Desfiles das Escolas de Samba de Santos transcorrem sem incidentes graves

Agremiações dos grupos especial e de acesso desfilaram no último final de semana e encantaram o público. Grande vencedora do carnaval santista será conhecida amanhã (21)

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20 FEV 2017Por Da Reportagem16h16

 

Os Desfiles das Escolas de Samba de Santos, na passarela do samba Drauzio da Cruz, entre a noite de sexta (17) e a madrugada de segunda-feira (19), transcorreram sem incidentes graves. A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) realizou até as 5h de sábado (18) um total de 16 atendimentos médicos, sendo quatro deles no posto da área dos camarotes e 12 no posto avançado próximo à dispersão.

A ocorrência mais delicada foi o caso de uma menor de idade com intoxicação alcoólica. Ela estava na área de fora do sambódromo e foi levada para o posto avançado, onde foi atendida, medicada e removida consciente ao Pronto Socorro da Zona Noroeste. A SMS contou com 51 profissionais e seis veículos (quatro ambulâncias e duas motos). Os demais atendimentos foram relativos a casos de hipertensão (pressão alta), hiperglicemia (alta taxa de açúcar no sangue), desmaios, entorse e outros pequenos ferimentos. 

Na área da Segurança, a Guarda Municipal (GM) registrou apenas um princípio de desentendimento na área dos camarotes térreos, o qual foi controlado por integrantes da corporação. O efetivo teve o trabalho de 120 guardas, com apoio de nove viaturas (cinco carros e quatro motos), e atuação conjunta com a Polícia Militar. A grande campeã do carnaval santista será conhecida nesta terça-feira (21). A apuração acontece a partir das 11 horas, no Teatro Guarany, em Santos. 

Unidos da Zona Noroeste mostra o seu tempero especial

Um banquete especial foi apresentado na noite de sexta (17) pela Unidos da Zona Noroeste, do grupo de acesso, a primeira escola a desfilar na Passarela do Samba Drauzio da Cruz. A verde, vermelha e branca mostrou o enredo ‘Arroz e feijão uma mistura genial, com o tempero do meu samba virou Carnaval’ com a ajuda dos seus 450 integrantes em 10 alas e dois carros alegóricos. Destaque para o abre-alas que trouxe o galo símbolo da agremiação.

“Tenho a expectativa que vamos conseguir neste ano o que não conseguimos no ano passado, quando batemos na trave. A escola voltou a sua essência antiga com este tema”, disse o intérprete e um dos compositores do samba-enredo, Ademarzinho do Cavaco. A música ficou marcada na cabeça do público com o refrão forte, acompanhada da levada dos 120 ritmistas da bateria, todos trajados de cozinheiros.

Um banquete especial foi apresentado na noite de sexta (17) pela Unidos da Zona Noroeste (Foto: Divulgação/PMS)

Festa junina 'invade' a avenida em desfile da Real Mocidade

Segunda maior celebração popular brasileira, a festa junina tomou conta da avenida do samba durante o desfile da Real Mocidade Santista, a segunda escola do grupo de Acesso a pisar na Passarela do Samba Dráuzio da Cruz, na noite desta sexta-feira (17). 

Os cerca de 700 componentes da agremiação do Marapé apresentaram a história do festejo em um verdadeiro arraial, com direito à quadrilha, fogueira, bandeirinhas, dança de fitas e homenagem a Santo Antônio, São João e São Pedro.

Segunda maior celebração popular brasileira, a festa junina tomou conta da avenida do samba durante o desfile da Real Mocidade Santista (Foto: Divulgação/PMS)

Sangue Jovem ilumina passarela do samba

A Sangue Jovem, primeira escola do grupo especial a desfilar, brilhou na passarela do samba no início da madrugada de sábado (18) com o enredo ‘Da luz à vida’. Os mais de mil componentes da agremiação branco, preta e dourada estavam distribuídos em 10 alas, além de três carros alegóricos, para contar a história da luz desde a criação e o início da vida.

A comissão de frente, formada por 11 bailarinos do Ballet Arte Feeling, representou a escuridão e as trevas. Para isso, foram precisos seis meses de muito ensaio, além do esforço para suportar a maquiagem pesada da alegoria.muito samba no pé ela foi uma das estrelas da apresentação da Sangue Jovem.

A Sangue Jovem brilhou na passarela do samba no início da madrugada de sábado (18) com o enredo ‘Da luz à vida’ (Foto: Divulgação/PMS)

União Imperial contagia público com enredo sobre Benedicto Calixto

A trajetória de um dos maiores expoentes da pintura brasileira do início do século 20, Benedicto Calixto, foi levada para a avenida do samba pela União Imperial. Já passava das 2h deste sábado (18) quando a agremiação, oito vezes campeã do Carnaval santista, entrou na Passarela do Samba Dráuzio da Cruz fazendo jus ao pedido feito pelo presidente Francisco Carlos dos Santos, o Pitico, ainda na concentração: “Vamos colocar o coração na avenida. O coração na garganta é cantar e o coração nos pés é sambar”.

Os cerca de 2 mil componentes contagiaram o público com o samba-enredo na ponta da língua, ao som da bateria formada por 160 ritmistas, que teve como madrinha a musa Scheila Carvalho. Outro destaque foi o carro abre alas representando o nascimento de Calixto, falecido em 1927, que pintou marinhas, retratos, paisagens rurais, urbanas e obras religiosas. E ainda a comissão de frente toda colorida, formada por bailarinas da Cia Santista da Escola Livre de Dança. 

Os componentes contagiaram o público com o samba-enredo na ponta da língua, ao som da bateria, que teve como madrinha a musa Scheila Carvalho (Foto: Divulgação/PMS)


Brasil retrata o encanto da deusa Oxum

‘Bate o tambor, chegou Brasil’. O trecho do refrão da escola de samba Brasil anunciava como seria a apresentação da Campeoníssima, a terceira escola do grupo especial a desfilar na passarela do samba na madrugada de sábado (18). A agremiação verde, amarelo, azul e branco do bairro da Aparecida mostrou os encantos da deusa Oxum num desfile luxuoso e empolgante. Os mais de mil componentes, distribuídos em 14 alas e três alegóricos, estavam com o samba-enredo na ponta da língua. 

A bateria com cerca de 180 ritmistas, comandada pelo mestre Binho, mostrou a sua tradicional pegada e contagiou o público. Outro diferencial da escola foi a ala das baianas logo após a comissão da frente.

Os mais de mil componentes, distribuídos em 14 alas e três alegóricos, estavam com o samba-enredo na ponta da língua (Foto: Divulgação/PMS)

X-9 leva grito à passarela do samba

Os gritos que contribuíram para a formação do povo brasileiro até os dias atuais, como o Terra à vista, o do Ipiranga e o dos excluídos, foram representados pelos 2.500 componentes da X-9, a última escola a desfilar na Passarela do Samba Dráuzio da Cruz, na madrugada do sábado (18).

Na avenida, a agremiação mostrou em cortejo o grito e dor dos escravos, das guerrilhas e revoluções, de liberdade e de alerta à preservação da natureza. E ainda os gritos do saci pelo resgate do folclore nacional, em defesa da arte urbana e do respeito à diversidade. Ao final, representado no último carro alegórico, o grito de basta pelo fim da corrupção no País. Também não faltou o grito de campeã entoado com vibração por foliões e público. Os 150 ritmistas da bateria, trajados de soldados, mostraram o grito de guerra do Exército.

Na avenida, a agremiação mostrou em cortejo o grito e dor dos escravos, das guerrilhas e revoluções, de liberdade e de alerta à preservação da natureza (Foto: Divulgação/PMS)

Bandeirantes do Saboó revela ‘Nas entranhas da Terra’ o princípio e a evolução da vida

Com o enredo ‘Nas entranhas da Terra’, a Bandeirantes do Saboó mostrou na avenida como da escuridão se fez a luz, com a criação do sol, iluminando a formação de astros e permitindo que a vida brote em meio ao caos. Com 600 integrantes, onze alas e um carro alegórico, a agremiação desfilou o planeta com suas formas e cores, oceanos e o surgimento e evolução do Homem.

A escola, pertencente ao grupo de acesso, despertou entusiasmo em seus componentes. Rita Maria Vidal, 63, frequenta a Bandeirantes do Saboó desde a fundação, em 1996, mas só hoje (18) estreou na passarela do samba.

A escola, pertencente ao grupo de acesso, despertou entusiasmo em seus componentes (Foto: Divulgação/PMS)


Superação é lema da Mocidade Dependente do Samba

Uma das quatro candidatas a ascender do Grupo de Acesso para o Especial, a Mocidade Dependente do Samba levou à 700 pessoas à Passarela do Samba Dráusio da Cruz para cantar a fé e a superação, com referências a religiões e ao esporte, representado pelo Garra da Pantera Futebol Clube (nome dado à bateria da agremiação).

No carro abre-alas, um imponente dragão representava a sabedoria e a força. Na sequência, fantasias compostas por estrelas ilustravam “o brilho dos corações”. Já a corrupção, tratada como um mal a ser superado no País, foi lembrada com alegoria em formato de “bicho feio”.

A Mocidade Dependente do Samba levou à 700 pessoas à Passarela do Samba Dráusio da Cruz para cantar a fé e a superação (Foto: Divulgação/PMS)

Nossa Senhora Aparecida é exaltada na avenida pela ‘Vila Mathias’

A escola de samba Vila Mathias levou no sábado (18), para a passarela, ‘Aparecida, a Nossa Senhora do Brasil, 300 anos de fé e devoção’. O enredo da Vila, como é carinhosamente chamada pela população santista, contou a história da padroeira do País, com sua superação e milagres.

Os feitos da santa negra e o crescimento dos seus devotos foram apresentados pelos 1,2 mil componentes da agremiação, em 14 alas e dois carros alegóricos. ‘Nos olhos de quem tem fé, milagres. Teu nome resplandeceu neste chão. Te exaltam nobres e cavaleiros, quebram correntes, cai a opressão’, cantava com entusiasmo, na ala das baianas, Lídia do Nascimento Souza, 50, devota de Nossa Senhora Aparecida desde que se conhece por gente. “Sempre que posso participo de romarias até a Basílica de Aparecida. Desfilei inúmeras vezes, a partir da fundação da escola, em 2008, mas essa aqui é especial. Tenho fé no primeiro lugar, pois agora é com a graça da santa”.

O enredo da Vila, como é carinhosamente chamada pela população santista, contou a história da padroeira do País, com sua superação e milagres (Foto: Divulgação/PMS)

Padre Paulo reverencia cultura africana

A vinda dos negros para o Brasil durante o período da escravidão e a herança cultural africana formaram o tema da Mocidade Independente Padre Paulo, do Grupo Especial. Com os componentes divididos em 13 alas, a escola fez referência à Angola no samba-enredo.

Durante o desfile, a “Mãe África” foi reverenciada com zebras e tambores nos carros alegóricos. No solo, a apresentação de capoeiristas foi uma das atrações.

Durante o desfile, a “Mãe África” foi reverenciada com zebras e tambores nos carros alegóricos (Foto: Divulgação/PMS)

Unidos dos Morros homenageia centenário da Portuguesa Santista

Os cem anos da Associação Atlética Portuguesa - mais conhecida como Portuguesa Santista, a 'Briosa' - foram celebrados pela Unidos dos Morros no segundo dia de desfiles das escolas de samba, na madrugada de sábado (18/02). Com o enredo ‘Morro da Saudade, Morro da Beleza, Unidos com Certeza, no Centenário da Briosa Portuguesa’, a escola de samba campeã em 2016 e 2014 foi em busca de mais um título do carnaval santista. 

Tendo trajetória de 39 anos, a agremiação desfilou com 1,5 mil componentes, 15 alas e três carros alegóricos, homenageando toda a colônia lusitana da cidade, ao destacar o espírito desbravador dos portugueses que aportaram em Santos, seu tino para o comércio e as rendeiras vindas da Ilha da Madeira que teceram seus bordados no Morro do São Bento, depois culminando com o aniversário da Briosa.  

Tendo trajetória de 39 anos, a agremiação desfilou com 1,5 mil componentes, 15 alas e três carros alegóricos (Foto: Divulgação/PMS)

Mocidade Amazonense reproduz a Cidade das Flores

Com 1,7 mil foliões em 17 alas, a Mocidade Amazonense homenageou Holambra, município do interior de São Paulo. A Cidade das Flores, como é conhecida, teve colonização holandesa, lembrada logo na comissão de frente comandada pelo coreógrafo Nildo Jaffer, que fez uma adaptação para a avenida. “Trouxemos um pouco da dança que é tradicional por lá”.

O dourado esteve presente nas alegorias que representaram o trigo e o milho, presentes na agricultura holambrense, também representada nos trajes dos integrantes da bateria. O carro alegórico de maior sucesso perante o público reproduziu a arquitetura local.

Com 1,7 mil foliões em 17 alas, a Mocidade Amazonense homenageou Holambra, município do interior de São Paulo (Foto: Divulgação/PMS)

‘Dragões do Castelo’ abre noite de desfiles das Escolas de Samba deste domingo

Exaltando a cultura negra, o Centro Cultural Escola de Samba Dragões do Castelo abriu o desfile na Passarela de Samba Dráusio da Cruz, na noite deste domingo (19). A agremiação animou o público ao som do enredo ‘Baobá, a raiz da liberdade’.

“Levamos para a avenida a saga de zumbi e toda a luta de um povo, mostrando até os dias atuais”, destacou o intérprete da escola, Markumbinha. Com 12 alas, um carro alegórico e um quadripé, a ‘Dragões do Castelo’ espalhou suas cores e ritmo pela passarela.

A agremiação animou o público ao som do enredo ‘Baobá, a raiz da liberdade’ (Foto: Divulgação/PMS)

Império da Vila faz desfile com garra

Antes de entrar na Passarela do Samba Drausio da Cruz, na noite deste domingo (19), a diretoria da Escola de Samba Império da Vila avisou que a agremiação iria desfilar com garra. E foi isso o que o público assistiu, com os 600 componentes cantando o samba composto por João Paulo Rivera e João Henrique e interpretado por Marco Velho.

O enredo 'Miscigenação da Cultura Popular Brasileira' foi contado em 12 alas, falou de patrimônios nacionais como o frevo, o maracatu e a capoeira. A escola de samba do Bom Retiro terminou o desfile confiante de que pode passar do Grupo 1 para o Grupo de Acesso.

O enredo 'Miscigenação da Cultura Popular Brasileira' foi contado em 12 alas, falou de patrimônios nacionais como o frevo, o maracatu e a capoeira (Foto: Divulgação/PMS)

‘Mãos Entrelaçadas’ leva mensagem contra preconceito para a avenida

Com o enredo ‘Sem preconceito e vaidade, tem nossa solidariedade e muito amor no coração’, o Grêmio Recreativo Cultural Academia de Samba Mãos Entrelaçadas entrou na Passarela do Samba Dráusio da Cruz, na última noite de desfile. Os 700 integrantes deixaram na avenida uma mensagem contra todo tipo de preconceito e discriminação.

Muito emocionado e orgulhoso, o carnavalesco da escola, Luiz Carlos Guerra, afirmou que não existem palavras para descrever o sentimento pela agremiação. “Apesar de todo sacrifício enfrentado, estamos aqui. Viemos mostrar o respeito pelas pessoas e que o amor e a paz devem sempre existir”. A ‘Mãos Entrelaçadas’ desfilou com dois carros alegóricos e dois quadripés, além de 12 alas.

Os 700 integrantes deixaram na avenida uma mensagem contra todo tipo de preconceito e discriminação (Foto: Divulgação/PMS)

Unidos da Baixada entra na avenida incompleta e perde pontos

A Escola de Samba Unidos da Baixada se apresentou incompleta na Passarela do Samba Drausio da Cruz e perdeu 15 pontos. A agremiação que desfila pelo Grupo 1 entrou na avenida às 1h43 de segunda-feira (20) sem carro alegórico e com 147 componentes, quando o mínimo exigido pela Liga Independente e Cultural das Escolas de Samba de Santos é de 300 integrantes.

Com o enredo “Vai-Vai, da Várzea dos Esfarrapados para o Sambódromo do Anhembi”, a Unidos da Baixada contou um pouco da história da Vai-Vai, de São Paulo. O samba-enredo teve uma composição coletiva de seis autores e contou a trajetória da agremiação do bairro Bela Vista, na Capital, 15 vezes campeã.

Com o enredo “Vai-Vai, da Várzea dos Esfarrapados para o Sambódromo do Anhembi”, a Unidos da Baixada contou um pouco da história da Vai-Vai, de São Paulo (Foto: Divulgação/PMS)

 

‘Imperatriz Alvinegra’ encerra última noite de desfiles do carnaval santista

Eram quase três horas da manhã quando o Grêmio Recreativo Cultural Escola de Samba Imperatriz Alvinegra entrou na Passarela Dráusio da Cruz. A escola, que encerrou o último dia do desfile santista, encantou o público com o enredo ‘Ciranda das mãos uma overdose de emoção’.

“Trouxemos para a avenida tudo de bom que a mão faz. É a primeira forma de linguagem e expressão. Lembramos as mãos que curam, que salvam e também usadas como ferramenta de trabalho”, explicou o cantor da escola, Hermes Sobral. Ele destacou que os membros da bateria desfilaram fantasiados de mágicos e a porta-bandeira foi homenageada, pois em suas mãos carrega o pavilhão da agremiação.

A escola, que encerrou o último dia do desfile santista, encantou o público com o enredo ‘Ciranda das mãos uma overdose de emoção’ (Foto: Divulgação/PMS)