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Santos

IML de Santos vira ponto de tráfico de drogas

Ao ser acionada, a Polícia Civil deteve um sujeito portando maconha e cocaína que estava exatamente o terreno onde fica o imóvel

ML santista já está há dois anos desativado e as pessoas tem que se dirigir à Praia Grande ou Guarujá / Nair Bueno/ IML

O Instituto Médico Legal de Santos se tornou ponto de tráfico de entorpecentes, conforme Boletim de Ocorrência 1462/2021 emitido no último dia 17 de novembro, divulgado ontem pelo Sindicato do Funcionários da Policia Civil de Santos e Região (Sinpolsan). Ao ser acionada, a Polícia Civil deteve um sujeito portando maconha e cocaína que estava exatamente o terreno onde fica o IML santista, na Avenida Martins Fontes, 1215, no Saboó.

"Os fatos falam por si só. A situação revela não só o descaso como também a incompetência de um governo que, pensando em desprezar uma instituição, uma categoria, está na verdade desrespeitando a população, diretamente impactada. Não administra, não investe, não aperfeiçoa e, com sua omissão, gera mais insegurança e desperdício de recursos públicos", dispara o presidente do Sinpolsan, Renato Martins.

O sindicalista afirma que a logística de recolhimento de presos e o deslocamento até o IML de Praia Grande representa percurso de mais de 80 quilômetros por ocorrência, o que resulta, sem dúvida, em consumo exagerado de combustível e precarização do atendimento. "O governo conseguiu com esse comportamento inconsequente transformar um prédio público em ponto de prática de crime", completa.

Segundo a entidade de classe, o novo episódio, registrado no 5º Distrito Policial de Santos apenas enfatiza a necessidade de providências urgentes em que policiais civis estão impedidos de realizar um trabalho de qualidade, gerando perigo à população.

"Esse é o resultado do sucateamento da segurança pública brasileira, que gera graves impactos sociais diante da precariedade da estrutura física da instituição, e da falta de profissionais para o efetivo combate da criminalidade", argumenta Martins.

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DOIS ANOS

O Governo do Estado já foi, por várias vezes, consultado pelo Diário do Litoral em reportagens que remontam a 2020 e cuja resposta não muda. A Superintendência da Polícia Técnico Científica (SPTC) havia revelado que o IML está fechado por danos estruturais devido às fortes chuvas no início do ano passado e que um novo será instalado na Rua Bernardo Browne, 122, no Estuário. Explicou ainda que o atendimento está sendo realizado pelos IMLs de Guarujá e Praia Grande com eficiência.

Vale lembrar que audiências públicas realizadas em Santos apontaram que implantação do equipamento no Estuário sofre resistência em parte dos moradores do bairro, que questionam que o prédio fica a apenas três metros de um prédio residencial e que sua instalação deve aumentar o fluxo de pessoas perigosas.

Eles têm medo da desvalorização dos imóveis do entorno e da instalação da Polícia Científica Regional no prédio, que acabará proporcionando acondicionamento de drogas e armas, gerando insegurança à comunidade local.

Numa das audiências, houve uma proposta alternativa de locação - um imóvel na Rua Martim Afonso, 141, próximo do Palácio da Polícia - por um valor bem inferior ao que será pago pelo Estado pelo prédio do Estuário. O aluguel custaria R$ 20 mil - R$ 10 mil a menos do que o Estado pretende pagar (R$ 30 mil).

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