Comunidade de Cubatão se mobiliza contra pátio de caminhões

O prefeito de Cubatão, Ademário Oliveira (PSDB), já havia adiantado com exclusividade ao Diário que não vai dar alvará de funcionamento ao equipamento

O prefeito de Cubatão, Ademário Oliveira (PSDB), já havia adiantado com exclusividade ao Diário que não vai dar alvará de funcionamento ao equipamento

O prefeito de Cubatão, Ademário Oliveira (PSDB), já havia adiantado com exclusividade ao Diário que não vai dar alvará de funcionamento ao equipamento | Divulgação

Uma reunião aberta, realizada na noite da última quarta-feira (31), na sede da Associação de Melhoramentos da Ilha Caraguatá, reunindo dezenas moradores, representantes de entidades de bairro de Cubatão e ainda especialistas ambientais, prova que o Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP) não estará sozinho para impedir a instalação do pátio de caminhões dentro da Ilha do Tatu, ao lado do Viaduto Mario Covas (ponte estaiada), anunciado pela Autoridade Portuária de Santos (APS).

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Ao final, ficaram definidas algumas iniciativas, como um abaixo assinado on-line contra o projeto, uma carreata com faixas e cartazes para avisar a população dos impactos socioambientais do empreendimento nesta área e confecção de panfletos para distribuir em pontos estratégicos. Há ainda a possibilidade de participação das entidades numa reunião convocada pelo MP-SP, em 12 de agosto próximo, além de audiências públicas e a expedição de ofícios para o Ministério do Meio Ambiente e outros procedimentos.

O prefeito de Cubatão, Ademário Oliveira (PSDB), já havia adiantado com exclusividade ao Diário que não vai dar alvará de funcionamento ao equipamento. “Eu sou totalmente contra a instalação. Não vamos permitir nada goela abaixo. Vamos impedir essa verdadeira tragédia para Cubatão até porque é uma área protegida pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura). Do ponto de vista de minhas prerrogativas, não terão alvará. Todos os impedimentos que tiveram ao meu alcance na legislação serão utilizados”, disse o prefeito.

No encontro da última quarta-feira, alguns pontos foram ressaltados sobre os resultados da instalação do empreendimento proposto pela APS que, segundo já anunciado, custará de R$ 3 bilhões. Entre eles está a devastação ambiental e redução de áreas verdes essenciais para o equilíbrio ecológico da região. Esse é o argumento principal usado pelo MP-SP (ver nessa reportagem).

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A comunidade e os especialistas apontam que o pátio irá ampliar os alagamentos dos bairros do entorno, especialmente a Ilha Caraguatá, que já enfrentam problemas, pois a substituição da vegetação nativa por estruturas de concreto e asfalto pode agravar os problemas de drenagem, colocando em risco a segurança e o bem-estar dos moradores.

Também irá impactar a pesca artesanal e o turismo náutico, pois a alteração do ecossistema local pode prejudicar uma atividade econômica tradicional da região, que depende da preservação das áreas naturais e da qualidade das águas.

Outras

Outros impactos também foram destacados, como trânsito e poluição. Conforme revelado, a construção e operação do empreendimento podem aumentar significativamente o tráfego de caminhões e outros veículos pesados na área, resultando em congestionamentos frequentes e aumento da poluição sonora e do ar.

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Associado a isso, garantem que haverá favorecimento ao tráfico de drogas e à prostituição, pois a localização do empreendimento em uma área residencial pode atrair atividades ilícitas, aumentando a insegurança e os riscos sociais para a comunidade local.

E ainda, como já revelado pelo Diário, a desvalorização dos imóveis do entorno, pois a presença de um grande complexo logístico e o aumento dos problemas ambientais e sociais podem afetar economicamente os proprietários e moradores locais.

APS

A APS quer ceder, de forma onerosa a área da União de 530 mil metros quadrados, sendo 100 mil destinados à construção do pátio de triagem de caminhões, condomínio logístico e atividades acessórias, com 800 vagas para estacionamento.

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Alega que o empreendimento será projetado para resolver os gargalos logísticos do porto de Santos e mitigar o impacto na cidade, está gerando polêmica devido à localização proposta ser uma área de preservação ambiental, próxima a zonas residenciais em Cubatão.

“A área destinada à construção do empreendimento é equivalente a 50 campos de futebol de área de preservação permanente (APP). Além da devastação, a obra vai causar muito congestionamento. Por isso a preocupação dos moradores locais e especialistas em sustentabilidade”, afirma Joelma Oliveira, uma das organizadoras do evento.

Participaram a analista ambiental, Ingrid Maria Furlan Öberg, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), vinculado ao Ministério do Meio Ambiente, e Jeffer Castelo Branco, representando a Frente Ambientalista da Baixada Santista.

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Além da Associação da Ilha Caraguatá, participaram integrantes da Sociedade de Melhoramentos do Jardim Casqueiro, Vila Bandeirantes e Ponte Nova; Associação de Moradores, Esportes e Lazer do Bolsão Nove; Associação Comunitária da Vila dos Pescadores; Sociedade de Melhoramento do Bolsão Sete Conjunto Habitacional João Paulo II, Vila Harmonia e Associação dos Moradores do Residencial Rubens Lara.

Outras organizações como a Ordem dos Advogados do Brasil e a comunidade de Cubatão também estão se mobilizando para questionar a viabilidade e a sustentabilidade do projeto. “Precisamos de soluções que equilibrem o desenvolvimento econômico com a preservação ambiental e a qualidade de vida dos moradores”, afirma Leandro Araújo, um dos representantes da associação de moradores locais.

MP-SP

Sobre a questão, a promotora Almachia Zwarg Acerbi garante: “é um ambiente totalmente protegido pela legislação ambiental. Indicado para ser uma unidade de conservação. Desmatar para construir um pátio seria um crime, pois existem outras áreas já desmatadas que poderiam abrigar o empreendimento. Não é um pátio ali que irá resolver a questão logística portuária de Santos. O MP, de jeito nenhum, vai concordar com esse iniciativa e acredito que a APS vai estudar outras alternativas”.

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A promotora Thaísa Monteiro revelou que a vegetação existente na área está em estado avançado de recuperação, é uma área de proteção permanente (APP), com restinga, mangue, reduto de guarás vermelhos e também tem um sítio arqueológico inexplorado, com ossadas de corpos humanos de mais de sete mil anos. “Há impactos urbanísticos envolvendo vários bairros e milhares de famílias, além do aspecto viário”.

Vale lembrar que a legislação assegura a possibilidade de atuação conjunta também do Ministério Público Federal (MPF) na defesa de interesses difusos e de meio ambiente. A implantação do pátio poderá acarretar consequências ambientais, urbanísticas e sociais.

Conforme consta no edital, a empresa vencedora da licitação teria o prazo de até três anos, a contar da data de assunção (após assinatura de contrato com a APS), para disponibilizar a área, infraestrutura e as atividades de acordo com os parâmetros exigidos.