Os cemitérios da cidade de Santos realizaram uma programação especial para atender a demanda de visitantes no Dia de Finados.
Medidas preventivas contra a Dengue, como retirar plásticos de vasos de plantas e preencher adornos fixos das campas com areia até a borda foram passadas aos visitantes pelos agentes da prefeitura.
No Cemitério da Areia Branca, a missa da manhã foi conduzida pelo padre José Raimundo da Silva, às 9h. Às 16h, as homenagens foram norteadas pelo padre Carlos Passos.
Já no Cemitério da Filosofia, as missas foram realizadas de duas em duas horas. No Paquetá, as celebrações aconteceram às 8h, 10h e 15 horas, encerrando com o padre Thomas Anchukandom.
De acordo com o coordenador Bento da Silva Filho, o número estimado de pessoas que passaram pelos três cemitérios de Santos varia em torno de 18 mil.
Sem ocorrências. Os cemitérios receberam grande número de veículos, em especial até 13h. Segundo o gerente de Operações da CET, Hélio Giangiulio, o mais movimentado foi o Cemitério da Filosofia, no Saboó. Nenhuma ocorrência foi registrada.
Cemitério da Filosofia. A palavra Filosofia é de origem grega e significa amizade pela sabedoria, um convite ao pensamento. Em santos, o termo foi usado para nomear um dos cemitérios mais antigos da cidade, inaugurado em 1892.
No Dia de Finados, o Cemitério da Filosofia estava cheio de pessoas que, talvez pelas expressões faciais, explicassem que a palavra escolhida para dar nome ao local fazia mesmo sentido. O local instiga os visitantes a pensar.
Com grande movimento e debaixo de forte calor, era possível observar silêncios solitários, lágrimas, sorrisos e até as duas emoções ao mesmo tempo.
Do lado de fora e cheias de clientes, as típicas barracas de flores pareciam encarregadas de materializar a saudade em forma de flor. Vendedores de frutas, chá gelado e água também aproveitaram a data para uma renda extra no mês.
“Sou vendedor ambulante há três anos, mas esta é a primeira vez que trabalho no Dia de Finados. Nunca tinha pensado nisso antes porque sempre chovia, mas como está calor, é bom para vender água”, explica o empreendedor Luiz Felipe, de 40 anos. Evangélico, Luiz acredita que os mortos voltarão à vida no dia do Julgamento Final descrito na Bíblia, onde cada um será sentenciado ao céu ou inferno com base na vida que levou enquanto vivo. Questionado para qual lugar ele achava que iria depois da morte, o vendedor foi sucinto: “se achar que tô salvo, daí abuso da sorte”!
Maria Francisca de Oliveira, de 73 anos, trabalha com a limpeza de campas há mais de 50 anos. Maria disse que não tinha muita história para contar, mesmo com tantos anos de experiência, porque este ramo é cheio de silêncio. O preço da limpeza das campas varia de R$20 a R$60 dependendo de quantas vezes é realizada no mês.
Dengue
Logo na entrada, os agentes da Campanha contra a Dengue orientavam os transeuntes a remover os sacos plásticos dos vasos para evitar a água empoçada. A agente Viviane Barros participava da ação pela segunda vez. “Hoje nós orientamos, mas na semana que vem os agentes voltam em mutirão para a realização da limpeza geral”, ressalta. Espírita, Viviane acredita na continuação da vida após a morte, porém, não gosta do ambiente de cemitério. “Ninguém vem aqui com o coração tranquilo”, lembra ela.
Ambiente
Durante a visita da reportagem, o cenário não era muito diferente do que o encontrado nas ruas. Os mais velhos viviam o Dia de Finados à moda antiga, concentrados nas homenagens aos entes que partiram. Os mais jovens pareciam preferir usar o tempo do feriado mergulhado em seus celulares.
O clima é ritmado pelas canções em teclado, trompete e guitarra dos músicos Cláudio Ricardo e Billy Motta. “A música sensibiliza as pessoas. Mesmo que traga saudade, acalma”. A crença é de Claudio, responsável por embalar o dia no Filosofia há quatro anos.
Já Billy se apresenta pela primeira vez dentro do local e diz não acreditar na morte. “A lembrança mantém as pessoas vivas”, declara. Claudio é católico e crê que a morte abre portas para uma nova vivência. Ele encerra o assunto religião declamando que “abaixo de Deus, é a música”.
Em frente a uma das campas, três amigas que se encontraram combinavam um almoço. A cena remete ao lado em comum das crenças citadas: que a vida, de certa forma, continua.
