Santos

Mulherio das Letras Indígenas lança obra na Estação Cidadania, em Santos

Criado em 2022, como braço do Coletivo Mulherio das Letras, que existe há cinco anos, reúne escritoras de todo o País

Carlos Ratton

Publicado em 10/02/2023 às 07:30

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Vanessa Ratton (terceira da esquerda para direita), ladeada por mulheres indígenas escritoras que fazem parte do Mulherio das Letras / Divulgação

Criado em 2022, como braço do Coletivo Mulherio das Letras, que existe há cinco anos, reunindo mulheres escritoras de todo o País, o Mulherio das Letras Indígenas, que conta com duas descendentes da etnia Guarani Mbya da Baixada Santista, Fabi Mesquita e Vanessa Ratton, lança amanhã (11), às 17 horas, na Estação Cidadania, na Avenida Ana Costa, 340, em Santos, o Álbum Guerreiras da Ancestralidade 2022.

O encontro será uma roda de conversa sobre temas: A literatura da mulher indígena e as narrativas de genocídio e etnocidio silenciadas e apagadas no processo histórico brasileiro; os desafios da escritora indígena perante o racismo estrutural; a situação dos indígenas aldeados e em contexto urbano em retomada. Além de debater sobre a situação dos yanomamis (ver nesta reportagem).

A edição da obra é da Amare, com organização da escritora Vanessa Ratton, em parceria com a EP Produções. O patrocínio é do Instituto Ela, juntamente do Mulheres em Movimento, que garantiram a produção da obra.

Vanessa Ratton ressalta "a força deste movimento (Mulherio das Letras), que rompeu o silêncio da autoria feminina, fortaleceu e encorajou dezenas de manas a publicarem e a se lançarem no mercado editorial, algumas pela primeira vez".

NO MUNDO.

O Mulherio das Letras tem representantes em outros países, com brasileiras lá residentes, sendo hoje ao todo cerca de sete mil escritoras.

Interessados no álbum Guerreiras da Ancestralidade - Mulherio das Letras Indígenas 2022, totalmente gratuito, devem comparecer ao evento com carta ou e-mail da sua instituição de ensino, biblioteca ou cultura para retirada do livro físico. O álbum tem a biografia de 75 Indígenas, sendo 12 lideranças e 63 escritoras que publicam poemas e prosas.

Todos poderão receber o e-book. Participam da apresentação da obra a articuladora nacional do Mulherio das Letras Indígenas, Eva Potiguara, e a presidente do Instituto Multiverso, Fabi Mesquita.

TRAGÉDIA YANOMAMI.

Quinhentas e setenta crianças foram mortas pela contaminação por mercúrio, desnutrição e fome, devido ao avanço do garimpo ilegal, segundo o Ministério dos Povos Indígenas.

Denúncias mostram que pelo menos 30 meninas e adolescentes yanomami estariam grávidas, vítimas de abusos cometidos por garimpeiros em Roraima, informou o secretário Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, Ariel de Castro.

Representantes da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e da Coordenação de Operações Emergenciais do Ministério da Saúde estão acompanhando a tragédia Yanomami, que chocou o Brasil e o Mundo no apagar das luzes do Governo de Jair Bolsonaro.

A Imprensa de todo o País e do exterior vem, diariamente, mostrando que a grave situação de saúde e segurança alimentar sofrida pelos povos Yanomami é resultado da omissão do Estado Brasileiro em assegurar a proteção do território frente ao aumento de garimpos ilegais na reserva.

A crise sanitária enfrentada pelo povo Yanomami fez com que o Ministério da Saúde decretasse emergência na saúde para combater a desassistência aos indígenas.

O presidente Luís Inácio Lula da Silva (PT) visitou uma casa de saúde na capital Boa Vista e se disse abalado com a situação desumana que viu.

A situação dos povos tradicionais foi tema de debate na reunião ordinária do Conselho Nacional de Saúde (CNS), realizada ano passado, durante o Fórum Social Mundial, realizado, em Porto Alegre (RS).

No evento, foi informado de invasões dos territórios pela mineração, avanço do garimpo ilegal, a contaminação por mercúrio, as ameaças de garimpeiros, além da fome e desnutrição severa. Pedidos de socorro foram feitos pelos Yanomamis ao ex-presidente Jair Bolsonaro e todos foram ignorados.

QUATRO ANOS.

"Muitas comunidades ficaram sem assistência alguma nos últimos quatro anos, sem ter com o que viver e enfrentar a invasão do garimpo", afirmou Junior Hekurari Yanomami, do Conselho Distrital de Saúde Yanomami. "Os invasores destruíram nossa comunidade, muitas crianças e mulheres não resistiram. Queremos que essas pessoas sejam responsabilizadas por omissão de socorro", completa.

"Não são cenas desconhecidas, não são emoções que sentimos pela primeira vez. Não foi desinformação, nem indiferença, mas o projeto de uma elite, apoiado pelo preconceito da sociedade brasileira, que permite esse tipo de ação", afirmou o conselheiro nacional de saúde pela Articulação dos Povos Indígenas Região Sul, Francisco Runja.

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