Grávida busca ajuda para realizar parto de bebê com cardiopatia em São Paulo

Priscila deveria ter sido encaminhada até 28 semanas de gestação, mas a descoberta do problema aconteceu depois disso

Comentar
Compartilhar
09 SET 2020Por Caroline Souza18h40
O coração da sua bebê é dividido apenas em três cavidades, chamado de defeito do septo atrioventricularFoto: ARQUIVO PESSOAL

“Não sei mais o que fazer, eu só choro”. O desabafo é da grávida Priscila Vieira Bastos, de 34 anos. Com quase 31 semanas de gestação, ela descobriu que sua bebê possui cardiopatia congênita. Desde então busca, sem sucesso, uma vaga para realizar o parto em São Paulo.

O acompanhamento pré-natal começou com 8 semanas de gestação, na policlínica do Rádio Clube, em Santos. Segundo Priscila, ela realizou todos os exames que pediram, e nenhum havia determinado a malformação.

“Com 18 semanas fiz a ultrassonografia morfológica e no resultado diz que o coração tem morfologia habitual, com as quatro câmaras aparentemente preservadas”, conta. O resultado sugeria ainda que fosse realizada uma ecocardiografia fetal na 26ª semana. No entanto, ela não foi encaminhada para o exame.

Com 29 semanas, em uma ultrassom de rotina, o médico achou que o batimento da bebê estava baixo. Por conta disso, na semana seguinte ela conseguiu realizar a ecocardiografia fetal, foi então que descobriu que o coração da sua bebê é dividido apenas em três e não em quatro cavidades, chamado de defeito do septo atrioventricular.   

A mãe acredita em erro de diagnóstico. “Perguntei se o coração não estava formado ainda quando fiz a morfológica, mas me falaram que já estava e já daria para ter visto a malformação”.

Por conta da condição de sua bebê, o parto não pode ser normal. Casos assim costumam ser encaminhados para os hospitais de referência em São Paulo. Mas Priscila deveria ter sido incluída no sistema de regulação de vagas do Governo do Estado (Cross) até 28 semanas de gestação, e a descoberta do problema aconteceu depois disso.

“A solução que me dão é ganhar no Hospital dos Estivadores e a bebê ser transferida para São Paulo, mas os médicos são bem claros em falar que ela não vai resistir a essa transferência, mas eles me dizem e não formalizam nada”, conta.

Cansada de esperar por respostas, com 32 semanas, Priscila foi pessoalmente ao Hospital das Clínicas (HC), em São Paulo. Saiu de lá com uma carta dizendo que “casos de cardiopatia fetal devem ser encaminhados aos serviços de medicina fetal do HC até idade gestacional de 32 semanas e 0 dias”. Na ocasião, ela estava com 32 semanas e 4 dias.

Neste sábado, Priscila completa 37 semanas de gravidez e o medo só aumenta. “Dizem que o sistema não está na gerência deles, mas foi um erro de diagnóstico, não foi inadimplência minha, no mínimo deveriam ignorar essa parte de semanas e me acompanhar”.

Vaquinha virtual

Diante das incertezas, Priscila está pensando em duas alternativas: fazer o parto em um hospital particular de São Paulo para que então a bebê seja transferida para o SUS para realizar a cirurgia, ou arcar com a cirurgia da filha no particular. Para ajudar, uma amiga criou uma arrecadação virtual no valor da cirurgia, de R$ 160 mil. Até o momento, R$ 7.400 foram arrecadados.

“Fizemos com o valor da cirurgia, mas nem engloba os gastos com UTI, medicamentos, entre outros. A realidade é que ficará um valor impossível”, afirma. “Pensei, em último caso, em entrar com uma liminar, ter ela pelo particular em São Paulo e ela fazer a cirurgia pelo SUS. O que arrecadar com a vaquinha vai me ajudar no parto, que também não é barato, mas a cirurgia dela precisaria ser feita no SUS”.

O parto está previsto entre final de setembro e começo de outubro. Quem quiser colaborar com a pequena Ana Beatriz pode entrar no link http://vaka.me/1327309.

Prefeitura

Em nota, a Secretaria de Saúde de Santos informou que o ultrassom morfológico realizado pela gestante no Complexo Hospitalar dos Estivadores não apresentou alterações. “Durante o seu acompanhamento, foi identificada a necessidade da realização de ecocardiograma quando estava com 30 semanas de gestação, o qual apontou indícios de cardiopatia. O Município solicitou ao Departamento Regional de Saúde (DRS-4) o agendamento de consulta no setor de medicina fetal do Hospital das Clínicas, unidade referência no SUS para o atendimento de cardiopatia congênita, mas o protocolo do hospital estabelece que o limite para início do acompanhamento é de até 28 semanas de gestação”.

Ainda segundo a Secretaria de Saúde, o parto deverá ocorrer no Complexo Hospitalar dos Estivadores e, após o nascimento, o bebê passará por novos exames. “Havendo necessidade de cirurgia cardíaca, a criança será inserida no sistema Cross para a solicitação de transferência a serviço especializado da rede estadual”.

A Reportagem também procurou a Secretaria de Estado da Saúde, mas não obteve retorno sobre os questionamentos.