PL quer deixar claro para santista que tarifa de ônibus aos domingos custa 'meia'

Apesar do decreto ter seis anos, pessoas entrevistadas pelo DL relataram desconhecê-lo e dizem até que já podem ter obtido o desconto sem notar

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26 OUT 2020Por LG Rodrigues09h55
O benefício, entretanto, pode não alcançar a todos, uma vez que passageiros que paguem a tarifa com dinheiro, ainda arcarão com o ‘valor cheio’ da passagemFoto: NAIR BUENO/DIÁRIO DO LITORAL

Você sabia que os ônibus circulares de Santos cobram uma passagem mais barata aos domingos? Caso sua resposta seja afirmativa, então receba nossas congratulações por estar bem informado, mas se você não souber disso, fique calmo, você não está sozinho e um projeto de lei que tramita na Câmara dos Vereadores está tentando mudar esse cenário.

O texto em questão, que está registrado sob número do PL 10/2019, é de autoria da vereadora Audrey Kleys e prevê, em sua redação, dispor sobre ‘a obrigatoriedade de fixação de cartaz informando aos passageiros do transporte público sobre a concessão do desconto de 50% (cinquenta por cento) no valor da tarifa aos domingos, em todos os ônibus das linhas municipais do transporte coletivo convencional de Santos’.

Apesar disso, entretanto, muitas pessoas desconhecem se quer que esta é um dos benefícios que estão disponíveis para a população durante um dos dias do fim de semana.

“Eu sabia que havia um desconto sim, em São Vicente, mas não fazia ideia que Santos também tinha esse desconto e pego ônibus na cidade todos os dias, o tempo todo”, afirma o autônomo Cesar Calves Croce, de 28 anos.

E quem não sabia deste desconto também se engana se acha que se trata de um benefício que passou a valer de forma recente. Ele já está em vigor desde 15 de abril de 2014 e é possível devido ao decreto nº 6.758, assinado pelo já prefeito de Santos à época, Paulo Alexandre Barbosa.

O benefício, entretanto, pode não alcançar a todos, uma vez que passageiros que paguem a tarifa com dinheiro, ainda arcarão com o ‘valor cheio’ da passagem, que atualmente custa R$ 4,65. Apenas quem possui o cartão transporte feito para o morador, em outras palavras, a pessoa física, paga ‘meia’, como o decreto especifica: ‘Concede o desconto no valor da tarifa do transporte coletivo convencional, no município de Santos, para os usuários de cartão transporte no dia em que especifica’.

“Nunca ia imaginar que esse desconto já existe há seis anos. Tanto que é possível que eu tenha até conseguido esse desconto pelo cartão e não fazia a menor ideia”, explica o auxiliar administrativo Hermes Cancio, de 33 anos.

Em meio a estes casos de desconhecimento, a vereadora Audrey Kleys, junto de sua equipe, decidiu criar o projeto de lei, que já foi debatido em primeira discussão durante a sessão ordinária da última terça-feira (20) no plenário da Câmara dos Vereadores de Santos. Caso venha a ser eventualmente sancionado, os coletivos de Santos poderão passar a contar com cartazes informando a todos os passageiros sobre a tarifa pela metade.

“Nenhuma vez [vi algum cartaz]. Eu descobri esse desconto há anos atrás através de uma amiga minha. Eu fiquei sabendo disso há uns anos atrás que você ganhava desconto nas passagens de ônibus pelo cartão transporte aos domingos, mais eu ganho meu vale transporte em dinheiro e pago ele desta forma”, afirma o assistente de controle de container Gabriel Henrique Vieira, de 31 anos.

Para que este desconto seja concedido, porém, vale ressaltar que o cartão de transporte deve ter sido feito pela pessoa física. Esta possibilidade de desconhecimento por parte da população de Santos e até mesmo de outras cidades, foi o que motivou Audrey a criar o projeto.

“O decreto está em vigor, valendo e o que a gente sente é que muitas pessoas não sabem deste benefício, por isso a nossa propositura. Ele já passou por comissões, foi feita uma adequação e eu entendo que o projeto pode seguir para avaliação do Executivo. O projeto vem para divulgar mais o decreto e também de motivar que as pessoas utilizem mais o cartão transporte. Essa é nossa intenção, dar mais visibilidade e transparência ao decreto, que está valendo sim”, afirmou Audrey durante a primeira discussão.