Lojistas de Santos lutam por revitalização da área Central

Formado por comerciantes de diversos segmentos, grupo busca medidas eficazes para reavivar bairro

Comentar
Compartilhar
20 FEV 2017Por Rafaella Martinez10h30
Grupo busca adesão de comerciantes e empreendedores da área central; reuniões acontecem uma vez por semanaGrupo busca adesão de comerciantes e empreendedores da área central; reuniões acontecem uma vez por semanaFoto: Rodrigo Montaldi/DL

Atentos ao processo de desocupação da área central de Santos, conforme publicado na edição de ontem do Diário do Litoral, lojistas decidiram se unir para buscar soluções em conjunto para reavivar o bairro.

A iniciativa, encabeçada por Paulo Levi Latrova, ainda está em fase embrionária, mas já conta com a adesão de 15 comerciantes do bairro. “Tudo o que conquistei na minha vida eu consegui aqui no Centro. Nós já acompanhamos um processo de desocupação semelhante na década de 90 e, juntos, construímos com a Prefeitura o ‘Alegra Centro’. Agora assistimos a um processo diferente, causando principalmente pelo momento de recessão, mas vamos arregaçar as mangas e lutar mais uma vez”, destaca o comerciante, instalado há 43 anos no local.

A ideia do grupo é revitalizar a área central através de melhorias na infraestrutura e de incentivos para que os funcionários do Centro consumam na ampla rede de serviços disponíveis no bairro e tragam os familiares para a região nos momentos de folga e lazer.

“Queremos que as pessoas entendam que a região é um polo importante de arte, cultura e comércio também: um verdadeiro shopping a céu aberto. Temos certeza de que a região voltará a crescer, afinal, a Libra já anunciou que recontratará parte dos funcionários demitidos. Além disso, há a expectativa de que novos funcionários ocupem a sede da Petrobrás em breve”, ressalta o ­comerciante.

Para José Carlos Fachim é necessário, além da integração entre os lojistas, a participação da Prefeitura na empreitada. “Hoje o turista que chega ao bairro empolgado para conhecer a parte histórica se depara com ruas inseguras, imóveis depredados e caindo aos pedaços, fachadas tomadas por vegetação e abandono. Sem contar que a parte turística é muito falha por aqui. É preciso promover melhorias ­significativas nesse cenário”, aponta.

Com 27 anos de história no bairro, Fachim também questiona a morosidade da legislação atual. “Há mais de 30 dias estou tentando aprovar a pintura do prédio do restaurante que administro, que compõe o Alegra Centro. Já veio arquiteto, materiais já foram colhidos e até o momento a pintura não foi aprovada. O processo é muito demorado e isso prejudica o comércio”, conta.

Comércio

Paulo Latrova esclarece, no entanto, que no processo de desocupação também está incluso o número elevado de empresas fechadas. “Muitas lojas fecharam no Brasil e algumas delas estavam instaladas aqui. A crise respingou em Santos também”, conta.

Estudo da Confederação Nacional do Comércio, com base nos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, divulgado na semana passada, aponta que 2016 foi o pior ano da história do varejo, com números recordes de fechamento de lojas, demissões e retração de vendas. Entre aberturas e fechamentos, 108,7 mil lojas formais encerraram as atividades no País no ano passado e 182 mil trabalhadores ­foram demitidos.

Prefeitura destaca medidas e ações

A Subprefeitura da Região Central, responsável pela zeladoria do Centro, informa que atualmente há 150 contentores de lixo à disposição dos comerciantes, principalmente aos estabelecimentos que fornecem refeições. A varrição da região ocorre todos os dias pela manhã, com repasse após as 15h. A coleta no quadrilátero do Centro Histórico (Bolsa, Paço, Museu Pelé) acontece duas vezes por dia pela noite, com repasse pela manhã. Nas demais vias do bairro, a coleta acontece uma vez/dia, no período noturno.

A Secretaria de Turismo informa ainda que o Posto de Informações Turísticas na Rodoviária funciona todos os dias das 9h às 19h e disponibiliza aos usuários uma ampla gama de folhetos sobre a cidade (incluindo mapas). Os recepcionistas bilíngues orientam o público quanto às linhas de ônibus municipais e intermunicipais e passam informações culturais e agenda de evento atualizada semanalmente, e inclui a programação de eventos, concertos, shows, circo, entre outros. Oferece endereço, telefone e até o valor cobrado.

Sobre a citação de pessoas em situação e rua, a região é monitorada diariamente pela equipe da Secretaria de Assistência Social há anos. Como orienta a política nacional para a população em situação de rua, a Seas realiza abordagens a esse segmento da população.

Errata

No quadro informativo publicado na página 5 da edição deste domingo, o Diário do Litoral esclarece que nos endereços listados como ‘Rua Frei Gaspar’ o correto é ‘Rua XV de Novembro’, no Centro Histórico de Santos.