Laje cai e atinge trabalhador no Centro Histórico de Santos

Homem fazia a limpeza do imóvel quando estrutura cedeu; Prefeitura intimou proprietário a recompor edificação, protegida pelo Condepasa. Diário acompanha há meses a situação de abandono na área central

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06 MAR 2017Por Rafaella Martinez15h01
Acidente deixou um feridoFoto: Diário do Litoral

No quarto incidente do gênero no mesmo bairro, uma laje despencou e atingiu um trabalhador no Centro de Santos. O acidente aconteceu por volta das 13h da tarde de hoje (6) na Rua Senador Feijó, nº 40 e interditou por mais de uma hora o fluxo de veículos no quarteirão. Por precaução, a calçada seguirá isolada e a CET bloqueou um faixa da avenida. A Defesa Civil está elaborando o laudo do acidente.

O homem trabalhava na limpeza do imóvel já interditado pela Defesa Civil de Santos quando a laje de aproximadamente 3 metros em que estava apoiado cedeu. Com a força da queda parte do muro que divide o imóvel com um prédio comercial também caiu, atingindo a perna do homem, que foi encaminhado pelo SAMU para a UPA Central com ferimentos leves.

O serviço irregular estava sendo executado pela empresa Manoel Ferreira Demolições. O proprietário do imóvel foi intimado pela Coordenadoria de Inspeção de Instalações e Locais de Eventos, Desenvolvimento Tecnológico e de Segurança (Coinst), órgão da Secretaria de Infraestrutura e Edificações, a recompor o imóvel imediatamente, sob pena de multa de R$ 24,9 mil.

Com vários pontos de infiltrações e limo, além do mato alto que cobre parte da área frontal, a edificação já estava interditada pela Defesa Civil de Santos e estava sendo preparada para demolição. “A laje já estava comprometida pela umidade e infiltração de água de chuva. Esse imóvel já era interditado e o serviço de limpeza que estava sendo feito tinha como intuito justamente tirar o peso que existia nessa laje, com remoção de vegetação e entulho para diminuir o risco”, aponta Daniel Onias, coordenador da Defesa Civil de Santos.

Precauções

A Administração reforça que os serviços de demolição só podem ser realizados com autorização da Prefeitura, e nos casos específicos está proibida, pois trata-se de imóveis com nível de proteção do Condepasa (Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Santos).

Constantes quedas assustam região

A queda de estruturas no Centro de Santos não é novidade. Em 2011, duas ocorrências assustaram quem precisava transitar pelas vias.

No final de janeiro daquele ano a queda da marquise de um edifício na Praça Barão do Rio Branco culminou na morte de um homem. Menos de dois meses depois, em março, a queda da fachada de um sobrado na Rua Senador Feijó, nº 87, alarmou as pessoas que passavam pelo local. Por sorte, ninguém se feriu, mas três carros foram danificados pelos escombros.

Em novembro passado parte do reboco externo do Teatro Coliseu cedeu. Uma vistoria identificou outros nove blocos que ofereciam risco iminente de queda, além de um beiral com rachaduras severas, que foi içado por uma corda. Por precaução, a calçada lateral do teatro também foi isolada. Passados quatro meses, a situação permanece a mesma.

O Diário do Litoral acompanha há meses a situação de abandono do Centro Histórico da Cidade. Em resposta a reportagem publicada em fevereiro, a Administração informou que estava ciente da situação de abandono e debandada de empresas da região e que estava revendo, para o primeiro semestre de 2017, o aprimoramento da legislação relativa ao programa Alegra Centro, que visa conceder incentivos fiscais para os empresários que queiram instalar empresas e revitalizar a região.