Ministério Público do Trabalho vai investigar o abandono dos Samus

Denúncia foi do Sindest, que acusa a Secretaria de Saúde de Santos de permitir o suposto sucateamento das instalações

Comentar
Compartilhar
14 OUT 2021Por Carlos Ratton07h00
A fiação segue improvisada perto da cama em que descansam os profissionais do Samu de SantosA fiação segue improvisada perto da cama em que descansam os profissionais do Samu de SantosFoto: Divulgação

O Ministério Público do Trabalho, pelas mãos do procurador Rodrigo Lestrade Pedroso, da Procuradoria Regional do Trabalho 2ª Região, irá instaurar uma notícia de fato para averiguar o sucateamento das instalações e equipamentos do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), publicado pelo Diário no último sábado (9).

Faça parte do grupo do Diário no WhatsApp e Telegram.
Mantenha-se bem informado.

A notícia de fato é qualquer demanda dirigida aos órgãos da atividade-fim do Ministério Público, submetida à apreciação das procuradorias e promotorias de Justiça, conforme as atribuições das respectivas áreas de atuação.

O passo seguinte seria a instauração de inquérito e, caso tudo seja comprovado, uma ação judicial contra os responsáveis pelo ocorrido, no caso, a Prefeitura de Santos.

SINDICATO

A denúncia foi da Direção do Sindicato dos Servidores Estatutários Municipais de Santos (Sindest), que está acusando a Secretaria de Saúde de Santos de permitir o suposto sucateamento das instalações e equipamentos do Samu e causar, consequentemente, desgaste aos profissionais e má qualidade do atendimento prestado à população.

Conforme a entidade sindical, o subsolo da sede central, na Rua Barão de Paranapiacaba, 241, no bairro Encruzilhada, sofre constantes infiltrações de água e coloca em risco os profissionais de saúde que que não poderiam estar vivendo em ambiente insalubre.

Nos fundos desse pavimento, onde funciona uma cozinha improvisada, conforme denunciam, há uma 'gambiarra' (ligação elétrica improvisada e perigosa) com tomada para o pessoal simplesmente acender a luz, com risco de tomar choque elétrico.

"O local é totalmente insalubre", diz o diretor do Sindest Carlos Alberto Reis Nobre 'Carlinhos'. Ali ficam os profissionais lotados na sede e também os do posto desativado no Pronto-Socorro Central.

Sindest já fez diversas denúncias contra a deterioração dos serviços públicos de saúde. Carlinhos e o diretor Roberto Damásio Barbosa 'Betinho' estiveram no prédio no último dia 6, onde constataram várias irregularidades. Os dois fizeram imagens e afirmam que o mesmo acontece em outros postos.

Os diretores citam a base José Rebouças, no bairro Ponta da Praia, onde as acomodações dos profissionais de saúde ficam embaixo da arquibancada do ginásio do centro esportivo e recreativo.

Nesse local, segundo eles, houve recentemente uma infestação de ratos, combatidos de maneira imprópria, com ratoeiras e vassouradas. "Mesmo assim, os roedores volta e meia aparecem por lá, causando situações constrangedoras e perigosas", revelam os sindicalistas.

Outro ponto da ronda dos sindicalistas foi a ilha de conveniência localizada na esquina das avenidas Vicente de Carvalho (praia) e Conselheiro Nébias, onde as goteiras inviabilizam os serviços. Essa situação já foi alvo de reportagem do Diário do Litoral.

"Quando chove, o pessoal tem que ir para a sede da Barão de Paranapiacaba, naquele subsolo infernal que passa a comportar assim três equipes", reclama Betinho.

Nos próximos dias, eles visitarão o Samu do bairro Jardim Piratininga, na entrada da cidade, e o da Zona Noroeste. "Provavelmente, encontraremos cobras", ironiza Carlinhos.

Após as visitas, o sindicalista oficiou ao chefe do departamento de atenção pré-hospitalar e hospitalar (Daphos), Devanir Paz, cobrando esclarecimentos e providências.

O presidente do Sindest, Fábio Pimentel, diz que o Samu "está na mão das traças. Pior, dos ratos. Querem sucateá-lo para terceirizá-lo, como fazem com tudo na Cidade".

PREFEITURA.

A Secretaria de Saúde esclarece que o edifício onde fica a base sede do Samu (Rua Barão de Paranapiacaba) possui uma cozinha no pavimento térreo, que pode ser usada por todos os colaboradores, não havendo necessidade de uso de outro local. Portanto, existiria uma alternativa.

No mesmo pavimento, também há espaço para alojamento, repouso e convívio, que pode ser utilizado pelos profissionais da base sede e também os da antiga base Central, que foi recentemente desativada pois o espaço foi requisitado pela Santa Casa de Santos, proprietária do local.

Com relação às infiltrações, está em andamento um projeto para a reforma do térreo e do subsolo do prédio (andares superiores já passam por intervenção).

Para a base da Ilha Criativa já foi solicitada reforma do telhado, que será custeada por meio de emenda parlamentar. A licitação para a escolha da empresa está em andamento.

Com relação à base do Complexo Esportivo Rebouças, o local é adequado para a atividade a qual é destinado. A aparição de ratos foi uma ocorrência pontual, que atingiu de forma geral o complexo esportivo, mas já foi solucionada.