Expo Brazilian Creative Cities, Ergon Cugler de Moraes destaca desenvolvimento e sustentabilidade

O pesquisador aponta alguns dos desafios que precisam ser encarados de frente pelas autoridades municipais

Ergon foi um dos destaques que abriu o segundo dia do evento

Ergon foi um dos destaques que abriu o segundo dia do evento | Lg Rodrigues/DL

Dona do maior porto da América Latina, a Baixada Santista possui, na visão do pesquisador Ergon Cugler de Moraes Silva, um gigantesco potencial para economia criativa que pode se aproveitar, e muito, do fato de ser porta de entrada de produtos de todo o planeta pelo oceano que banha o litoral paulista.

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Integrante do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e formado pela Universidade de São Paulo (USP), Ergon explicou nesta terça-feira (19), em entrevista ao Diário do Litoral, após ele se apresentar na Expo Brazilian Creative Cities, um dos eventos satélites da UNESCO Creative Cities Network (UCCN), que Santos e os municípios vizinhos já possuem as ferramentas em mãos para que a Região dê o próximo passo quando se fala de economia criativa, desenvolvimento sustentável e cidades inteligentes. A única coisa que ainda falta é unir e organizar tudo como um conjunto de engrenagens.

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“A palavra-chave é ‘integração’ da Baixada Santista, por quê? Porque para a gente pensar no Porto de Santos, a gente tem que pensar como que a gente tem o escoamento logístico disso tudo. A gente hoje tem um monte de carga chegando no Porto que as vezes precisa subir de caminhão pra São Paulo, distribuir na região da Baixada, pegar avenida, então eu acho que a grande virada de chave para a gente fazer com que Santos não só esteja inserida efetivamente no Circuito de Cidades Criativas, mas também em cidades inteligentes e no desenvolvimento sustentável, é pensar como que a gente integra as cidades da Baixada Santista para cada uma ‘jogar’ um papel importante”, explica.

O pesquisador aponta alguns dos desafios que precisam ser encarados de frente pelas autoridades municipais para tornar a Região em uma ‘máquina’ funcional com pouco impacto ambiental e eficaz em seu trabalho.

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“Quando a gente vai pensar em Santos, em mobilidade, por exemplo, não tem como pensar em mobilidade de Santos sem pensar nas pessoas que transitam da barca da balsa de Guarujá pra cá, que transitam de Cubatão, Praia Grande, São Vicente e estudam em Santos. Às vezes as pessoas que moram em Praia Grande trabalham em Santos e a mão de obra é mobilidade integrada, não tem como a gente pensar, por exemplo, no sistema de saúde na Baixada Santista de forma isolada, Praia Grande é referência de média complexidade, Santos tem hospitais de referência. Então, eu acho que integração é a palavra-chave para a gente pensar como que a gente desenvolve, não só a economia criativa no município de Santos, mas para que a Baixada Santista seja esse organismo vivo de integrar o Porto de Santos”.

“O Parque Tecnológico daqui de Santos ele é muito importante e existe um projeto para ter um aeroporto de cargas em Praia Grande, o BRT e o VLT também são elementos super estratégicos e aí eu acho que um ponto muito importante é a gente ter mais ‘hackathons’, por exemplo, atividades de startups. A gente tem uma massa crítica aqui na cidade, na galera que vive o dia a dia, essas realidades, as dificuldades, as benesses, então, a gente tem que chamar essas pessoas para falar, ‘olha, vamos fazer uma atividade para você pensar esse problema público’, a gente inclusive tira o problema, às vezes, de pensar naquilo sozinho, integra as pessoas e tira uma solução muito mais criativa”, explica.

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SUSTENTABILIDADE.

Ergon, durante sua palestra, também chamou a atenção para a crise ambiental que está cada vez mais longe de ser uma dificuldade das próximas gerações e cada vez mais próxima de já impactar as gerações atuais, que precisarão encarar o problema de frente.

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“O desenvolvimento sustentável precisa ser colocado na conta das políticas sociais. A mudança climática não é mais uma questão das gerações futuras. Em 2050 não teremos mais alimento para alimentar a população global e não é falta de comida nos mercados, mas é falta de ter o que plantar. A nossa geração precisa lidar com isso. Não dá mais para pensar que nossos filhos e netos vão ter que lidar com isso, eu também vou. Pensamos por muito tempo que desenvolvimento era o contrário de preservação, mas percebemos ao longo do tempo que não existe sustentabilidade sem desenvolvimento. Só com tecnologia conseguimos otimizar nosso uso de materiais”, finaliza.