio histórico do Porto de Santos. "Esta é mais uma ação com impacto na revitalização da área portuária e do Centro Histórico, com benefícios para a relação Porto-Cidade e para a população da Baixada Santista", avaliou ele.

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Parque Valongo

O Armazém 7 é mais um na região central de Santos a passar por intervenções voltadas à revitalização da área. As ruínas dos armazéns 4, 5 e 6 deram lugar ao novo Parque Valongo, que conta com um moderno espaço coberto e climatizado, cercado por jardins, quadra de beach tennis, playground, píer de contemplação e plataforma flutuante para embarcações.

Localizado no berço do Porto de Santos, onde há 400 anos surgiram os primeiros atracadouros, o projeto ambiental e de lazer um símbolo de renascimento. O Valongo integra-se à ampla revitalização do Centro Histórico, que incluiu a Rua Tuiuti (com fonte interativa, lâmina d'água e paisagismo) e a Praça Barão do Rio Branco.

Vale mencionar que, em 26 de junho de 2025, foi inaugurada ainda a Passarela Porto-Cidade Engenheiro José Colla com uma estrutura acessível de 228 metros. A terceira fase do Valongo foi iniciada em agosto com a revitalização do Armazém 3. 

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A obra, executada pela Carnevali Engenharia, é viabilizada por uma parceria entre a APS e a Prefeitura de Santos. As melhorias, custeadas pela Brasil Terminal Portuário (BTP), decorrentes de um Termo de Responsabilidade de Implantação de Medidas Mitigadoras e/ou Compensatórias (Trimmc), devem ser concluídas neste ano.

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