Grupo técnico exigirá ações contra violência no Centro

Grupo dará 30 dias para que secretários iniciem uma mudança no destino das crianças do Centro e ZN em vulnerabilidade social denunciada em reportagens do DL

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15 MAI 2017Por Carlos Ratton10h30
Ouvidor e Rivaldo dos Santos, o secretário Sadao Nakai e outros representantes do Executivo foram cobrados pela comunidade e conselheiros em audiência públicaOuvidor e Rivaldo dos Santos, o secretário Sadao Nakai e outros representantes do Executivo foram cobrados pela comunidade e conselheiros em audiência públicaFoto: Carlos Ratton/DL

Na próxima quarta-feira (17) – véspera do Dia Nacional de Combate ao Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes - às 15 horas, na Sala Princesa Isabel, no Paço Municipal, os secretários de Santos, principalmente os que respondem pelas pastas da Educação, Saúde, Cultura, Esportes, Segurança, Assistência Social e Cidadania, serão cobrados a apresentar ao Grupo Técnico de Trabalho (GTT), formado pela Prefeitura, as atividades que estão realizando no Centro da Cidade.

E em 30 dias, após se reunir com técnicos, lideranças comunitárias e conselheiros tutelares, terão que desenvolver atividades visando a retirada urgente de crianças e adolescentes da situação de vulnerabilidade social denunciada recentemente no Diário do Litoral.

A informação é do ouvidor municipal Rivaldo dos Santos. Ele foi um dos integrantes do Executivo cobrado na audiência pública realizada na última quarta-feira (10), na Câmara de Vereadores, baseada em duas reportagens especiais do Diário – “Estupro e morte rondam mulheres e crianças de Santos”, publicada em 19 de março, e “Meninas são exploradas sexualmente em Santos”, publicada em 30 de abril passado - mostrando a triste realidade da região central, envolvendo violência psicológica e exploração sexual de menores.

“Os secretários terão que expor quais os compromissos para o Centro e quando serão executados. Não vamos mais receber propostas genéricas que não proporcionam resultados práticos. Quero saber tudo que está sendo feito e o que será feito para ampliar o trabalho, sempre com a participação da comunidade. As metas e atividades não podem nascer no gabinete do secretário, mas sim da demanda da população”, explicou Santos. 

O encontro, que teve quase três horas de duração, foi mediado pelo vereador Geonísio Aguiar, o Boquinha (PSDB), presidente da Comissão Especial de Vereadores (CEV) que discute problemas no Centro. “Eu acredito muito no decreto assinado pelo prefeito Paulo Alexandre Barbosa (PSDB) que determina um plano emergencial e ações para tentar minimizar os problemas dos moradores. Temos que ter coragem e enfrentá-los. Essa audiência é só a primeira etapa de um amplo trabalho”, disse.

Rua de Lazer

Ficou definido ainda, por intermédio do secretário de Esportes, Sadao Nakai, que, a partir de junho, os bairros com vulnerabilidade serão contemplados com o projeto Rua de Lazer, que oferecerá esportes e recreação às crianças, adolescentes e seus pais. O projeto deverá também contemplar bairros da Zona Noroeste, cuja situação é semelhante, retratada na reportagem intitulada “Abandono condena crianças na região da Zona Noroeste”, veiculada no último domingo (7).

No dia 24 de junho, segundo informou o coordenador técnico da Subprefeitura da Região Central Histórica, Mauro Sérgio Mandira, será realizada a primeira de uma série de ações de cidadania. Ela será no estacionamento do Extra Supermercado, que fica no cruzamento da Avenida Conselheiro Nébias com a Rua Rangel Pestana, próximo à região do Mercado Municipal, uma das mais degradadas da Cidade. “Daremos corte de cabelo, atendimento odontológico, palestras sobre reciclagem de lixo, reaproveitamento de alimentos e outros, além de brincadeiras para as crianças”, disse o coordenador.

Escola Abrigo

Outra proposta para minimizar a situação das crianças foi levada à Administração por intermédio de um ofício (12/2017) pelo presidente da Associação dos Moradores do Bairro Aparecido (Zona Leste) Martinho Leonardo. Ele pediu a implantação no Município da Escola Abrigo de Assistência à Criança em Situação de Risco Social, em parceria com o Instituto Liberta e sugeriu que o equipamento de socorro infantil seja instalado na Escola Acácio de Paula Leite Sampaio, atualmente desativada e abandonada. Junto ao ofício, foram anexadas as reportagens do Diário. “Devemos cuidar e inovar com urgência no atendimento destas meninas e meninos, que estão frequentando os cursos diuturnos de marginalizações sociais”, escreveu Leonardo, fazendo menção ao slogan da Administração que é “cuidar, inovar e avançar”.

Câmara. Além de Boquinha, a vereadora Telma de Souza (PT) vem se reunindo com os secretários Sadao Nakai (Esportes); Sérgio Del Bel (Segurança) e Fábio Nunes (Cultura), no sentido de desenvolver ações conjuntas no Centro da Cidade. Telma é presidente Comissão dos Direitos da Cidadania e dos Direitos Humanos da Câmara e está tentando articular um amplo mutirão, com objetivo de levar informações aos locais mais afetados pela violência e colher dados que possibilitem um diagnóstico da vulnerabilidade social das comunidades.
Outro parlamentar, Antonio Carlos Banha Joaquim (PMDB), apresentou requerimento ao prefeito solicitando informações sobre as ações que serão tomadas pela Secretaria de Ação e Cidadania em relação as denúncias do Conselho Tutelar, publicadas pelo Diário, sobre a falta de locais e serviços de atendimento às meninas vítimas de exploração sexual.

Histórico

Em 19 de março, reportagem refletiu a realidade dramática de mulheres e crianças que moram e brincam nas ruas dos bairros do Paquetá, Mercado, vilas Rica, Mathias, Nova e cercanias, localizados próximos ao Centro de Santos. Tudo acontece principalmente à noite e em finais de semana e feriados. O Diário do Litoral foi a fundo e descobriu histórias de várias mulheres que moram na região, mostrando que viver nesses bairros é mais do que desafiar a sorte, é driblar a morte que está em cada esquina, cada imóvel abandonado e rua mal iluminada. E, porque não dizer, até dentro de casa. 

No dia 30 de abril, a reportagem mostrou que dezenas de meninas de 12 a 17 anos estão diariamente sendo exploradas sexualmente na área central e esquecida da Cidade. A situação ocorre nas ruas dos bairros do Paquetá, Mercado, vilas Rica, Mathias, Nova e cercanias e foi denunciada com exclusividade pela conselheira tutelar Idalina Galdino Xavier. As meninas sofrem não só por terem o corpo usado como mercadoria, mas por outros tipos de violência física e pelo uso de drogas para suportar as humilhações. Muitas estão até cometendo pequenos delitos para sobreviver

E, por último, em 7 de maio, segundo reportagem, a precária infraestrutura urbana e a falta de equipamentos públicos básicos estão proporcionando o aliciamento de dezenas meninos ao crime e expondo meninas ao assédio e à exploração sexual na Zona Noroeste, área periférica de Santos, que faz divisa com São Vicente.