Grupo leva diálogo e calor para as ruas da Baixada Santista

Mais do que doações de alimentos e roupas, projeto do 'Entrega por Santos' tem como objetivo resgatar sorrisos

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20 JUN 2016Por Da Reportagem10h00
Ações acontecem há um ano, sempre no último sábado do mês; principais doações são o diálogo e o calor humanoAções acontecem há um ano, sempre no último sábado do mês; principais doações são o diálogo e o calor humanoFoto: ARMANDO CANDIDO/DIVULGAÇÃO

Noite do último sábado de maio, na Praça Nossa Senhora Aparecida, em Santos. Munidos de agasalhos, produtos de higiene pessoal e cobertores, um grupo de pessoas começa a se reunir. Os materiais são separados no meio da praça, em uma espécie de linha de produção. Parte das pessoas separam roupas e calçados por gênero. A outra parte monta kits de higiene, contendo uma garrafa de água, escova e pasta de dente, bolacha, sabonete e preservativos.

Os quase 300 kits montados naquele sábado foram encaminhados para duas rotas: parte do grupo seguiu em busca dos moradores muitas vezes invisíveis de Santos e os demais voluntários se dirigiram para São Vicente, onde está sendo registrado um crescente número de pessoas em situação de rua.

Há um ano essa é a rotina dos integrantes do Entrega por Santos, projeto sem fins lucrativos e sem vínculos políticos ou religiosos, que tem como principal objetivo resgatar os sorrisos de pessoas em situação de rua. As doações de alimentos, roupas e cobertores são secundárias: a troca de conversas é a principal entrega do grupo de ­voluntários.

“O Entrega por Santos nasceu a princípio sem ser projeto: era apenas uma campanha do agasalho. Com a ajuda do Entrega por SP (ação que já acontece há três anos na capital paulista) demos continuidade. As ruas e a falta de auxílio clamavam pelo básico, por um casaco, um cobertor, um café, um ouvido e uma palavra amiga. Nós precisamos de motivos para sorrir, eles (pessoas em situação de rua) precisam de sorrisos para se motivarem.  Somos estes sorrisos”, destacou Nina Gagli, uma das coordenadoras da ação.

O grupo reforça sempre que possível que não tem ligações políticas ou religiosas. A união se dá apenas através da disposição em ajudar. A didática é fácil de ser entendida: doa quem pode e aparece no ponto de encontro para a entrega quem quiser. As coordenadas básicas são passadas antes da saída: ser receptivo, olhar nos olhos, conversar no mesmo nível físico e doar amor sem esperar retorno.

“O sentido do ‘entregar’ não está relacionado às roupas ou alimentos, mas sim de ser uma entrega pessoal, de alma e peito aberto. Se entregar pela nossa cidade e para todos aqueles que precisam de calor humano.

É uma entrega para quem recebe, mas principalmente para aqueles que se doam”, ressalta a idealizadora Barbara Reis.

Priscila Passos, uma das voluntárias do projeto, destaca que o resgate da autoestima é uma das principais satisfações de passar a madrugada nas ruas. “Nos desprendemos de julgamentos, sentamos no chão e conversamos. Buscamos mostrar com gestos que nos importamos com essas pessoas, oferecendo agasalho e calor humano. Queremos mostrar que sim, nós somos todos iguais”, destacou.

A ideia é reforçada por Mayara Cristhine, também voluntária do projeto. “A experiência de poder olhar no olho aqueles que por muitas vezes são esquecidos e agir por meio de pequenos gestos de abraços e amor. O carinho que recebemos das ruas não tem preço”, finalizou.

O que doar
Com a mudança do ­clima na última semana (que deve se intensificar com a chegada do inverno hoje), doações de agasalhos, meias, calçados e cobertores são os principais pedidos.
O Entrega por Santos recebe também doações de produtos
como garrafas de água, pacotes de bolachas, sabonetes, escovas e pastas de dente.

Onde doar
Nutrindo o Corpo: Av. Conselheiro Nébias, 688 - cj. 63 - ­Boqueirão
Loja Achei Papelaria: Avenida Senador ­Pinheiro Machado, 600 - loja 4.

Mais informações
fb/entregaporsantos