Jovem cria canal no Youtube para democratizar e ensinar ciência de forma fácil

Nos últimos três meses, Beatriz Rizzo, 23, passou a postar material em suas redes sociais com conteúdo científico que aparenta ser complexo, mas se torna leve em seus vídeos

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22 JUN 2020Por LG Rodrigues08h10
Beatriz afirma que não sabe qual será seu futuro, mas canal deverá seguir vivo por muito tempoFoto: Reprodução / Youtube

A história da humanidade, botânica, evolução das espécies, aprendizado de idiomas e até mesmo escolhas de carreiras. Pode não parecer que alguns dos assuntos citados anteriormente tenham muita relação entre eles, mas todos recebem atenção e explicação científica por meio da internet e de maneira simples e bem-humorada, cortesia de uma estudante de ciências daqui mesmo da Baixada Santista.

A ideia de Beatriz Rizzo, 23 anos, ao criar seu canal no Youtube se iniciou há pouco mais de um ano, mas foi nos últimos três meses que ela passou a postar material em suas redes sociais com conteúdo científico que aparenta ser complexo, mas se torna leve em seus vídeos.

“A criação do canal foi uma ideia que eu já tinha desde o início da faculdade, atualmente estou no 4º ano da minha graduação de ciências biológicas, faço licenciatura na Unesp, em São Vicente, e eu sempre achei que a ciência deveria ser mais democratizada, sabe? Existe a série 'Cosmos' do Carl Sagan, que infelizmente já faleceu, e atualmente é apresentada pelo Neil deGrasse Tyson sobre ciência de uma forma popularizada, como deveria ser. Me inspiro muito na série Cosmos, acho incrível e essa era minha ideia, tornar a ciência em algo democrático, popular, algo para o povo porque aqui no Brasil, nós majoritariamente fazemos ciências dentro das universidades públicas e é um dinheiro que não vem do nada, vem dos impostos, do povo, e o próprio povo não sabe o que nós fazemos dentro das universidades, fazemos muita ciência e o povo não sabe. Eu costumo até dizer que existe algo chamado ‘maldição do conhecimento' que deixa a ciência presa dentro das universidades e elitizada, algo que não pode continuar acontecendo”, afirma.

Em seus vídeos, Beatriz fala de tudo um pouco, desde as experiências que a levaram a escolher seu curso de graduação a até mesmo auxílio aos internautas, jovens ou mais velhos, que estão em dúvida sobre acertar no curso certo em um ensino superior. Mas são os vídeos de ciência que fizeram o canal começar a se tornar mais relevante, chegando até mesmo a profissionais da mesma área na qual ela estuda, mesmo afirmando que seus vídeos não são feitos para estudiosos da ciência.

“Às vezes vêm alguns biólogos e elogiam os vídeos, mas dizem 'poxa, só que isso já é conhecido, por que você não fala de coisas que não são tão populares?' E eu sempre questiono, 'mas, é conhecido por quem? Para você, quem está dentro da área'. Meu canal não é para biólogos, eu não quero conversar com outros biólogos, eu não quero conversar com médicos ou biomédicos. Eu quero conversar com pessoas de qualquer área, idade, gênero, raça e tento falar de forma mais popular, didática e tranquila possível, como se eu estivesse em um bar ou restaurante conversando com alguém. Quero desmistificar tudo isso, o cientista é como qualquer outra pessoa e a ciência não pode e não deve ser difícil porque ela é a base de coisas que usamos no dia a dia e que usamos na rotina tal qual televisão e celular”.

Com o auxílio de outros perfis dentro do Instagram, Beatriz começou a ganhar um público maior e não quer parar por aí, uma vez que tem feito cada vez mais conteúdo no qual ela ‘descomplica’ o que parece ser complicado à primeira vista.

“Meu maior objetivo é tirar da cabeça das pessoas que ciência é difícil, é para poucas pessoas ou para quem tem dinheiro porque não é assim que funciona. Ciência é e deve ser para todos e isso depende muito da forma como você ensina. Há jeitos de ensiná-la de forma simples, divertida e para que as pessoas possam usá-la no seu cotidiano”.

Apesar de dizer que não recebeu nenhum treinamento na ‘arte de descomplicar’, Beatriz diz que quer passar o conteúdo de forma que ela não ‘perca’ o público e possa manter a atenção das pessoas que acessarem sua conta no youtube.

“Acho que isso foi algo que vim aperfeiçoando com o tempo, e não com o canal em si, porque tenho ele há pouco tempo. Eu via muita coisa em várias plataformas porque adoro assistir vídeos e sempre quando haviam alguns muito pesados, maçantes, falando de coisas sérias por mais de 15 minutos fica chato, nunca achei muito legal porque não prende a atenção da pessoa. As aulas não podem durar muito tempo ou você perde atenção do seu público, que dentro da sala de aula é o aluno e dentro do youtube pode ser uma criança ou uma pessoa até da área, pode haver um economista, um jornalista vendo e eu tento tornar o assunto muito legal para qualquer pessoa”.

Apesar de ainda não ter certeza sobre o que o futuro a reserva, Beatriz já deixa claro que tem a intenção de encerrar a atual graduação e prosseguir para a medicina, onde ela pretende deixar o País para se especializar nas áreas de pesquisa e até mesmo desenvolvimento de remédios e vacinas. Mas ela é enfática, não quer parar com o canal tão cedo e convida qualquer pessoa interessada em se iniciar nas ciências ou até mesmo aprender curiosidades a segui-la na rede social.

“É só digitar Beatriz Rizzo no Youtube que você me acha”.