Estado busca destino para Hospedaria dos Imigrantes há 7 anos

Imóvel centenário da Rua Silva Jardim, na Vila Mathias, está abandonado desde 2015, causando perigo a pedestres e veículos

Há sete anos Hospedaria é escorada com ferros enferrujados

Há sete anos Hospedaria é escorada com ferros enferrujados | Nair Bueno/DL

“O Governo de São Paulo avalia alternativas de manutenção da estrutura do prédio da Hospedaria dos Imigrantes e estuda disponibilizar o imóvel para outro órgão público que possa dar nova destinação ao local”.

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Essa é a ‘última palavra’ sobre o imóvel centenário da Rua Silva Jardim, 95, na Vila Mathias que, desde 2015 – sete anos – está abandonado, escorado por armações de ferro que apodrecem mais a cada dia, causando perigo a pedestres e veículos que se arriscam a circular por seu entorno.

Promessas não faltaram em relação ao prédio, como a construção da Faculdade de Tecnologia (Fatec) Rubens Lara, que acabou sendo transferida, no início de 2019, para um novo prédio no bairro pelo Centro Paula Souza (CPS).

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Conforme já publicado no Diário, o solo do imóvel estaria totalmente contaminado por óleo combustível, segundo a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), inviabilizando vários projetos. Isso porque a Polícia Civil manteve, de 1970 a 1998, uma oficina e um posto de combustíveis dentro do imóvel.

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Ela possuía bombas para abastecimento de álcool e gasolina, serviço de guincho, funilaria e pintura, e reparos de mecânica. O imóvel foi tombado em 98, quando a oficina foi desativada.

FLAGRA.

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Anos atrás, a Reportagem esteve no local e constatou operários cimentando as entradas do imóvel sob a alegação que o local teria se transformado em abrigo para desocupados e usuários de drogas, mas também havia possibilidade de prevenção para que pessoas não ficassem expostas à contaminação.

Em um derramamento ou vazamento de combustível, uma das principais preocupações é a contaminação do solo e dos aquíferos.

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Resíduos do refino de petróleo dispostos no meio ambiente representam fontes de contaminação por metais pesados e hidrocarbonetos para solos, subsolos, águas superficiais e subterrâneas. Também pode haver formação de gases e gerar explosões.

NÃO VINGOU.

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Em 2015, foi até aberto edital de licitação para restauro do imóvel, com previsão de investimento do Estado de R$ 70 milhões e término de obras em 2018. A Cetesb chegou a informar que a área estava contaminada e que remediação (correção) seria de responsabilidade do Centro Paula Souza.

A estatal lembrava que a descontaminação teria que ser feita por uma empresa especializada, cujos custos não foram estimados.

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O prédio da Hospedaria dos Imigrantes chegou a ser cedido à Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), mas a entidade desistiu da recuperação e restauração do imóvel, provavelmente, quando descobriu a contaminação do solo.

HISTÓRIA.

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A Hospedaria dos Imigrantes foi tombada pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Santos. O Nível de Proteção Um proibia alteração nas áreas interna e externas. Possui uma área de 8.373 m2 e entregue em 1917.

O Governo de São Paulo adquiriu o terreno em 29 de julho de 1891, de Gervásio de Andrade e Maria Macuco de Andrade, por 50 contos de réis. Em valores atualizados, algo em torno de R$ 5,1 milhões. Iniciou as obras em 1912.

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O local deveria servir de abrigo para os estrangeiros que chegavam ao Porto de Santos. Porém, não existem registros que comprovem tal utilização. Em 1914, a obra foi interrompida por falta de verbas.

A primeira utilização do imóvel foi como armazém de café, em 1917. Depois entreposto de milho até 1940. A área, então, passou a ser utilizada para estocagem de bananas, inclusive, com câmaras de maturação, por uma cooperativa de bananicultores para atender os produtores da região, até o final da década de 60.