Santos
O Independência é visto como um espaço democrático: recebe desde quem sai da praia para um chope rápido até famílias que comemoram datas especiais
Quem caminha pelo Gonzaga, em Santos, tem na Praça da Independência um dos pontos de referência mais icônicos da região / Isabella Fernandes/DL
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Quem caminha pelo Gonzaga, em Santos, tem na Praça da Independência um dos pontos de referência mais icônicos da região. Há seis décadas, o entorno era marcado por casas e construções baixas, um cenário bem diferente do atual, com os prédios que transformaram Santos na cidade mais vertical do Brasil.
Em meio a tantas mudanças, um endereço atravessou gerações e se consolidou como símbolo de tradição. O Independência Restaurante & Choperia, que nasceu como Lanches Independência, completa 66 anos de história em fevereiro, mantendo viva a memória afetiva de santistas e turistas que passaram por suas mesas ao longo das décadas.
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À frente da casa está Alexandre de Freitas Rodrigues, 57 anos, neto do fundador. A história do restaurante começa em fevereiro de 1960, quando o avô dele, Antônio Manoel Rodrigues, imigrante português, decidiu empreender em Santos.
“Meu avô veio de Portugal muito jovem, sem nada. Lá era uma realidade difícil, e o Brasil era o grande sonho de muitos europeus. Ele trabalhou em outras frentes até conseguir se estabilizar e montar primeiro um restaurante no Centro. Depois veio para o Gonzaga, que naquela época era grandioso, com movimento intenso de dia e de noite”, conta Alexandre.
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Naquele período, a região era conhecida pelos clubes de carteado que funcionavam durante a madrugada e mantinham as ruas movimentadas. Foi nesse cenário que nasceu o Independência.
O pai de Alexandre, Aristides de Jesus Rodrigues, começou a trabalhar ainda criança ao lado do pai: “Ele não alcançava o balcão. Meu avô trazia ele para ajudar. Depois virou sócio e assumiu naturalmente o comando do restaurante”, relembra. Aristides esteve à frente da casa até falecer, em 2015.
Inicialmente, o estabelecimento tinha perfil mais voltado para lanchonete, marca que permanece na memória de muitos clientes antigos, que ainda o chamam de Lanches Independência. Com o passar dos anos, o cardápio foi se adaptando, mas sem abrir mão da qualidade que virou assinatura da casa.
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Hoje, o restaurante mantém cerca de 20 funcionários, muitos deles com 30 ou até 40 anos de trabalho no mesmo endereço. O garçom mais antigo, Daniel, soma mais de quatro décadas de casa.
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“Aqui funciona como uma grande família. Nossos clientes vêm de geração em geração. Atendemos netos de quem frequentava nos anos 1960 e 70”, diz Alexandre.
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Durante a temporada de verão, o movimento se intensifica com turistas do Interior e da Capital paulista: “Tem cliente que diz que, se não tomar um chopp no Independência, não veio a Santos”.
O carro-chefe da casa é o chope da bandeira Brahma, servido sempre fresco e armazenado em câmara fria até o momento do consumo. O chope black é um dos mais pedidos, conhecido pela cremosidade.
Na cozinha, o sanduíche de filé mignon é um dos destaques, servido com 400 gramas de carne. Já o filé à parmegiana é o prato mais vendido, seguido pelo contra-filé à parmegiana. Há ainda opções de frutos do mar, como pescada e pratos com camarão.
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“A gente não diminui qualidade para baratear custo. Aqui o cliente vai comer filé mignon de verdade. A comida é preparada praticamente do zero, fresca, feita na hora”, reforça.
Formado em Direito, Alexandre acabou seguindo o caminho da família. Ao assumir o restaurante, decidiu cursar Gastronomia para aprofundar o conhecimento no ramo: “A vida vai te levando. Quando eu vi, estava aqui dando continuidade ao trabalho do meu pai.”
Além do restaurante, Alexandre e a família lideram um projeto social, criado com o objetivo de ajudar pessoas em situação de vulnerabilidade a reconstruírem vínculos familiares.
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Para Alexandre, talvez o maior segredo da longevidade esteja na combinação de tradição, qualidade e vínculo humano. O Independência é visto como um espaço democrático: recebe desde quem sai da praia para um chope rápido até famílias que comemoram datas especiais.
“A gente não é só um lugar que vende comida. O Independência virou um restaurante de todo santista. E enquanto a gente continuar fazendo o que sempre fez, com carinho e respeito, vamos seguir escrevendo essa história.”