A ressaca da noite do último domingo (21) foi provocada por um conjunto de fatores naturais. Segundo a professora Alexandra Franciscatto Sampaio, coordenadora do Núcleo de Pesquisas Hidrodinâmicas (NPH) da Universidade Santa Cecília (Unisanta), a cheia da maré aliada às altas ondas e aos fortes ventos provocaram o fenômeno que deixou um rastro de destruição na Ponta da Praia.
“A influência meteorológica ocorre em áreas oceânicas abertas e mais distantes. Os ventos fortes associados à frente fria agitaram a água que veio de encontro ao litoral. Estamos no período da maré astronômica, que intercala marés mais altas e marés mais baixas, onde pode ter ondas com altura elevada e, consequentemente, o nível de destruição ser maior”, disse Alexandra.
A especialista destacou a força dos ventos, que ultrapassaram a marca dos 60 km/h. “A gente observa que esses eventos estão ocorrendo com mais frequência e intensidade. Os ventos foram muito fortes, o que agravou ainda mais a situação. Não dá para afirmar se teremos um evento mais intenso que esse”. No último dia 27 de abril, uma ressaca semelhante destruiu as muretas do calçadão de parte da orla da Ponta da Praia.
A professora chama atenção para o tamanho das ondas. Na noite de domingo elas atingiram 4.25 metros de altura. “Esse foi o tamanho da ondulação registrada na altura da Ilha das Palmas (onde há um medidor). Uma ondulação desse tamanho, à medida que vai se aproximando do corte da costa, perde energia e estoura na orla com menor intensidade. Aqui ficou no nível do píer”, destacou.
Segundo Alexandra é necessário que a população se previna ficando atenta às ocorrências deste tipo de evento. “A população não tem o hábito de consultar esse tipo de previsão. Vê a previsão do tempo, mas não checa a previsão do mar. A gente mora em uma região litorânea que está sujeita à interferência do mar. É preciso criar esse hábito. Os órgãos públicos também precisam criar formas de avisar sobre essas ocorrências. Ficar mais em alerta”, ressaltou.
Tempo
Ontem, a maré ainda continuou alta e as ondas atingiram um pouco mais de três metros no final da tarde. A previsão é de melhora hoje, mas o mar ainda ficará agitado, desfavorecendo a entrada de banhistas. Não há previsão de chuva. A temperatura máxima deve atingir os 20 graus. A mínima prevista é de 10 graus.
