Guardas Municipais estão sob risco no morro do São Bento

Alguns guardas enviaram fotos mostrando as condições aos quais estão sendo submetidos dia e noite

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21 JUN 2016Por Carlos Ratton09h00
A Prefeitura alega que falta pouco para acabar as obrasA Prefeitura alega que falta pouco para acabar as obrasFoto: Divulgação

No dia 28 de abril último, um dia após o governador Geraldo Alckmin ter garantido a redução nos números de violência na Baixada Santista, seis guardas municipais foram roubados e agredidos na Zona Noroeste, em Santos, por integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC). Agora, o risco da situação voltar é muito grande, só que no Morro do São Bento, onde guardas estão tendo que resguardar, dia e noite, as obras do Restaurante Bom Prato.

Ontem, um guarda, temendo pela segurança dos companheiros de farda (que não se manifestam por medo de represálias), revelou ao Diário que os seguranças são submetidos a plantões de 12 horas em um ambiente sem um banheiro, condições de beber água e muito sujo. À noite, são colocados dois guardas que passam a maior parte do tempo com receio de uma invasão por traficantes de drogas, que inclusive mantém olheiros próximos para evitar a subida da Polícia.

“Um guarda se recusou a prestar serviço no local com medo de perder a vida. Ele acabou sendo punido por desobediência pelo Comando da Guarda. O local é rodeado por traficantes e já vimos vários portando rádios HD. Os companheiros têm que passar o plantão todo sentado sob um frio violento. Doze horas escondido, com medo dos caras invadirem”, relata.

Prefeitura

Sobre a questão da segurança dos guardas, a Prefeitura respondeu que a grande maioria do efetivo realiza plantões de 12x36 horas e que em relação à nova unidade do Bom Prato, que está em fase final de conclusão, não foi detectada nenhuma ocorrência de invasão ou problemas de roubo e furto.

Com relação ao banheiro, a Administração revela que é o mesmo usado pelos funcionários que trabalham na obra e a Base Comunitária da Polícia Militar, que atua no morro, faz rondas e patrulhamentos constantes. A Prefeitura ressalta que a própria comunidade zela pelo equipamento, pois o Bom Prato vai oferecer 1,5 mil refeições diárias, sendo 300 cafés da manhã e 1,2 mil almoços.

Com respeito à obra, que estava prevista para ser entregue no final deste semestre, a Prefeitura resume alertando que apenas trabalha para dotar a cozinha industrial de todos os materiais em aço inoxidável e já foi assinado o contrato com a empresa vencedora do pregão eletrônico, que vai fornecer o conjunto de equipamentos ao custo total de R$ 121.188,18. 

O prédio terá cinco andares e cerca de 20 metros de altura tem acesso pelas ruas São João (entrada principal) e das Pedras (entrada de serviço). A Prefeitura está empregando R$ 6,5 milhões na obra de dois mil metros quadrados de área construída. A acessibilidade é garantida por escadas e dois elevadores, já instalados.

ZN

Lembrando que na Zona Noroeste, os guardas foram torturados em um terreno resguardado pela Prefeitura na Rua Zeonor de Paiva Magalhães, no bairro de Chico de Paula, que foi invadido por caminhoneiros. Era pouco mais de meia-noite quando a equipe que estava guardando o local para evitar novas invasões foi surpreendida por sete marginais portando armas de grosso calibre.

Os marginais mandaram os guardas deitar no chão e começaram a agredir os funcionários. A equipe foi xingada e agredida com socos e pontapés, muitos na cabeça. Levaram os coletes, algemas, tambores de gás de pimenta e até os bens pessoais dos guardas. Dois foram algemados e um inspetor teve que ser atendido no Pronto-Socorro por causa de uma lesão na cabeça.