O Paru funciona dentro do tradicional Mercado de Peixe, na Ponta da Praia, um dos pontos turísticos mais conhecidos da cidade / Isabella Fernandes/DL
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Quem nunca desejou comer em um restaurante de um chef famoso da televisão, mas acabou desistindo por medo de pagar caro ou até de não ter a “roupa certa” para a ocasião? O chef Dario Costa, vencedor do Mestre do Sabor e participante do MasterChef, quebra esse estigma com uma proposta ousada: democratizar a boa comida. À frente do restaurante Paru, em Santos, ele prova que a alta gastronomia pode ser acessível e ainda é uma ótima pedida para os dias de verão.
A experiência já começa diferente pela localização. O Paru funciona dentro do tradicional Mercado de Peixe, na Ponta da Praia, um dos pontos turísticos mais conhecidos da cidade. Antes de chegar ao restaurante, o visitante passa pelas bancas repletas de pescados frescos e encontra a escada que leva ao mezanino onde fica a casa.
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Essa escolha não é por acaso. Segundo Dario, a ideia do Paru nasceu da necessidade de criar um restaurante informal e verdadeiramente democrático, focado em peixes e frutos do mar. Após o sucesso do Madê, que acabou sendo rotulado como um restaurante “mais chique”, o chef viu no Mercado de Peixe a oportunidade perfeita.
“Não tem como ser formal aqui. O mercado já impõe essa informalidade”, conta.
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No Paru, eles não trabalham com salmão. A proposta é valorizar os peixes da costa brasileira, especialmente aqueles pouco conhecidos ou fora do circuito tradicional. Eles aparecem na brasa, que é o coração do cardápio, mas também em sanduíches, frituras e até em versões descontraídas de sushi.
A ideia não é ser um restaurante japonês, mas usar formatos populares para aproximar o público do consumo de peixe.
“Hoje, muita gente não come peixe, come sushi. Então foi uma forma de colocar o peixe local ali, quase sem a pessoa perceber”, explica Dario.
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Essa estratégia ajuda a inserir espécies pouco valorizadas no dia a dia do consumidor, como paru, guaiúba, roncador, betara e cabrinha.
“Ninguém pergunta qual é o peixe do fish and chips. Todo mundo come, gosta e pronto. É aí que a gente consegue mudar o jogo”, diz.
O próprio nome da casa carrega esse conceito. O paru é um peixe abundante e historicamente desvalorizado por causa da cor escura da carne, mas que surpreende quando vai à grelha.
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“Quando você se propõe a fazer, ele fica dourado, bonito e delicioso. É exatamente isso que a gente quer mostrar aqui, afirma.
Ao longo do tempo, Dario percebe uma mudança clara no comportamento dos clientes. Além da boa aceitação dos peixes regionais, ele conta que chegou a ver bancas do próprio mercado anunciando espécies antes ignoradas.
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“Quando vi uma placa escrita ‘aqui também tem paru’, pensei: é isso. As pessoas estão levando para casa, cozinhando e falando sobre esses peixes. Não tem mais volta.”
O cardápio segue essa lógica democrática também nos preços e na criatividade. Todos os restaurantes do chef compartilham uma mesma “alma”: peixes e frutos do mar na brasa, preparados de formas variadas.
No Paru, entram ainda os sanduíches e pratos com cara de comida de rua, pensados para conforto, informalidade e alto giro.
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O público reflete essa diversidade. Há muitos turistas, visitantes de São Paulo e gente de fora, mas os santistas também abraçaram a proposta.
“Aqui a pessoa pode vir só para comer um pastel ou uma coxinha e acaba ficando. Não tem aquela pressão de sentar, escolher roupa ou viver uma ocasião especial. Eu nunca quis isso”, reforça.
Em plena alta temporada, o desafio é grande, especialmente com a pausa de parte da pesca industrial no fim do ano. Ainda assim, Dario se mostra otimista. O movimento cresce a cada verão, impulsionado pelo turismo e por uma equipe engajada, formada em grande parte por profissionais que circulam entre suas casas e compartilham a mesma cultura.
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“Nada disso é feito sozinho. É um trabalho coletivo”, conclui.