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Drone lança inseticidas para combater o Aedes aegypti em Santos

Na agricultura, drones já são usados para o lançamento de agrotóxicos, com bons resultados no combate às pragas que atacam as plantações

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16 JAN 2020Por Da Reportagem12h20

A cidade de Santos foi protagonista de um experimento nédito para combater o Aedes aegypti: o lançamento de inseticidas via drone, de forma que a substância atinja locais em que os agentes de controle de endemias não têm acesso e que têm potencial para criadouros do mosquito, transmissor da dengue, zika, chikungunya e da febre amarela urbana.

Em ação da Secretaria de Estado da Saúde em parceria com a Prefeitura, os voos foram realizados na manhã de quarta-feira (15) em três pontos: Cemitério da Areia Branca, Pátio de Veículos da Companhia de Engenharia de Tráfego e em um ferro-velho localizado no bairro Jabaquara. A Secretaria Municipal de Saúde ajudou a definir os pontos de teste.

Na agricultura, drones já são usados para o lançamento de agrotóxicos, com bons resultados no combate às pragas que atacam as plantações. O objetivo é verificar se esse método também funciona na área urbana como uma forma de eliminar os criadouros do Aedes aegypti em imóveis que os agentes não conseguem entrar ou locais de difícil acesso com potencial para o desenvolvimento do inseto.

Cada área foi sobrevoada duas vezes. Em cada voo, um tipo de inseticida foi lançado a partir de um compartimento localizado na parte inferior do drone: o líquido Bacillus thuringiensis israelensis (BIT) e o granulado Pyriproxyfen, ambos com eficácia comprovada no controle do mosquito.

“São realizados cálculos em relação à dosagem, vazão e quantidade de princípio ativo por hectare sobrevoado. De acordo com o inseto-alvo e o tipo do inseticida (líquido e granulado), é utilizado um tipo de bico lançador no equipamento. O inseticida é lançado a partir de uma determinada altitude previamente calculada”, explica Dalton Pereira da Fonseca Júnior, engenheiro agrônomo da Superintendência de Controle de Endemias (Sucen), órgão do Governo do Estado.

Potes-armadilhas foram instalados de forma a fazer a coleta do inseticida lançado pelo drone. Na sequência, foram recolhidos e encaminhados ao laboratório da Sucen na Baixada Santista, responsável por depositar neles água e larvas de Aedes aegypti criadas em laboratório. A cada 24 horas, durante três dias, será avaliada a mortalidade das larvas.

Em 15 dias, aproximadamente, os resultados da ação devem ser conhecidos em um relatório preliminar. Caso a metodologia tenha a eficácia desejada (100% de mortalidade), a Sucen recomendará a adoção da prática aos demais municípios do Estado como mais uma opção no controle do mosquito.

ROTINA
A Secretaria de Saúde, por meio da Seção de Controle de Vetores, mantém um controle rigoroso nos imóveis chamados de estratégicos: ferros-velhos, pátios de veículos, cemitérios e terrenos baldios. Quinzenalmente, os agentes de controle de endemias visitam estes locais para eliminar situações que contribuem para a proliferação do mosquito Aedes aegypti. Quando há necessidade, as visitas são realizadas em um espaço de tempo menor.

“O drone viria a somar ao controle do mosquito, otimizando o trabalho dos agentes em grandes áreas como os cemitérios, por exemplo. O equipamento consegue abranger um território grande em um tempo muito menor que a vistoria manual”, destaca Leticia Preti Schleder, chefe da Seção de Controle de Vetores.

Desde novembro até o final deste mês, também está sendo testado no Município o uso de 50 armadilhas que impedem a reprodução do Aedes aegypti e reduzem sua infestação. Além disso, a Cidade já conta permanentemente com outras 461 armadilhas de captura de mosquito fêmea, com sistema georreferenciado (localização em mapa) que indica os pontos de maior incidência do Aedes.