Santos
O maior complexo portuário da América Latina já atingiu 186,4 milhões de toneladas movimentadas, e agora faz planos grandiosos para o futuro
O Porto de Santos é responsável por 29,6% de todas as transações comerciais do Brasil com o exterior / Divulgação/Porto de Santos
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O Porto de Santos completa 134 anos de operações oficiais nesta segunda-feira (2) e se consolida como o principal equipamento logístico do Brasil. A celebração ocorre em um momento de celebração interna devido ao registro do maior movimento de cargas da história no ano de 2025, período que o complexo atingiu a marca de 186,4 milhões de toneladas, um crescimento de 3,6% sobre o recorde estabelecido em 2024 (179,8 milhões).Mesmo diante de um cenário internacional desafiador no último semestre, no qual o Brasil enfrentou um "tarifaço" imposto pelos Estados Unidos, o setor de contêineres registrou alta de 16% no ano, totalizando 5,9 milhões de TEU (unidade equivalente a um contêiner de 20 pés), cerca de 7,7% frente à 2024. Os números superlativos reforçam o papel estratégico da Baixada Santista no comércio global.
Segundo a Autoridade Portuária de Santos (APS), a soja liderou as exportações com quase 44,9 milhões (+18,9%) de toneladas, seguido pela celulose com 9,9 milhões (+21,5%) de toneladas, porém obteve um recuo em cargas como açúcar (-10,8%) e milho (-4,6%). Apesar da oscilação, esses recordes sucessivos exigem que a gestão antecipe as necessidades da próxima fase portuária.
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"Este novo registro de recorde no Porto de Santos apenas confirma a necessidade de olhar o futuro; por isso a APS está trabalhando na ampliação da Poligonal, no aprofundamento do canal de navegação, no arrendamento do Tecon 10, nas perimetrais e no túnel Santos-Guarujá", afirmou o presidente da APS, Anderson Pomini.
O plano de expansão inclui o leilão do Tecon 10, que será o maior terminal de contêineres da história portuária do país, com potencial para expandir a capacidade de movimentação em até 50%. Além das obras de infraestrutura, como o aprofundamento do canal e a recuperação de pontilhões, a tecnologia terá papel central na modernização.
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Em setembro, o porto ainda se preparava para implementar o "Gêmeo Digital", uma ferramenta de automação e simulação climática, além da chegada da rede 5G para otimizar a comunicação com as embarcações.
Além da eficiência logística, a atual gestão busca estreitar os laços com os moradores da região. "O porto nunca esteve tão de portas abertas como está agora", ressaltou Pomini, enfatizando que o planejamento visionário estuda o cenário portuário cerca de "20 anos para frente para suportar o aumento de cargas".
Outro ponto de valorização do Porto de Santos será a chegada da Terceira Pista da Imigrantes, que contará com duas faixas por sentido e acostamentos adaptáveis e deve ampliar em 25% a capacidade total do Sistema Anchieta-Imigrantes (SAI). O projeto prevê 21,5 km no trecho de serra, sendo 17 km em túneis e quatro viadutos, que somam 1,2 km de extensão no total. As obras estão previstas para o segundo semestre de 2026.
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A estrutura foi pensada para amenizar o fluxo exponencial de automóveis e caminhões para a Baixada Santista. Acredita-se que a obra poderá ampliar a descida de veículos pesados para quase 30 mil por dia. Hoje, os números giram em torno de 12 mil caminhões.
Com investimentos bilionários previstos e uma operação que supera as próprias metas mês a mês, o Porto de Santos chega aos 134 anos reafirmando sua posição de liderança absoluta na América Latina.