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Comporta está quebrada há mais de 20 anos no Jardim São Manoel

Mesmo sem chuva, região alaga quando a maré sobe. Prefeitura alega desinteresse em licitação para troca.

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24 JUN 2019Por Thaigo Costa08h16
Com a comporta, maré cheia não alagaria o bairro.Foto: THAIGO COSTA/DIÁRIO DO LITORAL

Santos, assim como as maiores metrópoles do país, sofre com problemas constantes de alagamentos. Alguns estudos alegam que o aquecimento global é um dos fatores para os períodos mais chuvosos e, consequentemente, enchentes frequentes.

Entretanto, na região plana da ilha de São Vicente (nome da ilha que abriga parte das cidades de Santos e São Vicente), onde vivem mais de 430 mil Santistas, quase não há vegetação devido ao processo de impermeabilização do solo e da expansão urbana.

Na região noroeste da ilha, nos bairros Alemoa, Chico de Paula, Saboó, Jardim São Manoel e Piratininga, ainda existem manguezais. Antes da ocupação da área plana da ilha por chácaras (e posteriormente pela urbanização), existiam inúmeros terrenos cobertos por manguezais.

A maioria dos rios da parte insular foi canalizada quando o engenheiro Saturnino de Brito projetou o sistema de canais da cidade. Como exemplos é possível citar o rio "Dois Rios" e o "Ribeirão dos Soldados" (atual canal da av. Campos Salles).

No entanto, alguns grandes cursos d'água ainda cortam a ilha na parte norte e noroeste, como é o caso do rio São Jorge que sofre com a poluição e assoreamento devido à ocupação de suas margens por favelas e palafitas.

"A ocupação desordenada representa um risco tanto ambiental quanto geológico. A expansão urbana e o desmatamento desenfreados levam a frequentes desastres sociais, como alagamentos e deslizamentos de terra, que causam centenas de mortes todos os anos", explica a bióloga Andréia Galvão.

Mas existem medidas que podem ser adotadas para minimizar tragédias. "Serviços constantes de limpeza de ruas e galerias pluviais, assim como instalação e manutenção de equipamentos de drenagem ou controle de nível da água, como comportas, são essenciais para a segurança de várias comunidades e podem salvar vidas", comenta Andréia.

Entretanto, algumas dessas medidas, de responsabilidade tanto da sociedade quanto do poder público, muitas vezes são negligenciadas. "Desde moradores que descartam todo tipo de lixo em vias públicas sem se importar com as consequências, como no caso de equipamentos, que deveriam ter manutenção periódica, muitas vezes encontrarem-se inutilizados, quebrados, ou nunca terem ao menos saído do papel", diz.

Este é o caso da comporta de drenagem de águas pluviais e da maré, no bairro Jd. São Manoel, quebrada há anos. De acordo com moradores, devido à falta desse equipamento, somado as obras na entrada de Santos, que alterou alguns traçados hídricos da região, ruas que nunca alagaram antes passaram a alagar.

"Essa comporta não funciona há 20 anos. Se estivesse funcionando não teríamos problemas com a maré alta. Hoje, mesmo sem chover, a maré invade o bairro e deixa vários locais inundados", comenta o presidente da Sociedade de Melhoramentos do bairro, Edimilson de Almeida Duarte, Didi.

Em nota, a prefeitura de Santos explica que "a Secretaria de Serviços Públicos abriu, por algumas vezes, licitação para o conserto das comportas existentes no São Manoel, não resultando em empresas interessadas". E diz ter conhecimento de que "o dispositivo é antigo e necessita de reparos".

Afirmou também que "no momento, a subprefeitura da Zona Noroeste está levantando, com empresas da área, orçamentos em busca da melhor opção para executar os reparos necessários no equipamento. Enquanto isso, equipes da Secretaria Municipal de Serviços Públicos (Seserp) realizam periodicamente serviços de manutenção e limpeza do local, como forma de minimizar os alagamentos".

DESCASO

Enquanto a troca do equipamento - imprescindível para a qualidade de vida no bairro- não é feita, munícipes perdem noites de sono com medo de novas enchentes. "Tem dias que acordo de madrugada assustada com a chuva, e não consigo voltar a dormir com medo de que alague novamente. Ruas que nunca encheram antes, esse ano alagaram em um nível assustador. Vários moradores perderam quase tudo. Tem gente que perdeu até o carro e animal de estimação afogado", comenta Suzane Oliveira, moradora do bairro há 29 anos.