Ponto dos carretos: tradição segue no Canal 6

O negócio, que passa de pai para filho, começou quando a atual Praça Dr Maurício Fang ainda era um terreno

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02 DEZ 2019Por Vanessa Pimentel08h52
Cada caminhão conta com um motorista, geralmente o proprietário do veículo, e dois ou mais ajudantesFoto: NAIR BUENO/DIÁRIO DO LITORAL

Há cerca de 60 anos no mesmo local, o 'Ponto dos Carretos' já virou tradição do Canal 6, em Santos. O negócio, que passa de pai para filho, começou quando a atual Praça Dr Maurício Fang ainda era um terreno loteado com pequenas casas, ruas de terra e mato.

Mesmo com as transformações que a cidade passou, o ponto dos carretos se manteve, ao contrário de outros que existiam no passado, mas não resistiram à oferta de grandes empresas do ramo.

Osvaldo Delgado, o Vado, tem 56 anos e trabalha com mudança desde que era criança. Ele conta que antigamente tinha outros pontos que ofereciam o mesmo serviço, tanto que o do canal 6 era o número 29. Com o encerramento das atividades, a praça se tornou o nº 1.

"Ainda tem um ponto de carreto no canal 5 e um no canal 2, mas são pontos com menos veículos que este", diz ele.

O ponto do Canal 6 tem 12 caminhões, de diversos tamanhos, desde os menores e abertos até caminhões baú. Eles ficam lá todos os dias, à disposição de quem precisar dos serviços.

"Tem gente que chega pra fechar o transporte de uma geladeira ou um móvel. Outros, uma mudança de casa de dois quartos. O cliente escolhe o caminhão e acerta o valor. Já fiz mudança até para outro Estado", explica Vado.

Foi através da profissão que ele conheceu Porto Alegre, Curitiba, Minas Gerais e Amapá. Quando era criança, trabalhava como ajudante no caminhão dos primos. Com o tempo, comprou seu próprio veículo e desde então assumiu o compromisso de transportar com segurança e cuidado os bens de quem lhe confia a tarefa de realizar a mudança de endereço.

AJUDANTES.

Cada caminhão conta com um motorista, geralmente o proprietário, e dois ou mais ajudantes, de acordo com o tamanho da mudança.

Os valores variam dependendo da quantidade de itens, local e montagem ou não de móveis.

Para evitar dor de cabeça, os auxiliares são pessoas da família, ou indicação.

"Muita gente vem pedir emprego, mas infelizmente não podemos confiar em todo mundo, então contamos com familiares ou quem já trabalhou aqui antes", explica Vado.

Os carretos também oferecem as caixas para a cliente guardar a mudança e o pagamento pode ser parcelado no cartão de crédito.

Por ser um negócio tradicional, o motorista mais novo na área está lá há cinco anos. Todos os outros somam mais de dez.

Os caminhões são autorizados a estacionar no local demarcado por placa de sinalização, com alvará da prefeitura e vistoria feita pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET).