Descaso com UME Andradas II choca vereadores de Santos

Ambiente insalubre com alagamentos e falta de água chamam a atenção na escola municipal, que fica no bairro da Aparecida

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26 FEV 2021Por Carlos Ratton07h00
Falhas no telhado alegam tudo na escola. Prefeitura vai repararFalhas no telhado alegam tudo na escola. Prefeitura vai repararFoto: Divulgação

Após denúncias sobre as péssimas condições da UME Andradas II, que fica no bairro Aparecida, em Santos, a vereadora Débora Camilo (PSOL) e o vereador Ademir Pestana (PSDB) - oposição e base do Governo - foram à unidade e se chocaram com o que viram.

Durante a visita na última segunda-feira (22) e em conversa com educadoras que trabalham no local, Débora e sua equipe constataram que os problemas enfrentados se arrastam há anos.

"A escola apresenta problemas como falta de água potável, em meio a uma pandemia, vazamentos e alagamentos ocasionados pelas péssimas condições do telhado. Embora não haja aulas presenciais, os funcionários estão trabalhando em um ambiente completamente insalubre", afirma Débora.

Para a parlamentar, a situação da UME Andradas II só reforça a contradição de um discurso recente do prefeito Rogério Santos (PSDB), o qual afirmava que, atualmente, as escolas são os ambientes mais seguros para as crianças. Ele se referia ao retorno às aulas no meio da pandemia, mesmo sem ter havido ampla vacinação da população.

"A vacina é uma solução que foi desenvolvida recentemente, mas as soluções para os problemas estruturais das escolas já poderiam ter sido encaminhadas há muito tempo", disse Débora, que está trabalhando para melhorar a situação das demais escolas.

PESTANA.

"A visão que se tem quando se entra na Unidade é que está prestes a ruir", informa o vereador Ademir Pestana, por sua assessoria de Imprensa. Ele alerta que a comunidade escolar ao procurá-lo relatou vários problemas, encaminhou fotos e vídeos, mas ainda assim, o resolveu conferir in loco na última terça-feira (23) e ficou perplexo e motivado a questionar o Executivo.

Dentre os problemas, estão os que comprometem sua estrutura, esboçando preocupação quanto à segurança dos estudantes no interior da unidade. Pais de alunos fizeram menção de uma água fétida que escoa do teto e percorre o corredor da escola, além de uma infiltração recorrente, na parte externa do prédio, com incidência de mofo pela estrutura.

"Na visita, constatei mais problemas: portões de acesso à escola corroídos pela ferrugem, caixa d'água de estrutura ainda de concreto comprometida e calhas de zinco provocando infiltrações", relatou.

Segundo o vereador, os pais também pedem que a Prefeitura coloque "concertina" (uma proteção aramada), ladeando todo o muro da escola de forma a garantir segurança. Também reivindicam câmera de monitoramento e que seja intensificada a ronda da Guarda Municipal.

Os problemas da UME Andradas II têm sido alvo de proposituras também de outros parlamentares e ganhado espaço nas sessões plenárias. O Sindicato dos Funcionários Públicos Municipais de Santos (Sindserv) também tem relatos da situação das escolas.

PREFEITURA.

A Secretaria de Educação (Seduc) informa que a UME Dos Andradas II já recebeu a visita de um engenheiro da Defesa Civil, que descartou risco de desabamento do telhado ou de outra estrutura na unidade. Foi verificado o deslocamento de parte da telha, o que ocasionou a entrada de água da chuva em algumas áreas do segundo pavimento. Todos os espaços afetados já foram isolados.

A unidade recebeu também a vistoria da Coordenadoria de Engenharia de Segurança do Trabalho, que apontou adequações no local. Reparos emergenciais já foram avaliados pela pasta e a Secretaria de Serviços Públicos (Seserp) e os serviços devem iniciar em um prazo de 10 dias. Uma reforma geral está prevista ainda este ano.

Quanto a caixa d'água, foi avaliada e será feito teste de potabilidade e, assim que a situação estiver normalizada, o atendimento presencial dos alunos retornará, sem a utilização do segundo pavimento, mas respeitando os protocolos sanitários de segurança.

Com relação à manutenção das escolas, a pasta afirma que todas as escolas passam por frequentes serviços de reparos e manutenção.