Exigências foram cumpridas, diz banda excluída

A organização da Banda da Vila Belmiro contesta a exclusão e diz que não pode assumir a 'culpa' que cabe ao poder público

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01 FEV 2018Por Bárbara Farias10h21
O Carnabanda segue até o dia 13, restando ainda os desfiles de 32 bandas em bairros da cidadeFoto: Francisco Arrais / Prefeitura de Santos

A Prefeitura de Santos excluiu a Dragões do Saboó e a Banda da Vila Belmiro das próximas edições do Carnabanda, após as ocorrências envolvendo ambas. O desfile da Dragões terminou em confusão e tumulto na madrugada de terça-feira (30) e o da Banda da Vila Belmiro foi interrompido pela organização após assaltos. Porém, a organização da Banda da Vila Belmiro contesta a exclusão, alegando que cumpriu todas as exigências da Prefeitura para a realização do desfile e que não pode assumir a “culpa” que cabe ao poder público.   

O desfile da Banda da Vila Belmiro foi interrompido por volta das 20h40 de terça-feira (30) pelos organizadores devido a assaltos na região. Diante dos fatos, a banda publicou a seguinte nota de esclarecimento em sua página no Facebook: “A Banda e seus integrantes não têm nenhum poder de fiscalização, trânsito ou policiamento. Nossa obrigação é colocar na rua boa música, desfile e alegria à população local. Uma festa voltada à família com horário já pré-determinado pela Prefeitura, ou seja, das 19 às 21h. Nossa banda saiu às 19h10 e dispersou às 20h40, exatamente por falta de segurança policial aos foliões. A banda, seguindo determinação da Prefeitura, colocou seguranças particulares no total por ela exigido, porém conforme legislação os mesmos não têm poder de polícia e sim de segurança”.

Quanto ao trânsito, a organização da banda esclareceu que “saiu sem que nenhum agente competente aos fechamentos das ruas estivesse presente”.

Já sobre segurança a nota informa que “foi visto policiamento antes da passagem da banda, moradores chamaram devido a transtornos causados pelos ambulantes”.

A organização da banda relatou ainda que: “Após a banda sair, meliantes começaram a fazer algumas abordagens e com a total responsabilidade que nos cabia paramos o desfile por duas vezes, nas quais foi parada a música e chamada a atenção para que as pessoas mal intencionadas se afastassem e que a linda festa de família continuasse. Na segunda vez, tomamos por bem encerrar o desfile no meio pensando na segurança das pessoas. Foi dispensado o caminhão da Prefeitura e a segurança da Prefeitura que ele acompanha”.

A organização ressaltou ainda que “fomos embora e na rua ficou na verdade um grande baile funk, regado a bebidas e baderna. Agora perguntamos aos que acusaram a banda: Qual poder temos para dispersar ou prender essas pessoas?”

A organização da banda concluiu: “Aos órgãos competentes que tenham a serenidade de assumir suas culpas e não colocá-las nas costas de uma Banda que seguiu todas as normas, datas, horários e documentação exigida pela Prefeitura”.

Dragões do Saboó

O desfile da banda Dragões do Saboó terminou em confusão na madrugada de terça-feira (30). A Polícia Militar foi chamada para conter o tumulto e, segundo o comando do Sexto Batalhão de Polícia Militar do Interior, foi necessário o uso de munições químicas (bombas de efeito moral) contra o grupo que atacou os policiais com pedradas e garrafadas. Segundo o comando da PM, após o término do desfile da banda, cerca de 800 pessoas iniciaram baile funk pela Rua Maria Mercedes Fea, interditando a via, e o COPOM recebeu mais de 20 solicitações de pertubação de sossego.

A Reportagem procurou os organizadores através da página da banda no Facebook, mas não obteve retorno de um posicionamento sobre a suspensão e sobre a confusão no término do desfile, até o fechamento desta edição.  

Resposta da Prefeitura

Diante dos fatos, a Reportagem questionou a Prefeitura sobre o suporte fornecido aos desfiles para a segurança de foliões e realizadores, trânsito e até limpeza urbana, pois moradores dos bairros têm se queixado da sujeira e cheiro de urina e cerveja nas vias.  

Sobre a segurança, a assessoria de imprensa respondeu que “A Guarda Municipal apoia o desfile das bandas de carnaval com uma viatura e quatro profissionais da GM”. Perguntada ainda quanto à possibilidade de aumento do efetivo da GM e solicitação de reforço à Polícia Militar nos desfiles, após as ocorrências envolvendo as duas bandas, a Administração nada respondeu.

Em relação ao trânsito, “informamos que a CET promove as interdições nos pontos de concentração das bandas, divulgando antecipadamente por meio do portal da PMS. No dia do desfile, entre três e seis agentes de trânsito (número varia de acordo com a previsão de foliões participantes e características das vias) fazem o acompanhamento do percurso, realizando bloqueios momentâneos (também divulgados previamente) e operações para fluidez”.

Em relação à limpeza após a passagem das bandas, a Prefeitura respondeu que “elas são efetuadas de acordo com os cronogramas da limpeza urbana”.

Carnabanda

O Carnabanda segue até o próximo dia 13 (terça-feira), restando ainda os desfiles de 32 bandas pelos bairros da cidade. Ao todo, 49 grupos participam do evento em Santos.

Nesta quinta-feira (1º), vão desfilar Direito e Jabaquara, ambas com horários previstos das 19 às 21 horas.