Moradores de morro em Santos discutem recuperação de áreas de risco

Reunião do projeto-piloto de Adaptação Baseado em Ecossistema aconteceu neste domingo, no Monte Serrat

Oficina deu orientações sobre funcionamento de ecossistemas e mudanças climáticas

Oficina deu orientações sobre funcionamento de ecossistemas e mudanças climáticas | Marcelo Martins/Prefeitura de Santos

Santos segue com iniciativas para enfrentar as mudanças climáticas que afetam a região, especialmente em áreas de risco. Exemplo disso está na reunião do projeto-piloto de Adaptação Baseado em Ecossistema (ABE), realizada neste domingo (16), no Monte Serrat.

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O objetivo do trabalho, desenvolvido pela  Seção de Mudanças Climáticas (Seclima) da Secretaria de Meio Ambiente (Semam), Defesa Civil e participação da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Registro é recuperar áreas de risco e garantir que elas não sejam reocupadas por moradias, mas ainda assim contribuam para o bem-estar da população

“De alguma maneira, queremos que essas áreas continuem contribuindo para o bem-estar da população do Monte Serrat e do entorno”, explica a engenheira agrônoma da Seclima, Greice Pedro.

A Sociedade de Melhoramentos do bairro foi o ponto de encontro para a oficina com os moradores do Morro. Eles puderam acompanhar explicações sobre conceitos gerais, a metodologia a ser utilizada, como soluções e adaptação baseadas em ecossistemas, e ainda receberam informações atualizadas sobre as mudanças climáticas e os eventos extremos cada vez mais frequentes.

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A oficina se insere nos princípios do Plano de Ação Climática de Santos, que está focado em pensar na resiliência e na adaptação das pessoas frente a esses eventos extremos. E para isso, é importante que as comunidades participem ativamente e se conscientizem da importância de utilizar essas áreas de forma consciente, sem utilizá-las como moradia.

“Para as comunidades, é importante que tenham esta consciência e que nos ajudem a pensar em como podemos utilizar essas áreas, não como moradia, mas mesmo assim como algo especial para os moradores dos morros”, acrescenta Greice.

O vice-presidente da Sociedade de Melhoramento de Bairro do Monte Serrat, Arquimedes da Silva Machado, destaca a participação da comunidade como fundamental para pensar não apenas na questão ambiental, mas como ser beneficiada com uma visão mais sustentável.

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“A comunidade precisa ser envolvida na criação e dar o ‘pitaco’, colocando sua visão mediante as possibilidades que o projeto pode vir a oferecer. Trata-se de um projeto de adaptação do ecossistema e é adaptável às reivindicações do morador. Estamos falando de turismo ambiental, de horta comunitária, e geração de emprego e renda. E esta troca é valiosa para uma comunidade periférica. O Monte Serrat pode ser reconstruído. O histórico de deslizamento pode ser mudado através do reflorestamento da encosta através do morador. Isso é pertencimento”.

Top 10

O projeto de Santos foi selecionado como uma das dez propostas que vem recebendo atenção especial do Acelerador de Soluções Baseadas em Natureza e Cidades do WRI, um instituto mundial que tem uma unidade no Brasil.

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“As dez cidades escolhidas passam por um processo de mentoria para que, ao final, seja possível ter um projeto completo e detalhado que possa ser levado a financiadores para ser executado nessas áreas”, explica a engenheira agrônoma.

A metodologia de ABE, Adaptação Baseada em Ecossistemas, traz soluções com base na natureza e em conjunto com a sociedade, com os moradores e com a equipe técnica do Município.

A meta ainda é evitar maiores intervenções cinzas, como concretos, e trabalhar junto com a natureza, trazendo soluções que garantam a segurança das comunidades em áreas de risco.

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“A equipe da Seclima vem trazendo tudo o que está sendo trabalhado lá fora para tentar aplicar em Santos. A Cidade já sente as mudanças climáticas com ressacas mais intensas, chuvas concentradas em curto período de tempo e rajadas de vento cada vez mais frequentes. Por isso, o projeto-piloto de ABE no Monte Serrat é uma importante iniciativa para o Município”, conclui o chefe da Seclima, Eduardo Kimoto Hosokawa.

A intenção da prefeitura é expandir essa metodologia para outras áreas com características semelhantes em morros da cidade.