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DITADURA

Ato pede que prédio do antigo DOPS em Santos vire memorial às vítimas

O ato começará às 19 horas na esquina da Rua Alexandre Herculano com a Avenida Conselheiro Nébias

Nilson Regalado

Publicado em 01/04/2024 às 15:05

Atualizado em 01/04/2024 às 16:11

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Prédio do antigo DOPS em Santos / IGOR DE PAIVA/DIÁRIO DO LITORAL

O Comitê Popular de Santos por Memória, Verdade e Justiça promove hoje um ato simbólico na esquina da Rua Alexandre Herculano com a Avenida Conselheiro Nébias, no Boqueirão, para marcar os 60 anos do golpe militar de 31 de março de 1964. O ato começará às 19 horas e o local foi escolhido porque, naquela esquina, no prédio histórico que está tomado pelo mato e à beira da ruína, funcionou um aparelho de repressão para onde eram levados os presos políticos, entre estudantes, operários, lideranças sindicais e políticas contrários ao regime ditatorial que se instalou no País. A ideia é reivindicar que o sobrado, que foi erguido em 1929 e tombado pelo patrimônio histórico, seja transformado em um memorial que não deixe morrer a história do golpe militar e suas implicações na história do País. O Comitê Popular espera que o imóvel com 820 metros quadrados também sirva para preservar a história das vítimas da repressão política e militar que durou 21 anos e só terminou em 1985, quando o País finalmente voltou a ser governador por um civil. 

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Segundo o Comitê Popular, o imóvel, que após o fim da ditadura chegou a abrigar a 16ª Circunscrição Regional de Trânsito de Santos 16ª Ciretran) até 2015, serviu ao antigo Departamento de Ordem Política e Social (DOPS) de Santos – órgão da repressão que ficou marcado na história por monitorar e torturar opositores do regime militar.

O sobrado pertence à Coordenadoria do Patrimônio do Estado de São Paulo e chegou a ser colocado em leilão no início da década, mas não apareceram arrematantes. A antiga sede do DOPS chegou a ser invadida por moradores de rua e saruês após a saída da Ciretran do local.

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Comitê Popular promove agenda sobre Golpe de 64

Mas, a programação de atos em prol da democracia segue no próximo dia 10, quando será realizado o Seminário Internacional: Reparação, Memória e Justiça de Transição – os casos da Argentina e do Brasil. A atividade será na Universidade Católica de Santos, na Avenida Conselheiro Nébias, 300, Vila Mathias. O seminário será das 9 às 12 horas e das 19 às 22 horas.

No próximo dia 12, no auditório do Instituto Federal de Cubatão, à Rua Maria Cristina, 50, Casqueiro, ocorrerá o “Seminário 60 anos do Golpe” com a exibição do filme “Navio Raul Soares: o navio da agonia”. O filme tem 74 minutos e será exibido pela manhã. Em seguida, haverá um debate com a professora e jornalista Lídia Maria de Melo, autora do livro “Raul Soares, um navio tatuado em nós”.

A programação seguirá à tarde, das 14 às 18 horas, com “O genocídio das nações indígenas brasileiras – O controle e a repressão aos Waimiri-Atroari nas fronteiras Amazônia/Roraima ontem e hoje”. Apresentação e debate com Adriana Gomes Santos, da Universidade Federal de Roraima.

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À Noite, das 19 às 22 horas, a programação inclui “Uma história política dos trabalhadores: a luta por reparação e justiça – O caso da Companhia Docas de Santos”, seguido de debate com Antônio Fernandes Neto, que integrou a Comissão Nacional da Verdade no GT 13: Ditadura e repressão aos trabalhadores e ao movimento sindical, e Vivian Mendes, membro da Comissão Estadual da Verdade.

As atividades terminam no dia 24, relembrando o dramático dia em que os agentes da repressão atracaram o navio-presídio Raul Soares no Porto de Santos para torturar, durante meses, diversos trabalhadores ligados ao movimento sindical e operário da região. O “Sítio de Consciência Raul Soares Nunca Mais!” será no ponto de embarque das balsas, atrás da Alfândega, no Centro, a partir das 19 horas.

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