O objetivo é restaurar o navio e deslocá-lo para a região da Ponta da Praia, próximo ao Museu de Pesca. / DIVULGAÇÃO
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"Uma luz no final do túnel, ou melhor, do convés". Trocadilho à parte, parece que a ideia de tornar o velho navio Professor Wladimir Besnard em um museu flutuante deve vingar. Pelo menos, a proposta já se encontra encaminhada pelas mãos da Santos Port Authority (SPA) e existe até um protocolo de intenções em estudo envolvendo a Prefeitura de Santos; no Governo do Estado, na Universidade de São Paulo (USP) e Instituto do Mar (Imar).
"O objetivo é restaurar o navio e deslocá-lo para a região da Ponta da Praia, próximo ao Museu da Pesca, transformado em museu marítimo, ficando aberto à visitação pública", ratificou em nota, a SPA, na última sexta-feira (29)
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O navio Professor W. Besnard está inoperante e não tem condições de navegabilidade. Ele está atracado no Armazém Quatro por ser uma área sem operações portuárias e próxima do Armazém Oito, cedido à USP.
Atualmente a posse é da Organização Não Governamental (ONG) Instituto do Mar, que não tem recurso para restaurá-lo e mantê-lo. Em meados do ano passado, verificou-se situação de adernamento. Foi constatada a presença de grande quantidade de água na casa de máquinas, com risco de agravamento e naufrágio.
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A SPA autuou o Instituto do Mar (Imar), proprietário da embarcação, determinando a adoção de providências imediatas para garantia de condições seguras de flutuabilidade da embarcação, bem como inspeção e fortalecimento da amarração.
Diante da declaração do Imar de que não tinha condições de executar as ações, a SPA realizou uma operação para retirada de água do interior da embarcação, que resultou na estabilização e afastamento do risco iminente de afundamento.
AMBIENTE
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A SPA afirma que se o navio afundar, haverá danos ao meio ambiente estuarino e à segurança à navegação do Porto de Santos. Além disso, a perda histórica do navio, de fabricação norueguesa, que foi um dos recursos utilizados pelo Brasil em operações na Antártica.
A SPA monitora constantemente as condições do navio e está avaliando as opções para que ele seja deslocado para manutenção e recuperação do casco, o que é necessário para evitar a repetição do problema de entrada de água.
Atualmente a SPA está em tratativas com a ONG Imar para adquirir a posse ao Governo do Estado, que ficará responsável pela gestão definitiva da embarcação.
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O navio, de pesquisa oceanográfica da USP está desde 2015 (seis anos) encostado no Porto. Ele havia sido doado à Prefeitura de Ilhabela, que pretendia afundá-lo e transformá-lo em um recife artificial. No entanto, em 2019, Ilhabela decidiu transferi-lo para o Instituto, que não possui condições financeiras manter sua manutenção.
O navio é protagonista de um grande número de expedições e responsável direto por quase tudo que o Brasil sabe sobre seu território marinho. Porém, houve até uma proposta de desmontá-lo e vendê-lo como sucata.
O nome do navio é do cientista Wladimir Besnard, pioneiro da oceanografia brasileira e fundador do Instituto Oceanográfico da USP. Ele foi adaptado de um barco de pesca e, tecnicamente, seria inadequado para ser uma embarcação de pesquisa. No entanto, as primeiras equipes de pesquisa brasileiras chegaram nele à Antártica. Um grande incêndio, em 2008, o deixou inoperante.
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