Futuro de alunos da Zona Noroeste, em Santos, é incerto

Ainda não há consenso sobre futuro dos 927 estudantes.

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15 ABR 2019Por Thaigo Costa05h11
Problemas estruturais roubam a cena na unidade de ensino.Foto: Thaigo Costa/DL

A Prefeitura Municipal de Santos promete a construção de um novo prédio para atender aos alunos da Unidade Municipal de Ensino (UME) José Carlos de Azevedo Júnior, no bairro Jardim São Manoel, porém ainda não sabe o que fazer com os 927 alunos matriculados.

O Projeto, lançado em setembro de 2018 e apresentado para a comunidade em novembro - estimado em R$ 10 milhões - tem data prevista para início das obras no segundo semestre desse ano, podendo sofrer alterações de acordo com a assinatura do convênio e liberação de verbas, fruto de uma contrapartida da Ecovias. Contudo, ainda não há consenso do que fazer com os alunos.

De acordo com o presidente da Sociedade de Melhoramentos do bairro, Edimilson Duarte (Didi), a melhor alternativa encontrada até agora foi a realocação dos alunos em uma quadra poliesportiva, um dos únicos equipamentos esportivos e de lazer da comunidade. "Estamos buscando junto com a prefeitura e os pais a melhor forma para resolver essa situação, mas por enquanto, vemos a quadra como uma opção, desde que devidamente adaptada", comenta.

Para o vereador Chico Nogueira (PT), a ideia de alocar crianças nesse tipo de estrutura é um erro e nem deveria ser cogitada. "É preciso encontrar alternativas, alugar imóveis, redirecionar para outras escolas com ônibus para levar e trazer. Alguma outra opção. Não podemos deixar que nossas crianças estudem em uma quadra de esportes, é um absurdo. Além do fato de inutilizar um dos únicos espaços de esporte e lazer de centenas de crianças e adolescentes, sem falar nos projetos sociais que existem naquele espaço", critica o parlamentar.

Em nota, a prefeitura de Santos respondeu que "a equipe da Secretaria de Educação (Seduc) está verificando, junto com a comunidade escolar, as melhores opções para a realocação do alunado, mas, no momento, ainda não há definição".

Pais de alunos, atentos as possíveis decisões, esperam que seus filhos sejam devidamente direcionados para acomodações seguras. Para Ana Cristina, mãe de duas meninas que estudam na unidade, a acomodação de alunos em estruturas provisórias é arriscado, "não seria viável e nem produtivo para as crianças. A solução seria um transporte escolar que as levassem para outra escola durante esse período. Mas tem que levar todos os alunos e não apenas uma parte, como ouvi dizer. O provisório é sempre incerto e inseguro. E por lidarem com crianças, incerteza e insegurança devem passar longe de qualquer projeto".

Para a diretora da Escola, Dona Lourdes, como é conhecida pelos alunos, "do jeito que está é que não pode ficar. Existem inúmeras goteiras, o prédio é muito antigo (1965). As crianças precisam de um local novo. Precisamos decidir o que faremos com os 927 alunos. Espero que não fragmentem, pois fica mais difícil ter controle de tantos alunos sem estar presente. Existem possibilidades como a transferência para outras unidades, ou a locação de imóveis no próprio bairro, assim como a montagem de estruturas temporárias, mas quem decide isso é a prefeitura junto com os pais".

Enquanto a incerteza do futuro desses alunos tira o sono de alguns pais, outros se antecipam e buscam outras soluções, como é o caso de Tamyres Baldim, mãe de uma aluna do pré, "ao saber que tinha a possibilidade da minha filha ter que estudar por um ou dois anos em uma quadra, ou dentro de contêiner, procurei outras creches, e soube da inauguração de uma no Jardim Piratininga. Consegui vaga e transferi minha filha, pois não concordo com essa opção de estruturas temporárias, não é a mesma coisa que uma sala de aula, isso pode atrapalhar no aprendizado e desenvolvimento da minha filha".

Enquanto o Poder Público alega estudar melhor as possibilidades, pais e alunos aguardam ansiosamente os próximos capítulos e os 927 alunos aguardam em meio a goteiras, pingos e incertezas.

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