O Democratas não faz mais parte da base aliada do governo Paulo Alexandre Barbosa (PSDB), em Santos. O anúncio foi feito pelo presidente do partido na cidade, Taylor Matos, que negou que o partido tivesse a pretensão de ocupar a vaga de vice do atual prefeito nas próximas eleições.
“O trabalho do partido é, em primeiro lugar, passar para a oposição. Fazer uma oposição coerente. Quero deixar claro que o Democratas jamais esteve esperando para ser vice do Paulo Alexandre. Vamos aumentar o quadro de filiados do partido e discutir planos de governo. Essas serão as diretrizes”, disse o presidente.
Matos também é, desde setembro do ao passado, pré-candidato do DEM a assumir a cadeira de chefe do Executivo do Palácio José Bonifácio. Ele classificou a atual gestão como inoperante.
“É um governo que só fez promessas e que não conseguiu tirá-las do papel. A pequena parcela do que foi feito como, por exemplo, a questão do VLT, o Paulo tenta trazer para ele. Na verdade, é um ganho do conjunto de prefeitos da região. E esse VLT, na realidade, foi desenhado para ajudar definitivamente na reeleição do governador Geraldo Alckmin”, comentou Matos, que também criticou o projeto do modal, concebido a nível de solo.
Outra obra citada pelo democrata foi a que envolve o Hospital dos Estivadores. Após uma série de atrasos, o prédio deve ser entregue no primeiro semestre deste ano. “Acho que vai ser a única Administração que vai entregar um hospital só com uma ala, como já foi adiantado. Ele já deveria ter sido entregue e, na realidade, a informação que se tem é que ele está sendo empurrado para ser entregue no ano eleitoral, como todas as obras desse governo, que nós julgamos irresponsável”, destacou o político, já se colocando contra a contratação de Organizações Sociais para gerir unidades de Saúde.
Além de uma oposição coerente, outro foco do DEM e de Taylor Matos será buscar uma reforma administrativa municipal.
“Reforma administrativa. Esse será meu foco. Temos informações da quantidade de pessoas que são ligadas à administração pública recebendo cheque, que recebe mas não trabalha. O Ministério Público já está em cima desta questão. A grande verdade é uma só: precisa cortar as gorduras da administração municipal”, explicou.
A expectativa do partido é conseguir, além da vitória no Executivo, eleger entre cinco a seis vereadores. Além disso, o democrata mantém a confiança em construir uma base sólida. “Nós temos uma gama imensa de partidos e eles (governo) conseguiram alguns. Não existe uma certeza que esses partidos permanecerão com ele (Paulo Alexandre Barbosa) até março. A situação do Paulo está muito complicada. A minha situação está mais cômoda que a situação do Paulo Alexandre”, falou Matos.
Críticas
Taylor Matos não poupou críticas à política santista e à informações que são veiculadas na imprensa. Ele questionou uma pesquisa, publicada por um jornal de circulação regional, onde o prefeito Paulo Alexandre Barbosa aparece com mais de 68% de aprovação.
“O Paulo tem 32% de aprovação, não tem 68%. Foi eleito com 56% dos votos válidos, ou seja, 44% da população santista disse não ao projeto dele. Ele não pode, num governo desastroso, ter na altura do campeonato, 68% de aprovação. Isso é brincar com a inteligência de todos nós. Não existe essa possibilidade”.
Para o presidente do DEM santista, a cidade possui o necessário para despontar e gerar empregos, mas fica engessada devido a uma força política “retrógrada, que pensa no próprio umbigo e é desonesta”.
Outro ponto citado pelo político foi a discussão envolvendo a construção de uma passarela aérea para ligar dois empreendimentos privados do Grupo Mendes, na Rua Guaiaó, no bairro da Aparecida.
“Em Miami tem uma região chamada Brickell, que recebeu um investimento de quase R$ 4 bilhões. Tem edifício residencial, hotel, shopping. Todos eles são ligados por passarelas. Eu vi isso na Europa e em diversas cidades dos Estados Unidos. E aqui temos que discutir se a passarela é viável. Ela embeleza a cidade. Não estou dizendo para colocar uma em cada esquina. É para fazer de forma comedida. Não estou defendendo o Armênio (Mendes, presidente do grupo). Mas estamos discutindo se pode uma passarela. Isso é para se ver qual o nível de política que se faz na cidade”.
Com contatos no Banco Mundial, Matos disse que, caso seja chefe do Executivo, irá buscar reaver a linha de crédito para Santos. A cidade contava com financiamento da instituição para as obras do Santos Novos Tempos.
“Essa questão da micro e macrodrenagem da Zona Noroeste já poderia ter sido sanada nesse governo e ela não foi por incompetência, por inoperância, por desrespeito a todos nós. Essa região é mais saturada porque eles não tem nada lá. Só que eles fazem parte desse município. Não se pode ter um bolsão de prosperidade, rodeado de bolsões de miséria. Santos tem uma cidade muito distinta em relação a outros municípios que compõem a Região Metropolitana da Baixada Santista. Mas nós temos ainda palafitas, morros correndo situações de risco. Temos a Zona Noroeste que tem uma população imensa, mas não tem nada. Tudo que tem ali é feito de forma paliativa”.
Formação nos EUA
Taylor Matos morou por 15 anos nos Estados Unidos. Segundo ele, a experiência foi primordial para poder se preparar para a vida política. “Eu fui para os Estados Unidos com o intuito de me preparar, de estar próximo das políticas públicas de primeiro mundo. Sou um profissional do setor imobiliário americano, faço consultoria internacional, trabalho com investidores. Entendia que o Brasil, em termos políticos, tem uma dívida com todos nós.
“Durante 15 anos pude observar o que realmente é viver num país de primeiro mundo onde o cidadão é respeitado na íntegra, onde as políticas públicas são voltadas para o cidadão, onde a disputa se dá por espaço e não para ver quem se locupleta mais da função pública”.
Lá, o político é filiado ao Partido Democrata, do atual presidente Barack Obama. Ele falou sobre a influência da legenda em sua forma de enxergar a política. “O Democrata visa um país de classe média. O proletariado e o abastado são parcelas ínfimas. Uma nação de primeiro mundo se faz calcada numa sociedade de classe média. É com esta visão que eu também venho para participar da vida política em Santos e no país”.
Matos crê que ser membro do Partido Democrata norte-americano é um trunfo para futuras parcerias. Por fim, ele demonstrou confiança em seu projeto e criticou a reeleição. “Nenhum prefeito dos que se revezaram em Santos teve condição do que eu vou fazer porque não estou preocupado com reeleição. Já falei há 3 anos que seria candidato e prefeito de só um mandato porque eu não acredito em reeleição. Reeleição é a porta de entrada para a corrupção. Político não pode ter a política como um ofício. Político tem que ter a política como mecanismo de ajuda”.