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SANTOS

Estação elevatória e comportas contra enchentes começam a funcionar na Zona Noroeste de Santos

A estrutura consiste em um sistema de combate a enchentes composto por três bombas, uma estação elevatória, um canal e uma comporta

Da Reportagem

Publicado em 19/05/2023 às 17:07

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Estação elevatória é entregue em Santos / Isabella Carrari/ PMS

A Estação Elevatória com Comportas (EEC) construída no final da Avenida Haroldo de Camargo (Castelo) para combate a enchentes na Zona Noroeste foi inaugurada nesta sexta-feira (19). A solenidade foi marcada pelo descerramento da placa que dá nome à estrutura: Engenheiro Marcos Diniz.

A estrutura consiste em um sistema de combate a enchentes composto por três bombas, uma estação elevatória, um canal e uma comporta. O equipamento já havia sido testado no último dia 11. A obra integra programa de macrodrenagem da Prefeitura, e começou a funcionar às 10h37.

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A inauguração é um marco na região. O sistema tem como objetivo conter alagamentos, com chuva forte ou fraca associada à maré alta ou baixa. Quando acionada, beneficia os bairros Castelo e Areia Branca, na Zona Noroeste em Santos, além do Jardim Guassu, em São Vicente. 

A EEC Engenheiro Marcos Diniz funciona em quatro situações. Na primeira, em caso de chuva fraca coincidente com maré baixa, as comportas permanecem abertas e a água flui, por gravidade, para o Rio dos Bugres.

Já com a maré baixa e chuva forte, parte da água pode ser retida pelas comportas. A terceira situação envolve chuva fraca e maré alta, quando as comportas se fecham e a água fica armazenada no reservatório de acumulação, com capacidade para 4,250 milhões de litros - o volume é similar ao de três piscinas olímpicas. Neste caso, as bombas retiram gradativamente a água retida, lançando-a no rio.

Na quarta possibilidade, quando há ocorrência de  chuva forte e maré alta, as comportas permanecem fechadas, com todas as bombas funcionando ao mesmo tempo para lançar o volume no Rio dos Bugres. 

VITÓRIA

“Este projeto demandou muito planejamento e investimento para sair do papel e mudar a vida de muitas famílias. Esta obra é mais que uma estação elevatória, é muito mais que um piscinão, é a realização da vontade de muita gente” afirmou o prefeito Rogério Santos referindo-se ao desejo da população e aos esforços de todos os setores envolvidos na implementação do sistema.

O chefe do Executivo também fez menção especial ao engenheiro Marcos Diniz, que dá nome à estrutura. “Uma personalidade apaixonada por Santos e pelo Santos”. Rogério fez um histórico de todo o processo que resultou na obra, desde a captação de recursos, e ressaltou a persistência de pessoas como o homenageado. “Quero agradecer a todos que sonham e trabalham por um mundo melhor”.

Atual deputado federal e prefeito de Santos entre 2013 e 2020, período de maturação do projeto da estação elevatória, Paulo Alexandre Barbosa destacou que o 19 de maio de 2023 tem que ser lembrado como “um dia de alegria e de festa”. “As grandes conquistas são coletivas”, afirmou. O parlamentar destacou a atuação de vários órgãos - desde Câmara Municipal, Ministério Público, entre outros - para o avanço e conclusão do projeto. Também participaram da solenidade os deputados estaduais Paulo Corrêa Júnior e Caio França. 

Felipe Diniz, filho mais velho do engenheiro Marcos Diniz, falou em nome da família. “É uma honra para nossa empresa ter feito esta obra que vai beneficiar a população da Zona Noroeste de Santos. Meu pai era um realizador de sonhos”.

QUEM FOI

Filho caçula do empresário Antonio Diniz, fundador da Terracom, Marcos Diniz exerceu o cargo de vice-presidente do grupo. Foi considerado peça-chave para que a empresa se tornasse a maior construtora da Baixada Santista e a 12ª do Brasil, atuando nas áreas de limpeza urbana, gerenciamento de resíduos, engenharia e concessões. Ele morreu em um acidente de carro, em julho de 2021, aos 50 anos.

SONHO REALIZADO

Professora de kickboxing e moradora do Castelo há 42 anos, Eliana Bustamante afirmou que a comunidade esperava esta obra há muito tempo. “Todos aqui sofreram com o problema das enchentes. Era normal as pessoas perderem geladeiras, fogões e móveis”, contou ela, que é responsável pela associação Cantinho Feliz. A instituição entidade atende 69 crianças, filhas de mães que trabalham fora, e 46 adultos nas aulas de kickboxing. “Vim aqui hoje ver como vai funcionar a estação”.

COMEÇO FOI EM 2021

O acionamento de uma escavadeira foi o primeiro sinal do início das obras da estação, comporta e canal no final da Haroldo de Camargo, junto ao Caminho da Divisa, em 26 de agosto de 2021. Os três equipamentos são a base de funcionamento do sistema contra alagamentos provocados por marés altas e chuvas fortes, localizado no final da rua, no cruzamento com o Caminho da Divisa.

A estação elevatória foi construída em parte do mangue que já foi aterrada com recursos de empréstimo do Banco Mundial. Tem três bombas de sucção de 2m³ por segundo cada, com vazão total de 6m³ por segundo, a diesel, para funcionar mesmo durante as tempestades. Isso significa que a cada segundo o volume de seis caixas d’água de mil litros serão sugadas pelas bombas, capazes de encher uma piscina olímpica em apenas cinco minutos.

Para conter todo o lixo que é levado com a chuva, o que provoca entupimentos no sistema e dano ambiental, a estação elevatória conta com um dispositivo no canal de deságue. Foram implantados cestos e grades para reter o lixo, em ambos os lados das comportas, todos em aço inox 316L (aço cirúrgico), que não enferruja, garantindo a durabilidade por mais de cem anos.

TOTAL DE INVESTIMENTOS

A obra somou investimento de R$ 38,1 milhões. A Prefeitura obteve parte desse valor com um empréstimo do Programa Avançar Cidades, que é coordenado pelo Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR), por meio da Caixa Econômica Federal. O contrato com a Caixa foi de R$ 34,4 milhões, sendo 29,5 milhões de financiamento e R$ 4,8 milhões de contrapartida financeira da Prefeitura. Já outros R$ 3,06 milhões fazem parte do contrato com o Fundo Estadual de Recursos Hídricos (Fehidro), sendo R$ 1,1 milhão do Fehidro e R$ 1,9 milhão de contrapartida municipal.

Esta iniciativa contempla os itens 1, 6, 9 e 11 dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da ONU: Erradicação da pobreza, Água limpa e saneamento, Inovação infraestrutura,  Cidades e comunidades sustentáveis .

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