Sua história oficial como / Benedito Calixto/Reprodução/APS
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Nesta segunda-feira (2), o Brasil celebra os 134 anos do Porto de Santos. Mais do que um gigante da logística que movimenta um quarto da balança comercial do país, o porto é um monumento vivo à engenharia, à resiliência e à formação da identidade nacional.
Sua história oficial como "Porto Organizado" começou em 1892, mas suas raízes mergulham profundamente nos primeiros séculos da colonização, quando Brás Cubas percebeu que a proteção do estuário, no Lagamar do Enguaguaçú, seria o abrigo ideal contra piratas e intempéries.
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A transferência das operações para o Valongo consolidou o que viria a ser o ponto de partida para o crescimento econômico do Estado.
O Porto de Santos foi o canal por onde o "ouro negro" — o café — escoou para o mundo, transformando o Brasil.
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Para que isso fosse possível, desafios monumentais foram superados, como a construção da Estrada de Ferro São Paulo Railway pelo Barão de Mauá, que transpôs os 800 metros de altitude da Serra do Mar em 1867, conectando o planalto ao cais em uma viagem que antes parecia impossível.
O Porto de Santos não foi apenas um local de passagem para mercadorias; foi, acima de tudo, a porta de entrada para os sonhos de milhões.
A grandeza cultural de São Paulo e da Baixada Santista só existe porque o estuário santista acolheu imigrantes que atravessaram o oceano em busca de recomeço. Italianos e japoneses formaram os maiores contingentes, mas a orla e o Valongo também viram desembarcar árabes, alemães, espanhóis, franceses e gregos.
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Essa mistura de nações transformou Santos em uma cidade cosmopolita. A herança portuguesa, por exemplo, tornou-se a espinha dorsal da arquitetura e da culinária local, enquanto a força de trabalho de diversos povos preparou o terreno para o ciclo áureo do café.
Embora o porto tenha enfrentado períodos sombrios no século XIX, sendo apelidado de "Porto da Morte" devido às epidemias tropicais, o cenário foi transformado pelas obras sanitárias de Saturnino de Brito, permitindo que a cidade florescesse junto com o cais.
A evolução do porto também é uma história de inovação tecnológica. Um marco de destaque é a Usina Hidrelétrica de Itatinga, inaugurada em 1910.
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Localizada no meio da Mata Atlântica, na Serra do Mar, a usina foi construída pela Companhia Docas de Santos para garantir autonomia energética ao porto em uma época em que poucos tinham acesso à eletricidade.
Incrivelmente, mesmo modernizada, a usina segue em operação contínua há mais de cem anos, fornecendo energia para as atividades portuárias até os dias atuais.
Outra obra de engenharia que mudou a geografia de Santos foi o aterramento da área de Paquetá-Outeirinhos. O local, originalmente um golfo, foi preenchido com pedras vindas do bairro Jabaquara para permitir que navios de maior profundidade pudessem atracar, criando a linha de cais que hoje abriga a sede administrativa da Autoridade Portuária.
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Ao longo de seus 134 anos, o porto também enfrentou momentos de provação, como os grandes incêndios em terminais de açúcar e combustíveis entre 2013 e 2015, que testaram a capacidade de resposta das autoridades e deixaram lições sobre segurança e preservação ambiental.
Desde o fim da concessão da Companhia Docas de Santos em 1980 e a posterior transição para o modelo de Landlord Port nos anos 90, o Porto de Santos consolidou um sistema onde o Governo Federal exerce a autoridade administrativa, enquanto terminais privados operam as cargas.
Hoje, o complexo é capaz de receber gigantes como o MSC Grandiosa e cargueiros de 366 metros, mantendo sua posição como o maior exportador de açúcar, suco de laranja e café do mundo.
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Ao completar mais um ano, o Porto de Santos reafirma que sua verdadeira riqueza não está apenas nos recordes de tonelagem, mas na história escrita em cada metro de seu cais, que o torna o maior porto da América Latina e coloca o Brasil no ranking da Economia Mundial como o principal exportador do continente.