Em Santos, projeto cede ‘ombro’ e auxílio a servidores diagnosticados com câncer

Neste momento, aproximadamente 112 servidores da Prefeitura de Santos vêm sendo acompanhados pela equipe

Programa só é possível devido a união entre trio de servidoras que são pilares de todo o projeto

Programa só é possível devido a união entre trio de servidoras que são pilares de todo o projeto | Nair Bueno / Diário do Litoral

Poucos acontecimentos abalam tanto uma pessoa quanto o diagnóstico de uma doença de alta gravidade e apenas a palavra câncer já serve para gerar sentimentos de angústia e medo em muitas pessoas. Consciente dessa dificuldade, a Prefeitura de Santos, por meio do Programa Ressignificar, vem prestando auxílio psicológico a servidores que descobrem a doença e precisam lidar com uma realidade nova e difícil.

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Atuando na vanguarda desta importante iniciativa, que já vem funcionando há sete anos, estão três mulheres de diferentes segmentos profissionais, mas que se unem de forma única em pilares que sustentam o programa que lida com trajetórias marcadas pela difícil descoberta de uma das doenças mais assustadoras. Elas são a assistente social Taísa Rosa, a psicóloga Amanda Ribeiro a médica perita Eliana Tchaem.

“Eu comecei a atender pelo serviço social, fiquei um ano atendendo como assistente social no programa e eu percebia a necessidade de ter uma psicóloga junto no atendimento e que a gente tivesse um médico perito só para esses casos. São casos que, assim que passaram pela gente, a gente faz evolução no prontuário e aí quando essa pessoa retorna para a perícia, a gente já parte daquele dia, então ela não tem que contar a história dela toda de novo e a gente não revitimiza ela. Ela não precisa recontar tudo que aconteceu com ela”, explica Taísa.

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Neste momento, aproximadamente 112 servidores da Prefeitura de Santos vêm sendo acompanhados pela equipe. O principal objetivo das profissionais é, em um primeiro momento, emprestar um ombro amigo durante as consultas para que o servidor possa ‘despejar’ tudo que vem se acumulando nos pensamentos, isso, caso ele opte por externar o que sente, mas também dar plenas garantias profissionais à pessoa, tanto no que se trata dos honorários deste indivíduo junto à Administração Municipal, como também uma eventual readequação, caso necessário, no futuro.

“Cada um se comporta de um jeito, tem servidores que estão com a doença muito grave e estão bem e temos servidores que tem um diagnóstico de um câncer, vamos dizer assim, menos grave, mas mais abalados. Depende tudo da estrutura, é algo muito pessoal, é muito particular de cada um, cada pessoa reage de uma maneira”, explica Eliana.

Nas palavras das próprias profissionais, o termo ‘Ressignificar’ foi escolhido para nortear o trabalho da equipe, tendo em vista que na prática dos atendimentos foi observada a necessidade e o interesse das pessoas que passam por esse tipo de adoecimento, em “dar novo sentido” às suas próprias vivências. 

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“É um atendimento que tem a característica de acolhimento e emergencial. Geralmente a gente encontra com o servidor no momento da perícia, nos períodos da pandemia a gente fez o acompanhamento remoto desses casos, e essa disponibilidade é para a pessoa poder trazer o que ela quiser. Às vezes o primeiro pensamento, quando você pensa no diagnóstico oncológico é associar com a ideia de morte e, às vezes, falar sobre isso não é uma tarefa fácil, não é algo que você tem a possibilidade de falar. Às vezes no contexto da sua família, que você está com medo, que está sendo difícil passar por aquilo e é um espaço que a gente disponibiliza, para poder acolher os sentimentos, para poder falar um pouquinho sobre isso e o servidor acaba tendo a gente como referência no que ele precisar, ele pode solicitar que a gente agenda um momento pra gente poder conversar”, afirma.

Algumas vezes, os servidores descobrem o diagnóstico durante perícias periódicas, ou não, e os próprios profissionais já realizam o encaminhamento destes pacientes para o Programa Ressignificar. Outras vezes, entretanto, alguns dos servidores acabam sabendo que estão com câncer, mas não contam a colegas de profissão e até mesmo a própria família e continuam trabalhando normalmente, mas as especialistas afirmam que não há qualquer tipo de prejuízo ao trabalhador que se ausente das suas funções por motivos de doença.
“Nesse ano a gente fez o primeiro evento pós-pandemia, se é que a gente pode chamar assim, e foi muito oportuno, fizemos contato com as pessoas e temos propostas de, no ano de 2023, ir mais aos locais de trabalho e pensar junto ações de orientação junto às secretarias”.

As três revelam ainda que, dentre os casos de servidores atendidos atualmente, mais de 90% são mulheres diagnosticadas com câncer e afirmam que os profissionais da Prefeitura de Santos podem procurar o setor em caso de diagnóstico positivo. O contato pode ser feito diretamente no endereço onde fica o Projeto Ressignifica, na Rua Cidade de Toledo, 13, no Centro de Santos, ou por meio do e-mail [email protected]. Há, ainda, a opção do WhatsApp, no (13) 3202-4475.