Calçadas de Santos acumulam críticas de moradores e levantam debate sobre responsabilidade pela manutenção

Buracos, desníveis e falta de acessibilidade dificultam a circulação de pedestres em diferentes regiões da cidade; apesar da percepção de muitos moradores, conservação das calçadas é dever dos proprietários dos imóveis na maioria dos casos

Falta de manutenção nas calçadas de Santos resulta em revolta de moradores da cidade / Nair Bueno DL

A caminhada pelas ruas de Santos pode se transformar em um desafio para muitos moradores. Calçadas quebradas, desníveis, obstáculos e falta de acessibilidade são algumas das reclamações frequentes de quem depende dos espaços públicos para se locomover diariamente.

A pensionista Clevelândia, de 86 anos, afirma que as condições das calçadas afetam diretamente sua rotina. Moradora da região da Carvalho de Mendonça, ela relata que os problemas são constantes e aumentam o risco de acidentes, especialmente para idosos.

“São todas quebradas. Cada um faz de um jeito e não tem rumo. A gente tropeça e cai. Está muito ruim. Santos está muito perdido”, desabafa.

Segundo ela, a situação faz com que sair de casa se torne uma tarefa mais difícil. Atualmente, a pensionista evita caminhar sozinha e costuma contar com a companhia da filha para compromissos como consultas médicas.

Confira o vídeo da reportagem completa no canal do Youtube do Diário:

Falta de acessibilidade preocupa moradores

O marceneiro Lenivaldo Carneiro de Souza, de 58 anos, também aponta a má conservação das calçadas como um dos principais problemas encontrados na cidade. Para ele, a falta de acessibilidade agrava ainda mais a situação.

“As calçadas estão todas quebradas. Algumas não têm o rebaixamento necessário para cadeirantes. Falta acessibilidade”, afirma.

Afinal, quem deve cuidar das calçadas?

Uma dúvida comum entre os moradores é sobre quem deve ser responsabilizado pelos problemas encontrados nas calçadas. Tanto Clevelândia quanto Lenivaldo acreditam que a manutenção é uma obrigação da Prefeitura. No entanto, a legislação determina que, na maioria dos casos, a responsabilidade é dos proprietários dos imóveis.

Isso significa que o dono da residência, comércio ou terreno deve construir, conservar e garantir que a calçada esteja em condições adequadas de uso. Entre as obrigações estão a manutenção do piso, a eliminação de obstáculos, a correção de buracos e a garantia de acessibilidade para todos os pedestres.

Caso a calçada apresente problemas, o proprietário pode ser notificado pelo poder público e, dependendo da situação, até mesmo receber multas. Em casos de acidentes provocados pela falta de manutenção, também pode haver responsabilização civil.

Já a Prefeitura atua principalmente na fiscalização do cumprimento das normas e na manutenção de áreas públicas específicas sob sua responsabilidade.

Segurança para quem caminha

A conservação das calçadas vai além da questão estética. Para idosos, pessoas com deficiência, crianças e até mesmo trabalhadores que circulam diariamente pela cidade, um passeio em boas condições representa mais segurança, mobilidade e qualidade de vida.

Enquanto moradores apontam problemas em diferentes pontos de Santos, a discussão sobre a responsabilidade pela manutenção mostra que a solução depende tanto da fiscalização do poder público quanto da participação dos proprietários na conservação dos espaços que fazem parte do dia a dia de toda a população.

O Diário procurou a Prefeitura de Santos para orientar a respeito da responsabilidade de manutenção das calçadas mas não tivemos retorno até o momento da publicação desta reportagem. O texto será atualizado assim que o órgão se manifestar.