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Médica e neto são atacados nas redes após profissional se posicionar contra Bolsonaro

Homem faz ataques homofóbicos contra criança após médica se posicionar contra Bolsonaro

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15 MAI 2020Por LG Rodrigues18h00

Uma médica moradora de Santos e seu neto de apenas quatro anos de idade foram vítimas de ataques pessoais com cunho homofóbico por meio das redes sociais. Os comentários, postados por um internauta que apagou seu perfil após a repercussão do caso, foram feitos contra a servidora da saúde e a criança, após a médica se posicionar contra o atual governo do presidente Jair Bolsonaro.

O caso começou ainda durante a última terça-feira (12), quando a médica Helena Pasqualini se posicionou, por meio de suas redes sociais, contra o governo de Jair Bolsonaro em uma postagem que relatava ações da torcida do Corinthians contra um movimento em favor do presidente ocorrido no último final de semana.

A princípio, a postagem não recebeu nenhuma mensagem com caráter criminoso, embora muitas pessoas tenham criticado a profissional e defendido o atual chefe do Executivo brasileiro. Os comentários homofóbicos só surgiram no dia seguinte, quando um internauta que se apresentava como Milton Pereira atacou não apenas a médica, como também o neto dela, com a qual a mesma aparece em algumas fotos em seu perfil.

"Um amigo de Facebook fez uma postagem sobre política, um monte de gente comentou a favor do presidente e eu disse que odiava o presidente Bolsonaro. Uma outra pessoa veio, questionou, respondi e parou por aí. Não houve qualquer tipo de agressão. Foi apenas na quarta-feira à noite que surgiram comentários desse tal de Milton, que eu não conheço", afirmou a médica em entrevista ao Diário do Litoral.

Nas mensagens postadas pelo homem, e que foram apagadas, ele questiona a orientação sexual do neto de quatro anos da médica e ainda insinua que ele estaria sendo educado por ela para se tornar um criminoso. A postagem ainda ataca a avó da criança sobre a sua própria sexualidade.

"Ridículo. A hora que olhei aquilo me deu até taquicardia, fiquei nervosa com as coisas nojentas que ele falou de mim e do meu neto. Eu não sei mexer muito bem no Facebook, mas minha filha viu, printou e postou tudo na internet e deu a repercussão que todo mundo está vendo agora. Eu sinceramente nem aguento mais essa história, queria dormir e só acordar na semana que vem, sem nenhum comentário sobre essa história", afirma.

As mensagens foram printadas e compartilhadas rapidamente por dezenas de outras pessoas. Em seu perfil, agora deletado, Milton afirmava trabalhar na revista e plataforma de eventos e mídia de boardsports, Alma Surf.

Em nota publicada nas suas próprias redes sociais, a Alma Surf confirmou que Milton realmente faz parte de uma rede de colaboradores para a publicação, mas afirmou que a opinião expedida pelo homem não representa a empresa.

"A Alma Surf, aliás, repudia e não aceita nenhum tipo de discriminação, ofensa e agressão, por questões ideológicas, sexuais ou de qualquer natureza. Estamos tomando as devidas providências, obrigado pelas informações”, afirmou em sua publicação.

O Diário do Litoral tentou localizar Milton, mas ele apagou seus perfis das redes sociais. A Reportagem também tentou encontrar algum número de contato dele por meio do Almasurf para publicar seu posicionamento, mas não obteve resposta da empresa, que chegou a visualizar as mensagens. O DL segue tentando contato com o homem, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria.

"O comentário que ele fez contra mim também foi para todas as pessoas que não votaram no Bolsonaro porque todas as nojeiras que ele escreveu lá, incluindo uma insinuação de que eu seria uma pedófila, que fazia sexo com meu neto, tudo isso ele direciona a todas as pessoas que não votaram no presidente. Foi bem pesado", conclui Helena.