Santos

Nem só de meca vive Santos: o prato caiçara que sobrevive na Ilha Diana

Prato tradicional caiçara, o peixe azul-marinho resiste ao tempo na Ilha Diana e mantém viva uma história mais antiga que a própria meca santista

Isabella Fernandes

Publicado em 12/04/2026 às 07:10

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Já o peixe azul-marinho tem raízes muito mais profundas / Arquivo pessoal/Zaíra Santiago de Moura

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Localizada em meio à natureza e acessível por uma travessia de barco de cerca de 30 minutos, que custa apenas R$ 0,50, a ilha Diana, em Santos, preserva costumes, modos de vida e, principalmente, uma culinária que resiste ao tempo. É nesse cenário que o tradicional peixe Azul Marinho segue vivo, mesmo longe dos holofotes.

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Mais antigo que a Meca Santista

Apesar de muitos associarem a identidade gastronômica de Santos à Meca Santista, o prato é relativamente recente, criado em 2005. Considerado o prato oficial da cidade, ele surgiu a partir de uma iniciativa da Secretaria de Turismo, que realizou uma pesquisa apontando a meca como o peixe mais procurado pelos turistas. 

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Com base nesses elementos, o chef Rodrigo Anunciato desenvolveu a receita: peixe grelhado, geralmente o espadarte, conhecido como a “picanha do mar”, acompanhado de risoto de palmito pupunha, farofa de banana-da-terra e camarões. A combinação, escolhida por turistas e santistas, resultou em um prato considerado ousado e marcante.

Já o peixe azul-marinho tem raízes muito mais profundas. Nascido da escassez nas comunidades pesqueiras, o prato transforma ingredientes simples, como banana verde e peixe fresco, em uma das receitas mais tradicionais da culinária caiçara.

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Diferente de restaurantes convencionais, provar o peixe Azul Marinho exige organização. Arquivo pessoal/Zaíra Santiago de Moura

Tradição que sobrevive na Ilha Diana

Hoje, manter essa receita viva não é tarefa fácil. Atualmente, uma das únicas pessoas que ainda prepara o peixe Azul Marinho na ilha é Zaíra Santiago de Moura, de 63 anos, dona do Cantinho da Zazá.

Moradora da Ilha Diana há mais de 30 anos, ela chegou ao local após a filha se casar com um pescador e nunca mais quis sair. “Isso aqui é um paraíso. É um sossego que não tem igual”, conta.

Apesar de muitos acreditarem que a receita foi passada entre gerações, Zaíra revela que aprendeu sozinha, observando e aperfeiçoando a técnica ao longo do tempo. “O prato é feito com peixe e banana verde. Pra chegar na cor azul, precisa da panela de ferro. É isso que dá o azulado”, explica.

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É nesse cenário que o tradicional peixe Azul Marinho segue vivo, mesmo longe dos holofotes. Arquivo pessoal/Zaíra Santiago de Moura

Preparo exige tempo e planejamento

Diferente de restaurantes convencionais, provar o peixe Azul Marinho exige organização. No Cantinho da Zazá, tudo funciona com agendamento prévio. “Tem que marcar com uns dois dias antes, porque a gente precisa buscar a banana verde e o peixe fresco na cidade”, diz.

A rotina na ilha também influencia devido há falta de comércio estruturad os ingredientes precisam ser comprados fora, geralmente em Vicente de Carvalho, em Guarujá.

Já o peixe azul-marinho tem raízes muito mais profundasO prato servido por Zaíra inclui peixe, banana verde, arroz, purê de banana da terra, às vezes, uma salada simples. Arquivo pessoal/Zaíra Santiago de Moura

O prato servido por Zaíra inclui peixe, banana verde, arroz, purê de banana da terra, às vezes, uma salada simples. Segundo ela, o sabor é único. “Cozinhado com a banana, o peixe fica diferente”, resume.

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