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Medo do vírus em ambiente fechado prejudica novo Mercado de Peixes

Medo da Covid em ambiente fechado faz com que clientes encerrem compras mais cedo no novo Mercado de Peixes

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26 JUL 2020Por LG Rodrigues08h03
Rotina dos comerciantes não sofreu muitas mudanças, mas clientes fazem visitas mais curtas ao espaçoFoto: NAIR BUENO/DIÁRIO DO LITORAL

A mudança do já tradicional Mercado de Peixes para um ambiente fechado, aliada à pandemia do novo coronavírus, levaram a uma nova realidade entre clientes e também comerciantes que frequentam o local diariamente. De um lado, a criação de um canal de comunicação para monitorar funcionários que estão no por lá diariamente, do outro, o fim dos tradicionais passeios entre os boxes.

A mudança de uma área aberta, localizada na Praça Almirante Gago Coutinho, para um ambiente fechado (e evidentemente projetado antes da pandemia da Covid-19), agora na Avenida Mário Covas, 3.050, levou muitos clientes que antes passavam mais tempo no local a agilizar as compras com medo de uma eventual contaminação pelo novo coronavírus no ambiente onde o ar circula de maneira artificial.

Já entre os próprios vendedores, também se criou uma mudança na rotina que vai além da adaptação aos novos espaços dispostos no imóvel.

"Tem de fato uma preocupação, mas felizmente até agora ninguém pegou o coronavírus e mantemos um canal novo de comunicação que criamos entre nós para falar um com o outro e deixar todo mundo atento a tudo", afirma Alex Andrade, que trabalha em um dos boxes.

A informação também foi confirmada por Emanuel Andrade, proprietário de outro boxe no recém-inaugurado imóvel. Apesar de afirmar que não notou diminuição no tempo de permanência nos clientes, ele afirma que criou um esquema de rodízio para que ninguém passe tempo demais dentro do local.

"No meu caso eu fico umas duas horas lá dentro, saio, meu filho me substitui. Então a gente tenta não manter ninguém por um tempo demasiadamente longo. E nós mesmos, entre os comerciantes criamos um grupo de WhatsApp para manter todo mundo informado sobre o que está acontecendo para evitar não só que a gente possa ter algum problema, mas especialmente os clientes".

"Há algumas semanas mesmo, um funcionário meu não se sentiu muito bem. Ele foi ao PS, recomendaram que ele ficasse em casa por 15 dias e eu dei folga a ele. Felizmente não era de fato Covid-19, mas todo cuidado é pouco e a gente precisa preservar todo mundo", conclui Emanuel.

 

Apesar de relatarem um estado relativamente normal quanto à clientela, algumas das pessoas entrevistadas no lado de dentro e de fora do novo Mercado de Peixes de Santos durante esta semana afirmaram que o ambiente fechado mudou, de fato, a maneira como a qual eles visitam o empreendimento.

"Geralmente quem vem comprar peixe é a minha mãe, mas como ela é do grupo de risco estou vindo no lugar dela e do meu pai. No mercado antigo a gente tinha segurança para andar um pouco mais, circular entre os boxes. Já aqui eu praticamente entrei e saí porque o pessoal que vai comprar fica em cima um do outro", admite Alexandra Marques.

Vindo de Praia Grande especialmente para comprar no novo Mercado de Peixes, o manobrista Felipe Aparecido elogiou a medição de temperatura antes de entrar no local e a obrigação de usar máscaras, mas também foi outra pessoa que entrou e saiu o mais rapidamente possível do prédio.

"É um pouco tumultuado na frente dos boxes, tanto que já até saí, mas como venho de Praia Grande, não tenho muito costume, achei um bom ambiente", afirma.

O Diário do Litoral verificou que, de fato, o ambiente mantém uma pessoa responsável por medir a temperatura dos clientes na porta e distribuir álcool gel enquanto mantém um controle de quantas pessoas ocupam o imóvel de cada vez, mas mesmo assim, alguns grupos de clientes geram pequenas aglomerações sem respeitar o distanciamento mínimo de 1.5 metros.

Em nota, a Fiscalização de Posturas, da Secretaria de Finanças, esclarece que mantém um servidor público no local, para orientar os concessionários e os consumidores a observar o distanciamento social nas dependências desse equipamento público; inclusive, há um controle permanente na entrada do estabelecimento, justamente para evitar aglomerações nos boxes. Caso haja, eventualmente, alguma aglomeração de pessoas, em determinados boxes de venda de peixes, a fiscalização orienta os consumidores a fazerem filas corretamente, respeitando o distanciamento.