Antes de comandar um restaurante, Agnes era a menina que ficava atenta aos gestos da mãe e das avós. / Isabella Fernandes/DL
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No Dia Internacional da Mulher, histórias como a da chef Agnes Costa Rotava, 45 anos, ganham ainda mais significado. Para ela, comida sempre foi sinônimo de amor, cuidado e memória.
Foi ainda na infância, observando as mulheres da família transformarem ingredientes simples em encontros cheios de afeto, que aprendeu a enxergar a cozinha como um espaço de força, união
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Antes de comandar um restaurante, Agnes era a menina que ficava atenta aos gestos da mãe e das avós. Não eram apenas receitas que estavam sendo ensinadas, era uma forma de viver.
“A cozinha foi minha escola e meu abrigo. Cada prato que faço tem um pouco das mulheres que me ensinaram a olhar a comida com respeito e carinho”, afirma.
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Ela cresceu vendo a comida como elo entre gerações. A mesa era o lugar onde a família se reunia, conversava, dividia problemas e celebrava conquistas. Ali, entendeu que cozinhar era um ato de cuidado.
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Enquanto muitas crianças brincavam com bonecas, Agnes preferia panelas e ingredientes. O que para alguns era rotina, para ela era encantamento.
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A infância dividida entre São Paulo, Salvador e o interior da Bahia ampliou sua vivência cultural e afetiva. Em cada lugar, novas referências femininas reforçavam o mesmo ensinamento: a comida une.
Na Bahia, as moquecas e o bobó de camarão não eram apenas pratos típicos, mas símbolos de identidade e tradição familiar. As mulheres da casa mantinham viva a cultura através dos temperos, das conversas ao redor do fogão e das histórias compartilhadas enquanto mexiam as panelas.
Essas experiências moldaram o olhar de Agnes para a gastronomia como algo profundamente conectado à memória.
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O momento decisivo aconteceu após os 30 anos, quando se tornou mãe. Durante a introdução alimentar do filho, reviveu lembranças da própria infância e percebeu que estava repetindo, agora como protagonista, os gestos que um dia observou.
“Eu alimentava alguém. Foi um estalo, uma virada de chave. Talvez eu estivesse resgatando a mim mesma”, relembra.
A maternidade trouxe não apenas responsabilidade, mas também consciência. Cozinhar voltou a ocupar o centro da sua vida, agora como escolha e propósito.
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A história de Agnes é marcada pela presença feminina em todas as fases. Das avós à mãe, das referências culturais às próprias vivências como mulher, cada etapa foi construída com base na troca, no aprendizado e no afeto.
Ao transformar a cozinha em profissão, ela também transformou o legado dessas mulheres em continuidade. Cada receita é uma homenagem àquelas que vieram antes.
“Quero que cada pessoa que sente à mesa sinta o que eu senti a vida inteira: que comer é um ato de amor".
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