Paulo Alexandre quer Estado controlando acesso à Baixada Santista pelas estradas

Segundo ele, as cenas registradas durante sábado (30) e domingo (31) foram lamentáveis

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01 SET 2020Por LG Rodrigues13h35
O elevado número de pessoas que deixou a Capital para seguir ao litoral é atípico para um fim de semana sem feriado prolongado e gerou receio nas autoridadesFoto: Nair Bueno/Diário do Litoral

Os nove prefeitos da Baixada Santista querem que o Governo do Estado realize uma operação para controlar o acesso às cidades caiçaras pelas rodovias que ligam a Capital ao litoral e também esperam o envio de mais policiais militares para realizar fiscalização nas praias durante o feriado prolongado de 7 de setembro que se aproxima.

A notícia foi anunciada pelo prefeito de Santos, Paulo Alexandre Barbosa, durante entrevista coletiva concedida pelo chefe do Executivo santista que foi transmitida pelas suas próprias redes sociais durante o começo da tarde desta terça-feira (1º).

Segundo ele, as cenas registradas durante sábado (30) e domingo (31) foram lamentáveis e tanto ele quanto os outros oito prefeitos da Baixada Santista já começaram a articular uma reunião a ser realizada ainda durante esta terça-feira para anunciar nos próximos dias as medidas que deverão ser executadas para impedir o mesmo cenário do último fim de semana de agosto.

“A gente lamenta muito tudo o que aconteceu neste fim de semana. A pandemia não acabou e as pessoas precisam usar máscaras, respeitar as regras de distanciamento, higienização, tudo isso é muito importante para que possamos avançar de fase e voltar ao normal. Convoquei hoje uma reunião do Condesb, todos os prefeitos da Baixada Santista, e também logo pela manhã eu solicitei a participação do Governo do Estado nessa reunião com o secretário de Logística e Transportes, João Octaviano Machado Neto e o Secretário de Desenvolvimento Regional do Estado de São Paulo, Marco Vinholi, com dois objetivos básicos”, explica.

A intenção dos governos municipais é chamar a atenção do Governo do Estado de São Paulo para o fato de que deixar o litoral paulista responsável por fiscalizar um número elevado de pessoas durante a pandemia sem apoio de outras instituições de segurança sob a tutela do Estado poderá resultar em nova elevação no número de pessoas infectadas com o novo coronavírus e fazer a curva de óbitos pela patologia retomar os níveis vistos durante o começo da segunda quinzena de agosto.

“Precisamos ter um controle mais rigoroso nas praias e é fundamental que a Polícia Militar, que o Estado, possa apoiar o trabalho que é feito pelas Guardas Civis Municipais. Então essa é a primeira reivindicação. A segunda, e mais importante, é o controle de acesso à Baixada Santista, nós tivemos mais de 200 mil veículos nesse período aqui na Baixada sem ser feriado prolongado”, explica.

O dado de aproximadamente 200 mil veículos foi divulgado pela Ecovias, concessionária que administra o Sistema Anchieta-Imigrantes, durante segunda-feira (31). O elevado número de pessoas que deixou a Capital para seguir ao litoral é atípico para um fim de semana sem feriado prolongado e gerou receio nas autoridades para o que pode acontecer no primeiro fim de semana de setembro, quando o feriado de 7 de setembro cai na segunda-feira e pode ser agravado pelo fato que em 8 de setembro, na terça-feira, é celebrado o Dia de Nossa Senhora do Monte Serrat, padroeira de Santos e que deve estender ainda mais a folga de parte da população caiçara.

“Agora com o feriado prolongado e expectativa de tempo bom existe uma previsão de ainda mais veículos. Então o Estado precisa atuar para controlar esse acesso à Baixada Santista porque colocando 200 mil veículos aqui por fim de semana fica difícil o trabalho realizado pelas cidades. Apresentamos essas demandas ao Governo do Estado e vamos construir nessa reunião de hoje uma solução para que a gente não veja no próximo fim de semana as cenas que vimos neste último fim de semana”, explica. 

“Nossa sugestão ao Governo do Estado é que seja montada uma operação especial para o feriado. Como tem a Operação Verão, por exemplo, onde há um reforço do efetivo, a gente vai pleitear ao Estado hoje que possa reforçar o efetivo. Não adianta trabalhar com o mesmo efetivo existente para tomar conta de tudo porque se vem mais gente precisa de mais polícia e apoio nesse trabalho de fiscalização que é muito importante”.

Paulo Alexandre aproveita para afirmar que o baixo número de multas aplicadas durante o fim de semana de praias lotadas se deve ao procedimento básico de abordagem realizado pela GCM e reforça que é impossível fiscalizar dezenas de milhares de pessoas apenas com o efetivo atual da equipe de segurança municipal.

“A fiscalização vai seguir acontecendo. Nesse último fim de semana fizemos 1.500 orientações na praia, ou seja, pessoas que estavam sem máscaras. Por que o número de multas não é muito grande? Porque num primeiro momento a GCM faz a abordagem e pede para a pessoa usar a máscara, ela coloca, e não é multada. Se ela não tem máscara, em alguns casos a própria Guarda disponibiliza a máscara e só em casos extremos, quando ela se recusa a usar a máscara é que ela recebe a multa. Foram mais de 1500 abordagens, é um trabalho desafiador em Santos e nas outras cidades também e por isso é muito importante o apoio do Estado”, finaliza.